Reigns: Her Majesty é uma sequência digna, mas com cara de expansão [Análise]

Por Eduardo Hayashi | 07 de Dezembro de 2017 às 12h51

Em 2016, Reigns surgiu no cenário de games indie e se destacou por apresentar um conceito muito diferente e curioso que misturava elementos dos clássicos adventures com uma mecânica apelidada de “swipe 'em up”, em que o jogador precisa tomar decisões por meio do simples comando de deslizar.

Com jogabilidade simples, divertida e repleta de intrigas e momentos marcantes, Reigns bateu recordes de download nas plataformas mobile, o que foi o suficiente para render a sequência Reigns: Her Majesty, que agora passa a oferecer uma nova narrativa, personagens inéditos e alguns elementos novos.

O destino do seu reino em algumas deslizadas

Da mesma forma que no game original, Reigns: Her Majesty também segue com a mesma estrutura de decisões por meio de deslizadas, em um esquema que é amplamente comparado ao aplicativo de encontros Tinder. A diferença é que, em vez de aprovar ou reprovar possíveis pretendentes, o jogador precisa tomar decisões relacionadas ao reino e a todos os seus habitantes, inimigos e aliados.

O que muda nesta sequência é que agora somos colocados no papel de uma poderosa rainha da era medieval, em uma época marcada pelo renascimento cultural e pela presença de inúmeras intrigas entre as principais castas da sociedade. Ao longo de seu reinado, é necessário interagir com membros da Igreja, representantes do povo, líderes de outros reinos e até mesmo alguns personagens inusitados, como piratas, bruxas e animais.

Equilíbrio é a palavra-chave

Resolver os conflitos de interesses do reino e de sua vida pessoal é seu principal objetivo. Para isso, é preciso tomar decisões que equilibrem os quatro aspectos essenciais para que o poder continue nas suas mãos, sendo que cada um deles é representado pelos símbolos de igreja, povo, exército e tesouro.

Caso alguma destas barras seja preenchida ou zerada durante a sua liderança, um evento trágico ocorre e você morre, em cenas um tanto quanto trágicas e bizarramente hilárias. Mas fique tranquilo, morrer não é, necessariamente, uma coisa ruim em Reigns: Her Majesty. Na verdade, isso faz parte da mecânica central do título: fazer com que você assuma uma sucessão de reinados para cumprir objetivos e destravar novos sets de cards, que por sua vez ampliam as possibilidades de escolhas dentro do jogo.

Como já foi dito, a jogabilidade consiste em deslizar cards para os lados. Cada uma das decisões afeta as diferentes esferas do poder. Para auxiliar o jogador, o game mostra quais status serão afetados antes que a decisão seja tomada, porém sem especificar se tais respostas terão um impacto negativo ou positivo.

A presença das diferentes esferas de influência no game torna a dinâmica de jogo muito interessante, mas ela também acaba se tornando frustrante em alguns momentos em que é praticamente impossível prever o resultado de suas respostas.

Vasculhado o reino em busca de segredos

Boa parte da graça de Reigns: Her Majesty está na descoberta de elementos de narrativa e cards de personagens novos que podem ser desbloqueados por meio de decisões específicas ou sucessos em missões secundárias. E tudo isso gira em torno de uma mecânica que valoriza a repetição. Sim, para descobrir os segredos do game, você terá que cometer inúmeros erros e prestar muita atenção em todas as informações que são exibidas pelas conversas em texto até que certos enigmas e puzzles sejam resolvidos.

Nesta sequência, somos introduzidos ao novo sistema de utilização de itens. Com esta novidade, agora podemos receber itens de alguns personagens e utilizar cada um deles de uma forma específica para desbloquear novas possibilidades de exploração e interação. Todos os objetos que você adquirir ao longo dos seus ciclos são transferidos para a próxima rainha no comando, abrindo a possibilidade de novas interações.

Da mesma forma que no título original, Reigns: Her Majesty conta com alguns minigames específicos de exploração e combate, que agora se fazem presente através de duelos e exploração de dungeons. Trata-se de um elemento interessante e que proporciona muitas situações diferentes, mas que não chega como uma grande adição para os que já conhecem o primeiro game.

Irreverente e minimalista

Apesar de parecer que Reigns: Her Majesty trata o seu enredo com extrema seriedade, apenas alguns minutos de jogo são suficientes para perceber que ele quebra a “quarta parede” sem nenhuma reserva, seja por meio de informações curiosas, piadinhas inteligentes que dialogam com muito do que é discutido na atualidade ou até mesmo através de questionamentos dos personagens se o que está acontecendo não passa de um game.

Ao mesmo tempo, o jogo não perde oportunidade para abordar questões morais e éticas em momentos em que é necessário agir como um juiz e ordenar a pena de morte de pessoas ou até mesmo em casos em que membros de religiões pagãs não se alinham com os preceitos da Igreja conservadora. E você precisa apenas dar a sua ordem para que as coisas aconteçam.

Uma das principais marcas registradas de Reigns, e que também está presente nesta sequência, é a arte visual minimalista. Embora para alguns jogadores isso pareça um estilo genérico de jogos indies, aqui ela consegue transmitir cada situação e momento importante do game com todo o minimalismo necessário.

Não posso deixar de comentar também sobre as músicas de Reigns: Her Majesty, que, mesmo sem uma grande variedade de ritmos, consegue emplacar muito bem com todo o clima misterioso e conflituoso da era medieval.

Veredito

Se você espera que Reigns: Her Majesty seja um grande salto em relação ao game original, sinto lhe informar: ele mantém toda a estrutura de Reigns, diferenciando-se apenas por apresentar uma história inédita com alguns elementos adicionais, podendo ser facilmente confundido com uma espécie de DLC ou expansão - mesmo sendo vendido como um game separado.

Entretanto, para aqueles que gostaram da proposta diferenciada, que consegue flertar muito bem com os consagrados adventures, focados na narrativa e com uma jogabilidade simples e cheia de segredos para desvendar, trata-se de uma boa pedida.

Para concluir, a minha principal recomendação é que, se você se interessou pelo game, compre a versão mobile de Reigns: Her Majesty, considerando o fato de que o sistema de deslizar combina muito com a tela sensível ao toque dos smartphones e que o tipo de jogabilidade cíclica, e até um pouco casual, não é o tipo de experiência ideal para jogar em frente ao monitor do PC.

Reigns: Her Majesty está disponível para PC (via Steam) e dispositivos móveis Android e iOS. No Canaltech, ele foi analisado no PC com cópia digital gentilmente cedida pela Devolver Digital.

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