Análise | Dark Souls: Remastered vai te matar em alta resolução e 60 FPS

Faz quase 7 anos que Dark Souls foi lançado e redefiniu toda uma geração de jogos que estavam mais preocupados em mostrar gráficos realistas ao invés de fazer com que o jogador realmente assumisse o controle.

Com jogabilidade moldada ao longo de quase dois anos pelo fenômeno de Demon's Souls, tido como seu “antecessor espiritual”, Dark Souls chegou para estabelecer a fórmula que serviu de base para grande parte dos games que hoje em dia insistimos em apelidar de “jogos no estilo Dark Souls”.

Após render as sequências Dark Souls 2 e Dark Souls 3, isso sem levar em conta as diversas versões com DLCs das respectivas iterações da franquia, e de ser crucial para o surgimento de novas propriedades intelectuais de grande sucesso, como Bloodborne, da própria From Software, nos deparamos, finalmente com uma revitalização do primeiro game da série em Dark Souls: Remastered, título que falaremos nesta análise.

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O “fenômeno Dark Souls”

Se você nunca teve nenhum contato direto com nenhum jogo ou até mesmo com os títulos que utilizam como base a série Dark Souls, é importante saber que o game possui como principais alicerces a sua dificuldade elevada, o sistema de progressão de níveis por meio da coleta de almas e narrativa emergente, que quase nunca é transmitida em sua plenitude apenas com a simples exploração do cenário e diálogos com personagens.

Esses elementos, somados a um design de níveis muito próximo do que podemos chamar de impecável, trazem uma experiência extremamente viciante e desafiadora, que incentiva a exploração ao máximo e que exige o domínio de todas as mecânicas abordadas em seus tutoriais iniciais. Neles, constantemente somos desafiados a ir mais longe e a investir os pontos de alma com muita cautela antes de encararmos a próxima área ou o próximo chefe.

Dark Souls também faz um ótimo trabalho ao distribuir estrategicamente cada tipo de inimigo ao longo dos seus diversos cenários e ao interligar as mais diversas seções do decadente Reino de Lordran. O conceito de backtracking em nada fica devendo aos clássicos do gênero Metroidvania, que geralmente recompensa os jogadores que investem um pouco mais de tempo na exploração, seja por meio de áreas secretas que revelam atalhos e através de baús que escondem armas e equipamentos mais poderosos.

Estabelecendo tais componentes como a espinha dorsal do que é o renomado game da From Software, não fica muito difícil concluir que estamos falando de um tipo de game que não é recomendado para perfis de jogadores de todos os tipos, mas sim para um público que abraça o desafio intenso e todos os outros detalhes da franquia que fazem dela uma das mais intensas em termos de dificuldade.

Afinal, o que há de novo?

De forma bem resumida, e considerando apenas os aspectos de jogabilidade, Dark Souls: Remastered é quase o mesmo game de 2011, oferecendo os mesmos inimigos, chefes, tipos de classes, equipamentos e armas. Isso também se aplica aos menus e interfaces do título, que seguem sem nenhum ar de novidade. Porém, essa ressalva não é um ponto negativo, afinal de contas estamos falando de uma remasterização e não de um remake. Assim como a edição Prepare To Die, a remasterização também vem com todos os conteúdos do DLC Artorias of the Abyss.

As diferenças mais significativas, e que impressionam com o resultado obtido, são em aspectos gráficos e de performance. O trabalho de atualização visual consegue manter toda a personalidade única da ambientação de Dark Souls com um nível de detalhe superior que fará com que muitos fãs da série se animem para encarar a árdua jornada pelos cenários decadentes e medievais do jogo.

De forma mais direta, todo esse capricho pode ser notado nas construções, que estão muito bem representadas com texturas mais realistas; na renderização de efeitos especiais como fumaças, efeitos de fogo (sim, temos fogueiras mais realistas) e conjurações mágicas; e também no sistema de iluminação mais dinâmica e fluída.

Em contrapartida, não há como ignorar algumas “mancadas técnicas”, que não se fazem presentes em todos os cenários, mas sim em trechos pontuais do game. Nesse caso, é possível notar modelos 3D com formas primitivas e uma simulação de reflexão da luz muitas vezes exagerada, fazendo com que alguns elementos do ambiente ganhem um aspecto estranho de plástico.

Em termos de partidas multiplayer, que promovem tanto combates entre jogadores ou em convocações de outros guerreiros em modo cooperativo, Dark Souls Remastered também apresenta algumas vantagens em relação às edições anteriores, contando com servidores dedicados para cada console, número máximo de jogadores por sessão aumentado de 4 para 6, e sistema de pareamento de acordo com o nível do host e possibilidade de restringir o acesso a lobbys com requisitos específicos.

Desempenho superior faz toda a diferença

Já em termos de performance, só temos boas notícias para dar: não importa se você está jogando no PS4/Xbox One, ou em suas variantes mais poderosas PS4 Pro/Xbox One X, pois o jogo vai rodar a sólidos 60 quadros por segundo. Trata-se de uma melhoria considerável que não só garante a estabilidade de desempenho como também é crucial para um game que exige reflexos rápidos e precisos reagir aos ataques e investidas dos inimigos e chefes sedentos por sangue.

Veredito

Dark Souls: Remastered vale a pena? Definitivamente, sim! Se você tem dúvida se o game ainda é relevante ou interessante para ser jogado na atual geração de consoles, fique tranquilo, pois aqui temos uma estrutura sólida que nem mesmo o tempo foi capaz de estragar. Reviver toda a emoção dos combates intensos, evoluir o personagem em diferentes tipos de atributos e enfrentar chefes “apelões” até ficar maluco com a dificuldade elevadíssima do game ainda é extremamente satisfatório, provando apenas que a influência de Dark Souls sobre diversos jogos e franquias não é apenas uma mera questão de sorte ou coincidência.

Destaco como dois pontos fortes da remasterização a performance, que consegue melhorar ainda mais a dinâmica do jogo; e as diversas melhorias gráficas, ainda que com algumas ressalvas, pois realmente atualizam o game de forma convincente para aqueles que precisam de uma boa justificativa para revisitar o clássico ou para conhecer a franquia pela primeira vez.

O único detalhe que não é tão agradável é o preço do game aqui no Brasil: ele custa R$ 180 no Playstation 4 e Xbox One, enquanto pode ser encontrado por R$ 129 no PC (Steam), um valor um pouco mais convincente, mas longe de ser o ideal para uma remasterização. Entretanto, se você estiver em condições de colocar a mão na carteira e gosta de games no “estilo Souls”, Dark Souls: Remastered é uma aquisição altamente recomendada.

* No Canaltech, Dark Souls: Remastered foi analisado no PlayStation 4 com cópia gentilmente cedida pela Bandai Namco

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