Análise | Crash Team Racing Nitro-Fueled é uma aula de rejuvenescimento sadio

Por Rafael Rodrigues da Silva | 26 de Junho de 2019 às 13h57
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Os últimos anos da década de 2010 têm sido marcados por um retorno aos sucessos de 1990 em todo o cenário cultural. Filmes, livros, filmes, séries e até brinquedos que fizeram sucesso 20 anos atrás estão retornando com força renovada muito por conta de um cenário econômico e político mundial em que boa parte dos jovens adultos se veem sem muitas perspectivas de futuro e estão cada vez mais buscando elementos da infância como forma de relembrar momentos mais simples e felizes da vida.

Muitas vezes, esse “renascimento” de sucesso dos anos 90 não passa de uma tática “caça níquel” de empresas buscando dinheiro sem precisar fazer muito esforço para criar e vender algo novo, mas há casos em que esse retorno não apenas serve para agradar os fãs de algo que fez sucesso quase 30 anos atrás, mas consegue manter o espírito do original enquanto traz melhorias significativas que o tornam um produto relevante até mesmo para os padrões atuais. E é esse o caso de Crash Team Racing Nitro-Fueled.

Mais do mesmo, só que melhor

Desenvolvido pela Beenox (que, recentemente, havia trabalhado no remaster de Call of Duty Modern Warfare, lançado em 2016), CTR Nitro-Fueled segue a mesma filosofia de Crash Bandicoot Remastered: oferecer a mesma experiência que os jogadores dos anos 90 já conhecem e amam, mas com melhorias que atualizam esses jogos e os colocam em pé de igualdade para competir com qualquer lançamento mais recente. Ou seja: mais do mesmo, só que melhor.

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CTR Nitro Fueled mantém as mesmas mecânicas que tornaram o Crash Team Racing original um jogo único (Captura: Rafael Rodrigues/Canaltech)

Em sua essência, CTR Nitro-Fueled é o mesmo Crash Team Racing original, lançado em 1999. Nitro-Fueled mantém os mesmos elementos que faziam com que o primeiro CTR fosse considerado uma evolução ao gênero inaugurado por Mario Kart e não apenas um clone dele. Isso porque, apesar de ser um jogo de kart com personagens da franquia Crash Bandicoot — o que por si só já mostra uma grande influência do Mario Kart da Nintendo —, CTR manteve em seu gameplay diversos elementos que são intrínsecos às aventuras do marsupial antropomorfizado.

A característica mais marcante está em manter a mesma estrutura da seleção de fases dos jogos da franquia: depois de escolher o personagem que irá utilizar, o jogador é jogado dentro de um mapa por onde deverá navegar (ou melhor, dirigir) até os portais que servem de acesso para as pistas de corridas. A estrutura de avanço no jogo de kart do Crash é igual à dos jogos de plataforma do personagem: o jogador deve entrar nos portais, passar as fases (no caso, terminar a corrida em primeiro lugar) e, depois de completar um certo número de corridas, ganhar uma chave que dá acesso a uma corrida contra o chefe daquela sessão do mapa. Ganhando a corrida, é desbloqueada não apenas uma nova sessão do mapa — onde todo o processo de ganhar corridas para enfrentar um novo chefe deve ser repetido — como também desbloqueia o vilão que acabou de derrotar como um personagem jogável.

Outro ponto que faz das corridas de CTR únicas — e que também é uma característica dos jogos de plataforma que foram levadas para o título — é o incentivo para se completar a mesma corrida mais de uma vez no modo história. Caso queira completar 100% do jogo, o jogador deverá refazer as mesmas corridas mais vezes para coletar moedas CTR e troféus de Ankh, que podem ser usados para desbloquear novos personagens, carros e peças de customização. Esses elementos só poderão ser coletados após correr novamente em corridas que já foram concluídas pelo menos uma vez em primeiro lugar e, com uma dificuldade ligeiramente maior, terminar novamente em primeiro lugar.

Houve uma melhoria significativa na qualidade gráfica do jogo, e as cenas CG inseridas no modo Aventura deixam isso bem claro (Captura: Rafael Rodrigues/Canaltech)

Outro diferencial de CTR é o fato de haver uma “história”, ou seja, um motivo pelo qual os personagens estão apostando corridas de kart. Tudo começa quando o alien Nitrous Oxide, que se proclama o piloto de kart mais veloz do universo, quer invadir a Terra para destruir tudo o que existe por aqui e transformar o planeta em um enorme estacionamento. Crash e seus amigos o desafiam para uma corrida de kart, e, se eles vencerem, o alienígena deverá abandonar seus planos de infraestrutura galáctica.

Há ainda a manutenção de uma mecânica que sempre tornou CTR muito mais complexo do que os outros jogos de kart da época: o sistema de nitro. Ao contrário do que costuma acontecer em jogos de corrida “casuais”, em que o nitro do carro é uma barrinha que se carrega durante a corrida, o nitro de CTR é algo meio “escondido” e que muitos jogadores acabam nem sabendo que existe se não prestam atenção nas instruções do jogo.

Isso porque não há nenhuma “barra” que indica a existência desse boost de velocidade ou nenhum botão de acionamento; o nitro de CTR é carregado a cada vez que o personagem pula um obstáculo ou derrapa em uma curva, e é acionado sempre que uma certa quantidade de pulos e derrapagens é conseguida — e a dica visual é apenas um leve brilho no escapamento do carro que pode passar despercebido pelos motoristas mais desatentos. Assim, Nitro-Fueled mantém essa complexa mecânica de nitro que é muito própria da franquia, e por isso continua sendo um dos jogos de kart mais complexos de se dominar.

Melhorias significativas

CTR Nitro-Fueled oferece uma série de opções de customização do kart, permitindo que os jogadores criem carrinhos no estilo que preferirem (Captura: Rafael Rodrigues/Canaltech)

Mas claro, como bom remake que é, Crash Team Racing Nitro-Fueled traz diversas mudanças em relação ao jogo original. A principal delas, e que fica mais evidente, são os gráficos: CTR Nitro-Fueled é simplesmente lindo! E não apenas comparado ao jogo original, mas também a outros jogos de kart dos consoles atuais.

O time da Beenox fez um ótimo trabalho em atualizar os gráficos do título original, mantendo a mesma ideia de traçado, mas tornando-o algo tão bonito que parece que o jogo foi algo criado realmente para a atual geração de consoles e não uma reimaginação de um jogo lançado duas décadas atrás. Mas, se você tem um grande apelo emocional pelo primeiro jogo e preferiria que a empresa tivesse mantido os gráficos poligonais do original, também não tem problema: o sistema de customização de Nitro-Fueled permite aos jogadores utilizarem personagens e até mesmo pistas inteiras que são exatamente iguais aos gráficos do jogo original, apenas feitos em uma resolução maior para não parecerem “estourados” ao serem enviados para as TVs atuais.

Outra mudança bem fácil de notar é a adição de dezenas de opções de personalização para cada personagem: é possível não apenas customizar os karts em si (escolhendo coisas como cor, tipo da roda e formato do carrinho) como também os próprios personagens, já que cada um deles possui várias skins que permitem deixá-los bem diferentes entre si. Você pode conseguir novas skins e personagens ganhando corridas no modo história ou então utilizando o Pit Stop — uma loja que vende esses elementos. E essa loja é outro ponto bem legal do jogo, pois a Beenox tinha tudo para transformar isso em uma fonte de renda paralela com microtransações, mas preferiu não usar essa tática, e todos os itens vendidos ali são comprados apenas com dinheiro obtido jogando, não existindo a possibilidade de compra com dinheiro real.

Para aqueles saudosistas do jogo original, CTR Nitro Fueled oferece algumas pistas com os mesmos gráficos poligonais do CTR de 1999 (Captura: Rafael Rodrigues/Canaltech)

Opções de personalização também não faltam: além dos personagens e pistas remanescentes do Crash Team Racing original — incluindo o alien Nitrous Oxide, que pela primeira vez se torna uma personagem jogável desbloqueável —, Nitro-Fueled também possui todas as pistas e personagens que eram exclusivos de Crash Nitro Kart (lançado para todos os consoles da época do PlayStation 2) e Crash Tag Team Racing (também da mesma época).

Além disso, a Beenox utiliza o modo multiplayer do jogo para introduzir novidades sazonais no game — parecido com o que acontece em battle royales como Fortnite e PUBG. A equipe promete que o jogo terá alguns eventos especiais exclusivos para o modo multiplayer, que adicionarão novas pistas e elementos de customização. Ao ganhar as corridas deste evento os jogadores receberão Nitro Points, e, ao conseguir uma certa quantia desses pontos, eles conseguirão desbloquear novos personagens e itens de customização especiais desses eventos. Caso não consigam a quantidade necessária, todos eles ficarão disponíveis para compra no Pit Stop.

O jogo também traz algumas mudanças legais para o modo Aventura (a “campanha” de Nitro-Fueled), permitindo que, antes de começar a aventura, o jogador escolha se quer jogar do modo “clássico” (não podendo mudar de personagem durante a campanha e sem opções de customizar o kart) ou do modo “nitro-fueled” (que permite trocar de personagem e customizar seu kart a qualquer momento da aventura). Além disso, pela primeira vez na franquia o personagem Nitrous Oxide se torna jogável após ser derrotado no final da campanha, dando um motivo a mais para que os jogadores se esforcem para finalizar o modo principal.

Nostalgia nota 10

As melhorias tornam CTR Nitro Fueled um dos melhores remakes já lançados este ano (Captura: Rafael Rodrigues/Canaltech)

Ainda que não tenha a mesma complexidade de jogos de corrida mais recentes e ainda seja um claro jogo da década de 1990, Crash Team Racing Nitro-Fueled é um exemplo do bom uso da nostalgia, pois mantém a mesma essência do título original ao mesmo tempo que o atualiza para o mundo dos videogames de 2019. E ainda que ele não tenha tantas opções de jogo como um Mario Kart 8, por exemplo, tenha absoluta certeza que Nitro-Fueled não deixa nada a desejar naquilo que se propõe e é não apenas um dos melhores remakes de jogos dos anos 90 como também facilmente o melhor jogo de corrida de kart para videogames que não são da Nintendo.

Crash Team Racing Nitro-Fueled está disponível para PlayStation 4, Switch e Xbox One. No Canaltech o jogo foi testado no PS4 utilizando uma cópia cedida gentilmente pela Activision.

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