Análise | DMC5 é uma Delícia Muito Crocante mais do que nunca

Por Jessica Pinheiro | 06 de Março de 2019 às 13h00

Se tem algo que a Capcom está e muito, é de parabéns. Depois de Resident Evil 2 ter sido um baita sucesso de vendas e de crítica, Devil May Cry 5 vem logo na sequência e continua pegando rabeira no êxito, mas do seu próprio jeito: com manobras radicais e com muito estilo, agradando os jogadores de primeira viagem e especialmente os fãs.

O quinto título da franquia principal reúne gameplay variado e completo, gráficos inacreditavelmente bonitos, trilha sonora marcante e empolgante, personagens carismáticos e cativantes e uma trama mais intimista e concisa — com uma narrativa muito interessante e divertida, repleta de idas e vindas, mas que fecha seu círculo.

Aqui, Nero, um dos protagonistas, se junta a Dante e V, um misterioso homem que contrata os serviços da agência Devil May Cry para que todos os caçadores de demônios detenham Urizen, que está infestando a cidade Red Grave com criaturas infernais e com sua árvore macabra que suga sangue de humanos.

A premissa é básica, mas a partir daí, muita coisa (muita mesmo) se desenrola. Contudo, não se preocupe: este review não contém spoilers.

Hora do show

Começando pelas mecânicas: o título apresenta ao jogador dois modos de jogo: um para iniciantes que nunca colocaram as mãos em um Devil May Cry antes, quase como um “Easy”; e outro para veteranos da série, o equivalente a uma dificuldade “Padrão”. Independentemente da escolha, DMC5 está delicioso de jogar.

Quem for novato nesta aventura demoníaca aprenderá dentro de pouquíssimo tempo como a jogabilidade funciona e quem já tiver colocado as mãos em outros games da franquia vai se familiarizar ainda mais rapidamente. Tudo está lá, só que aprimorado: os combos frenéticos combinados com ataques a distância e até mesmo as transformações demoníacas.

(Imagem: Jessica Pinheiro/Canaltech)

O ranking de estilo continua subindo conforme o jogador combina mais técnicas e mais estilos de combate, utilizando tudo a seu favor (incluindo a esquiva, que conta muito); e quanto mais alto se chegar na “pontuação”, mais alta fica a música de combate, já que os temas de batalha são dinâmicos e, com esse recurso, ajudam a tornar as lutas mais emocionantes.

São três personagens jogáveis: Nero, V e Dante, e cada um deles possui mecânicas e técnicas próprias, tornando Devil May Cry 5 em um dos games de 2019 com maior variedade e mais dinamismo (além de comandos bem responsivos) em termos de jogabilidade. E mesmo que pareça muito, acredite: os jogadores terão tempo o bastante para desfrutar de cada um dos protagonistas porque eles brilham muito em vários aspectos e dividem absolutamente bem o tempo de tela e importância.

Estilo e fineza

Devil May Cry 5 é um jogo definitivamente feito para os fãs, pois engloba tudo — eu disse tudo — que a franquia já apresentou. Até os personagens do anime são citados. O cuidado com a trama e toda a mitologia e os acontecimentos mais importantes da saga foram todos levados em conta e estão presentes de uma forma ou de outra. Nada foi deixado de lado.

(Imagem: Jessica Pinheiro/Canaltech)

A Capcom inclusive tomou muito cuidado para inteirar quem não conhece a franquia e, logo no menu inicial, a mesma tática que vimos em Kingdom Hearts III é trazida até aqui também: há um vídeo resumindo muito bem a história de todos os jogos da série em ordem cronológica e, ao longo da aventura, existem diálogos e referências a acontecimentos do passado; tudo para manter o jogador a par do que está havendo (o que é louvável).

Dito tudo isso, temos uma narrativa cheia de idas e vindas ao melhor estilo Quentin Tarantino, com uma linha do tempo cheia de flashforwards e flashbacks. Entretanto, por incrível que pareça, a história não é nada confusa de acompanhar ou compreender, ainda mais porque, ao longo das missões, as telas de loading entre os capítulos mostram a timeline, com data e horário para que ninguém se perca.

E os personagens, até mesmo os novos Nico, V e seus familiares (o Grifo, a Sombra e Pesadelo), são muito carismáticos e possuem a devida importância e tempo de tela para brilhar sob os holofotes. Ninguém aparece nesta jornada por acaso — muito embora, pessoalmente, eu esperasse um pouco mais do lado feminino do elenco; ainda mais considerando o dia em que o jogo está sendo lançado, mas não vamos entrar nesse mérito.

(Imagem: Jessica Pinheiro/Canaltech)

Outro aspecto que vale ser ressaltado é como a história irá, certamente, agradar os fãs antigos da série com eventos e reviravoltas emocionantes. Sirva-se à vontade no buffet do fanservice, pois é de graça e está absolutamente delicioso.

Selvagem, estiloso, sensacional!

Não é nem preciso dizer muito sobre os gráficos, afinal, a RE Engine já diz muito. Tudo foi feito com processo de fotogrametria, então os rostos e expressões dos personagens beiram o nirvana de tão bonitos (e realistas) que estão durante as cutscenes. Inclusive, vale assistir aos vídeos liberados na Galeria com as filmagens com atores reais, pois além de engraçadas elas aumentam ainda mais a magia por trás da produção.

A dublagem, tanto em inglês quanto em japonês, está excelente, com várias vozes conhecidas e queridas do meio; e a localização em português brasileiro merece elogios também. A trilha sonora, como já comentado, está primorosa: empolga e emociona, causando imersão quando precisa — especialmente os temas de combate. É impossível não ficar cantarolando Devil Trigger após algum tempo.

Além disso, a dificuldade também está bem de acordo: vai subindo conforme se avança nas missões (incluindo as missões secretas, que estão de volta), mas não é nada no nível de arrancar os cabelos. A prática — e o acúmulo de Orbes Vermelhos para comprar as habilidades dos personagens — leva à perfeição.

O veredito, portanto, não poderia ser outro: Devil May Cry 5 entrega TUDO aquilo que os produtores prometeram em entrevistas: uma histórias mais pessoal, jogabilidade aprimorada, elementos e referências a outros materiais multimídia da franquia (anime, mangá, livro, etc), gráficos realistas, humor ácido, combates estilosos e tudo o mais que os outros jogos já trouxeram, só que melhor.

Tudo isso para agradar os fãs da série, principalmente, mas sem deixar os novatos de fora desta que é, até o momento, a melhor experiência da franquia dos caçadores de demônios. E o único spoiler que deixaremos nesta análise é este: parabéns, Capcom, você conseguiu. E eu já estou na espera por um Devil May Cry 6.

Devil May Cry 5 tem lançamento marcado para o dia 8 de março de 2019 no PC, PlayStation 4 e Xbox One. No Canaltech, o jogo foi analisado no PS4 com cópia gentilmente cedida pela Capcom.

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