Análise | Genital Jousting traz prazer efêmero para curtir em grupo ( ͡° ͜ʖ ͡°)

Por Eduardo Hayashi | 26 de Janeiro de 2018 às 13h13

Ao recordarmos de jogos com abordagens pouco convencionais, categoria predominantemente dominada por games nipônicos, não é difícil chegar à conclusão de que elementos bizarros não são fatores de exclusão para que games sejam considerados bons e genuinamente divertidos. Isso ocorre em títulos como WarioWare, com suas fases malucas e inusitadas, e na franquia Katamari, na qual a proposta principal é grudar objetos em uma esfera.

Ao considerarmos esse pensamento, e o fato de que muitas pessoas defendem a questão de que games também são uma forma de expressão artística, qualquer temática pode ser desenvolvida no mundo digital interativo, desde que o propósito do entretenimento seja minimamente alcançado. E é neste ponto em que chegamos no game indie de humor que é estrelado por seres fálicos: Genital Jousting.

Desenvolvido pela Free Lives, de Broforce, e publicado pela Devolver Digital, o game estava disponível em acesso antecipado no Steam desde 2016, e agora finalmente foi lançado oficialmente.

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Protagonizado por nada mais nada menos que personagens com formato de pênis, dotados também de testículos e cavidade anal, o game possui uma abordagem que pode ser tanto interpretada como uma piada absurda com o único propósito de fazer rir quanto como uma forma de satirização da forma como nós encaramos a sexualidade.

Em suma, Genital Jousting trata-se de um party game, ou seja, ideal para aquelas ocasiões em que você reúne um grupo de amigos em uma festa ou até mesmo a família (desde que as crianças não estejam na sala). A jogabilidade traz uma experiência que se assemelha com Mount Your Friends e Gang Beasts, abusando da simulação de física para criar momentos hilários de puro caos.

Cinco contra um

Embora o foco seja o multiplayer, há também um modo para apenas um jogador, em que você acompanhará a história de um simpático “pimpolho” chamado John, funcionando como um tutorial de introdução (sem nenhum duplo sentido) aos conceitos básicos de controles.

Durante toda a campanha, a história de John é contada por meio de objetivos simples do cotidiano do personagem, que está em busca de autoafirmação enquanto se prepara para a grande reunião de ex-alunos do ensino médio. Os objetivos vão desde coisas simples como lavar pratos a “momentos únicos” em que é necessário testar dildos em seu horário de serviço.

Com duração média de pouco menos de uma hora, a campanha é conduzida em uma espécie de walking simulator, na qual a narrativa se molda de acordo com as suas decisões e movimentos, resultando em uma breve experiência que mistura o humor nonsense com alguns momentos criativos em que o game traz reflexões de vida e até mesmo brinca com a forma como os games funcionam, remetendo muito ao inteligente game The Stanley Parable.

O que temos é complemento da experiência principal, que consegue trazer um pouco mais de personalidade ao jogo  ao mesmo tempo em que ele apresenta algumas mecânicas novas que não estão presentes no multiplayer, mas que obviamente não justificam em si a aquisição do game.

Como um amor de verão

Saindo das preliminares desta análise, chegamos à parte que realmente interessa: o modo multiplayer. Com opções para partidas offline e online, existem três modalidades diferentes de desafios: Tradicional, Party e Date Night.

Na “Tradicional”, é necessário encarar diversas rodadas de partidas para tentar penetrar os seus adversários das mais diversas formas. O “Party” oferece uma série de minigames, cada um com um objetivo diferente. Esses dois primeiros modos podem ser jogados em até 8 pessoas. Já o "Date Night", disponível apenas para duas pessoas, traz fases cooperativas.

Todas as opções de modos para jogar em grupo funcionam como esperado: são, de forma geral, muito divertidos, reservando momentos de gargalhadas com situações absurdas e cheias de conotação sexual, algo que funciona perfeitamente em conjunto com uma jogabilidade de fácil assimilação.

No entanto, basta algumas horas de jogatina para ter a sensação de que Genital Jousting não se sustenta muito bem, mesmo quando estamos falando do multiplayer, que é exatamente onde o jogo deveria mostrar todo o seu vigor.

Há elementos que tentam esticar um pouco o gameplay, como as opções desbloqueáveis de roupas e grande número de desafios no modo Party, mas, no final das contas, eles não o este calcanhar de Aquiles do jogo.

Veredito

Para julgar Genital Jousting de uma forma justa, é necessário deixar um pouco de lado a temática e nos atermos mais nele como uma obra de entretenimento — até porque a aceitação das piadas cheias de conotações sexuais depende muito de um ponto de vista totalmente subjetivo.

Estabelecendo este critério, o game faz um bom trabalho em oferecer controles minimalistas e uma simulação de física boa o suficiente para conduzir todos os modos de jogo disponíveis, o que resulta em partidas muito imprevisíveis e realmente divertidas.

Em contrapartida, o modo história é muito curto e todas as variações e desafios não são suficientes para manter os jogadores motivados a experimentar cada uma das modalidades mais do que uma ou duas vezes.

Apesar de contar com o fator replay muito fraco, se levarmos em conta o gênero no qual o game se enquadra, e o seu preço acessível de R$ 14,49, podemos resumir esta análise com uma definição um tanto quanto óbvia, mas pertinente: Genital Jousting é uma boa recomendação de prazer efêmero para curtir em grupo.

Genital Jousting foi analisado com cópia gentilmente cedida ao Canaltech pela Devolver Digital

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