Análise | O legado do Dragão de Dojima é inspirador e brilhante em Yakuza 6

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Começar a jogar pelo sexto game de uma franquia não parece uma tarefa fácil, pelo menos a princípio. Afinal, é muito comum que este pensamento floresça na cabeça das pessoas: “será que é obrigatório eu saber o que aconteceu nos outros cinco jogos?”; ou ainda “como vou entender o que vai acontecer se não experimentei os títulos anteriores?”. Bem, a boa notícia é que a franquia Ryū ga Gotoku (comumente conhecido como Yakuza no ocidente) possui arcos de histórias bem fechados em cada um de seus episódios.

Na prática, isso significa que não é necessário ter jogado nenhum outro game da série. Esteja você começando pelo quinto jogo, pelo terceiro ou ainda pelo prequel (Yakuza 0, que saiu no final do ano passado), as narrativas de todos os títulos da franquia possuem um começo, um meio e um fim. E se mesmo assim aquela sensação de estar perdido em meio a tantos rostos/nomes e citações a acontecimentos anteriores persistir; Yakuza 6: The Song of Life presenteia a todos com resumos recheados de informações no menu Memories, além de um prólogo cinematográfico repleto de emoção logo nos primeiros 15 minutos de jogatina.

Por falar em emoção, é bom que você esteja ciente: Yakuza 6: The Song of Life irá te emocionar, talvez muito dependendo de sua condição psicológica. Caso tenha sentido muitos feels ao embarcar em experiências como The Last of Us, The Walking Dead (Telltale) e The Witcher 3, saiba que no sexto game da série que leva a máfia japonesa no título as coisas não serão mais leves. Afinal, a paternidade novamente é um dos temas abordados aqui.

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A lei do universo é clara: toda ação traz uma reação

Yakuza 6: The Song of Life é uma sequência direta do quinto jogo, e no prólogo os jogadores sabem mais ou menos como terminou essa história, uma vez que somos apresentados a Haruka Sawamura, que chegou ao auge de sua carreira como idol. No entanto, ela é a filha adotiva de Kazuma Kiryu, o protagonista da série que anteriormente foi líder da máfia japonesa (o quarto na linha de sucessão).

Em meio a uma apresentação histórica, ela encara a decisão mais importante de sua vida: ou ela prossegue com o show e, assim, se torna uma idol de sucesso, cortando para sempre os laços com as pessoas que lhe ajudaram, em especial o seu pai adotivo; ou desiste e retorna para sua família e seus amigos, na frente de todo o público que a está assistindo. Haruka opta pela segunda opção, e além de deixar seu sonho de lado, ainda explica para todos os fãs, da maneira mais transparente possível, quem ela é e de onde veio – abrindo seu coração e cortando os nossos.

Obviamente, sua carreira como idol chega ao fim nesse momento, afinal uma popstar que foi criada por um membro da Yakuza jamais iria decolar devido ao preconceito que as pessoas têm com qualquer pessoa envolvida nesse meio. Enquanto isso, Kiryu mais uma vez se envolve em uma confusão que não lhe diz respeito algum. O Dragão de Dojima é um valentão com um coração grande demais, que mal lhe cabe no próprio peito; e ele jamais deixaria seus amigos em apuros. Todavia, suas ações lhe trazem graves consequências, pois além de quase morrer, ele também é preso.

Surpreendentemente, ele não possui culpa alguma no cartório, mas decide aceitar a pena de três anos para não comprometer os órfãos que cria em seu orfanato (o Morning Glory), e tampouco a carreira de Haruka, que ele acredita ter decidido o melhor para ela, isto é, seguir com a carreira de idol e deixar seu conturbado passado para trás. Além do mais, esse período na prisão daria tempo para que as pessoas se esquecessem de toda a confusão que assolou o quinto game da série. Tudo isso são apenas os primeiros quinze minutos de Yakuza 6, apresentados em cutscenes.

O jogo começa mesmo quando terminam os três anos de Kiryu na prisão. Quando ele sai, muitas surpresas lhe aguardam: primeiramente Haruka desapareceu sem deixar rastros, e a cidade da Kamurocho está bastante diferente, mais moderna e tecnológica. Além disso, o território que seu antigo clã controlava está em uma fervorosa e sangrenta guerra contra a máfia chinesa, contando ainda com diversas gangues menores na disputa (incluindo os coreanos). Muitos dos amigos do Dragão de Dojima também não podem circular livremente pela área devido a periculosidade da situação, e, para completar o pacote, um bebê entra na jogada – literal e figurativamente falando.

Um mundo grande e vivaz dentro de uma caixa

Não se engane: a franquia Yakuza não é um open-world como Grand Theft Auto ou Red Dead Redemption. Os games da série da SEGA são de ação com elementos de RPG. O que acontece é que o jogo coloca Kiryu no meio de uma cidade, e ele deve vasculhar a área procurando por informações ou por pessoas e, assim, prosseguir em sua jornada. Isso traz a impressão de que estamos jogando um sandbox, mas, na verdade, uma coisa não tem nada a ver com a outra.

Em Yakuza 6, por exemplo, Kiryu explora duas principais localidades: Kamurocho e Onimichi – a primeira fortemente baseada em Kabukichō, em Tóquio, e a segunda sendo uma localidade de Hiroshima. Apesar de dar vontade de adentrar por toda e qualquer porta e conversar com todos os cidadãos, não é possível fazer isso. A linearidade do game permite que o jogador converse apenas com pessoas específicas, bem como o guia para que entre em locais pré-determinados. Isso, claro, em se tratando de história principal.

Afinal, se existe uma coisa em que a franquia se sucede é nos minigames e nas sub-histórias. Esses recursos trazem, respectivamente, mais vida e mais camadas de complexidade à toda a jornada. Com os minigames, que são diversos, o jogador pode desfrutar livremente pela cidade – desde que tenha dinheiro para isso. O destaque fica por conta do baseball, das casas de karaokês e dos arcades da SEGA, onde é possível jogar diversos títulos clássicos como Virtua Fighter, Super Hang-On e Outrun, dentre muitos outros. Existem ainda os “chats para adultos” que rendem momentos divertidos. Até mesmo entreter e cuidar de Haruto, o bebê, pode ser considerado um minigame.

As sub-histórias continuam igualmente brilhantes, bizarras e emocionantes. Elas são ativadas quando o jogador passa por um determinado local da cidade e avista a pessoa que irá abrir a side quest, presenciando uma cutscene bem curta referente ao personagem que precisa de ajuda. É totalmente opcional, mas o desenrolar e a conclusão da miniaventura são bem recompensadoras. E, de uma maneira ou de outra, fazer essas sub-histórias acaba levando o jogador ao objetivo principal, quer ele queira, quer não. Tudo o que é preciso é ter disposição e tempo para realizá-la.

Bater e correr, evoluir e crescer, e, claro, se divertir

É importante ressaltar que enquanto Kiryu anda pela cidade, ele avista gangues andando por todos os lados, e basta que os integrantes avistem o protagonista para que a treta comece. É possível fugir das batalhas, correndo e se escondendo em algum lugar, mas acredite: você não vai querer, mesmo quando estiver com Haruto no colo. As lutas são um dos aspectos mais legais desse game, não apenas porque o combate é leve, preciso e prático, mas também porque é divertido testar toda a árvore de habilidades do Dragão de Dojima em ação. Além disso, as interações com os cenários deixam tudo ainda melhor. Para ativar uma, basta chegar perto de algum objeto que está próximo, acostado em algo ou jogado no chão, e apertar o botão que aparece na tela para ativar a cena.

Os golpes de Kiryu são bem simples e fáceis de dominar, pois se resumem a socos, chutes, defesa, agarrão e esquiva. Além disso tudo, o Heat continua presente, o que traz ainda mais emoção às lutas, especialmente contra os chefões dos capítulos. As combinações de golpes são inúmeras, e quanto mais o jogador entrar em batalhas, mais pontos, itens e dinheiros ele ganha.

Esses pontos podem ser distribuídos nos atributos do protagonista, aumentando o ataque, a defesa, entre outros, além de desbloquearem novas habilidades que podem ser usadas tanto dentro quanto fora de batalhas. Os itens também possuem algumas finalidades e podem ser vendidos em casas de penhores – apesar de não ser recomendado. E o dinheiro, bem, é para que seja investido nas necessidades primárias do Dragão de Dojima, dentre as quais podemos listar: gastar tempo nos minigames ou ainda usá-los nas sub-histórias quando for preciso, comprar itens de cura e/ou de status, e, claro, se alimentar; afinal se você deixar que seus personagens passem fome, eles ficarão mais vulneráveis.

Outra novidade que Yakuza 6: The Song of Life trouxe é a Criação de Clãs, em que o jogador precisará atuar como um verdadeiro estrategista, colocando Kiryu para liderar os integrantes de um grupo em um minigame que lembra muito um jogo de cartas: os dois lados possuem um determinado número de jogadas e, conforme as ações se desenrolam no campo de batalha, os membros vão sendo eliminados. O objetivo é ganhar e derrotar a gangue inimiga antes que o tempo acabe. Para complementar melhor o seu time, alguns personagens especiais também podem ser liberados, trazendo mais emoção aos embates.

Por fim, se você é um fã da cultura pop japonesa, prepare-se para ver muitos rostos conhecidos ao longo do game como, por exemplo, a cantora Erina Sakurai e a lutadora Saki Akai, entre outras artistas famosas do Japão de segmentos variados. Além do mais, atores renomados como Takeshi Kitano (de Zatoichi, e mais recentemente A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell), Shun Oguri, (Crows Zero e Great Teacher Onizuka) e Tatsuya Fujiwara (de Battle Royale e Death Note) emprestaram seus rostos e até mesmo suas vozes para seus respectivos personagens dentro do jogo. Portanto, não se espante se achar alguma figura extremamente familiar enquanto estiver jogando Yakuza 6, pois é bem possível que seja alguém famoso mesmo.

Um ciclo se inicia e outro começa logo em seguida

O sexto título da série traz uma conclusão emocionante para a saga de Kazuma Kiryu, mas isso não significa necessariamente que esta será a última vez que o veremos. Até porque a SEGA finalmente entendeu que a franquia Yakuza também é amada no ocidente e está, aos poucos, relançando seus jogos com remasterizações dignas, ou seja, sem censuras, completos e localizados para o inglês: os chamados Kiwami. O primeiro Kiwami, isto é, a remasterização do primeiro jogo, já foi lançado e, como já foi comentado por aqui, o prequel Yakuza 0 também já está disponível. Já Yakuza 2 Kiwami está previsto para chegar em agosto deste ano. Assim sendo, podemos esperar outros Kiwami chegando posteriormente.

Kiryu é novamente colocado em uma posição complicada, precisando cuidar e proteger o bebê Haruto enquanto lida com questões delicadas envolvendo sua família e as máfias que querem dominar o Japão. (Imagem: Sega)

Além do mais, Yakuza 6: The Song of Life é o primeiro jogo que utiliza o motor gráfico Dragon Engine. Por falar nisso, os gráficos do sexto título são ótimos, mas as expressões faciais ainda precisam de algumas melhorias. A esperança é que Yakuza 2 Kiwami chegará com esse aspecto aprimorado, entregando uma verdadeira e definitiva experiência da franquia, como há muito tempo se espera.

Yakuza 6: The Song of Life é exclusivo de PlayStation 4 e está legendado em inglês apenas; só há opção de dublagem em japonês. E, apesar de ser a conclusão da saga do Dragão de Dojima, ainda assim este game é uma excelente porta de entrada para os novatos de plantão, que desejam se aventurar pelos bairros japoneses batendo em arruaceiros e resolvendo casos complicados de família. Mais do recomendado para os jogadores recém-chegados, é um título obrigatório para os fãs de longa data da série.

Yakuza 6: The Song of Life foi analisado no PlayStation 4 com cópia física cedida gentilmente ao Canaltech pela Sega.

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