Análise | Xenon Racer une corrida old school a gráficos de última geração
Por Rafael Rodrigues da Silva |

A evolução dos videogames, que tem tornado os jogos cada vez mais realistas, acabou mudando diversos gêneros e hábitos dos jogadores, e um desses hábitos que foi afetado é a enorme falta de títulos de corrida para pessoas que não são fanáticas por carros.
Ao mesmo tempo que a evolução dos videogames criou jogos de corrida com carros cada vez mais parecidos com os reais, esses jogos acabaram se tornando muito reais. Os principais lançamentos do gênero se tornaram verdadeiros “jogos emprego”, exigindo dedicação para aprender cada detalhe da pista e como personalizar cada peça do automóvel para ter sucesso nas corridas — chegando ao cúmulo de alguns títulos praticamente serem injogáveis no controle tradicional, obrigando o jogador a investir em um volante.
Jogos como Top Gear ou Test Drive, que satisfaziam tanto os mais fanáticos por carro quanto aqueles que só querem, de vez em quando, pegar um jogo pra fazer uma ou duas corridas rápidas sem precisar se dedicar muito são cada vez mais raros. E, felizmente, Xenon Racer se encaixa exatamente nessa segunda categoria.
Automobilismo do futuro
Desenvolvido pela 3Dclouds, Xenon Racer é um jogo de corrida que se passa no ano de 2030, onde as principais companhias automobilísticas do mundo se juntaram para criar um campeonato onde colocam para competir suas criações mais recentes e mostrar toda a inovação tecnológica no desenvolvimento de carros esportivos elétricos que utilizam um sistema de “turbo” à base de xenônio — mesmo gás usado na propulsão de foguetes espaciais.
Assim, o universo do jogo consegue apresentar uma boa mistura de sci-fi com realidade. Essa mistura já começa pela própria premissa, que, embora envolva propulsão de foguetes em carros de corrida e a criação de uma liga conjunta pelas principais montadoras do mundo, é bastante crível. O design dos carros também é outro ponto crível: embora sejam um tanto "fantasioso", eles são bastante pé no chão e até lembram os atuais carros de Fórmula 1 e os mais conhecidos esportivos da Ferrari e Lamborghini.
Também é possível ver esse tipo de mistura nas pistas: apesar de todas elas serem de locais reais onde realmente existem famosas pistas de corrida (como Miami e Dubai), mas nenhum dos circuitos dessas localidades são parecidos com os reais, contendo traçados totalmente diferentes e, ao mesmo tempo que o asfalto e os guard rails não são muito diferentes do que se vê hoje em pistas de Fórmula 1 ou NASCAR, as placas publicitárias e sinalizadoras de curva são tão reluzentes que parecem tiradas diretamente de um algum jogo da série F-Zero.
Desafio na medida
Mas a melhor coisa de Xenon Racer - principalmente para aqueles que não são fanáticos por carros ou pelo gênero de corrida - é que o jogo está longe de ser um simulador. Então, não precisa se preocupar em tirar carta, ver se tem água no radiador, conferir o nível do óleo e se os pneus estão carecas antes de entrar em uma corrida. Aqui a coisa é toda bem mais arcade: você escolhe seu carro, escolhe sua pista, pisa no acelerador e sai dando cavalinho de pau, cortando todo mundo e batendo de cara no muro na primeira curva fechada (porque, convenhamos, é exatamente isso que todo mundo que não curte muito jogo de corrida e pega um título desses só quando junta os amigos em casa faz).
Essa facilidade para se entrar numa corrida pode também ser vista nos diferentes modos de jogo. O principal deles é o “Xenon Championship Racing”, que seria o modo de campeonato, onde o jogador deverá superar diversas corridas não apenas contra outros adversários, mas também contra o relógio, para alcançar cada um dos checkpoints da pista. Além dele, também é possível jogar sozinho no modo “Fast Race”, onde é possível escolher sua pista, seu carro, condições climáticas e qual tipo de corrida quer participar (corrida livre sem objetivos, contra adversários da IA ou contra o relógio). E, para aqueles que preferem competir contra outros jogadores, também é possível jogar online contra até oito adversários, ou então usar o modo “Split Screen” para competir localmente contra outra pessoa no segundo controle, com a tela se dividindo na horizontal - uma opção que cada vez menos jogos de corrida proporcionam e que faz muita falta para o jogador mais casual.
Mas caso você esteja achando que só porque o jogo é bem estilão arcade ele não possui desafios, lamento te dizer: achou errado! Mesmo no modo mais fácil, as corridas de Xenon Racer são muito desafiadoras e exigem que o jogador mostre uma certa habilidade para terminá-las em primeiro lugar. Isso porque não somente a IA do jogo é relativamente inteligente, com os carros sempre tentando te fechar e te jogar contra a parede para te fazer perder velocidade, mas também o próprio sistema de corrida exige que o jogador aprimore a arte da derrapagem.
Saber derrapar é, tranquilamente, a parte mais importante de toda a jogabilidade do jogo. Ao derrapar nas curvas você não apenas enche a barra de “turbo” do seu veículo (que permite um belo ganho de velocidade ao ser usado) como também mantém a velocidade do veículo e aumenta a potência do automóvel na retomada, o que faz desta uma mecânica totalmente necessária para se ganhar qualquer corrida. Mas, como esse é um jogo que preza pela simplicidade, derrapar aqui não é tão difícil ou punitivo quanto em jogos como Gran Turismo; fazer o carro derrapar nas curvas não só é bem fácil (há três métodos de fazer o veículo começar o ato de derrapar, permitindo ao jogador escolher qual deles é o mais fácil ou confortável para suas habilidades motoras) como é, basicamente, o único modo de se fazer uma curva estável sem precisar quase parar o veículo. Por isso, mesmo carros que não possuem um grande nível de manuseio não são difíceis de estabilizar enquanto estão fazendo uma curva derrapando, o que ajuda a tornar a sensação das corridas ainda mais épica.
Mas também há outra ferramenta para ganhar as corridas: o jogo também permite customizar o carro para garantir uma vantagem nas pistas. As customizações não são assim tão complexas quanto na maioria dos jogos de corrida atuais e lembram aquelas da época dos jogos de Super Nintendo, em que você trocava a roda pra ter mais tração nas curvas, mas diminuía a velocidade. Essas modificações basicamente se resumem a meia dúzia de peças externas (como rodas e aerofólios) que te deixam mexer em algumas características do carro para ter uma vantagem nas corridas (como aumentar a aceleração e o manuseio para pistas com muitas curvas, ou a velocidade máxima para aquelas que possuem retões), mas não há nada do tipo de ajuste fino de motor, suspensão, caixa de câmbio e essas coisas de alguns jogos do gênero que exigem que o jogador tenha feito pelo menos um curso de seis meses de mecânica de autos do Senai para conseguir ter alguma chance de ser competitivo.
Mais completa do que a customização de peças é a customização cosmética dos carros: há uma enorme variedade de cores e estilos de tinta que podem ser aplicados nos veículos, e é possível mudar a cor de tudo, incluindo carroceria, vidro do cockpit e até a parte interna do aro das rodas. Customização básica na mecânica e completa no visual: é isso que a gente quer ver mais em jogos de corrida.
Vale o test drive
Bem diferente dos atuais simuladores de automóveis, Xenon Racer é um jogo de corrida à moda antiga, mas com cara de futurista. Ele oferece um desafio que coloca suas habilidades à prova, mas, ao mesmo tempo, não exige que você tenha em casa um cockpit real para poder apreciá-lo em sua plenitude. Além disso, a opção de dois jogadores com tela dividida é muito interessante para aqueles que gostam de jogar com os amigos, o que torna Xenon Racer um jogo perfeito para aqueles que até gostam de jogos de corrida, mas não têm nenhuma tara específica por carros para dedicar toda sua vida ao estudo deles.
Xenon Racer está disponível para PlayStation 4, Xbox One, Nintendo Switch e PC. No Canaltech, o jogo foi analisado no PlayStation 4 com cópia digital gentilmente cedida pela SOEDESCO.