Análise | De volta ao paraíso da destruição em Burnout Paradise Remastered

Em meados de 2005, a série de games Burnout chegava a seu quarto título da franquia principal, sendo recebido com braços abertos pelos fãs da série e pela crítica. Entretanto, aquela também foi uma época em que as características peculiarmente explosivas e caóticas dos jogos começavam a mostrar sinais de cansaço.

Para evitar uma saturação completa de uma fórmula muito bem estabelecida, a Criterion, criadora e desenvolvedora de Burnout, decidiu que era a hora de explorar novos ares com uma nova iteração que realmente apresentasse algo novo para evitar que toda a glória das corridas alucinantes e explosivas perdesse força. Então, em 2008, foi lançado o 5º game da franquia: Burnout Paradise.

Trazendo o conceito de mundo aberto pela primeira vez, Burnout Paradise surpreendeu ao abandonar a estrutura de jogo de seleção de fases e desafios em um menu para transportar o jogador para um amplo universo a ser desbravado na cidade de Paradise, em uma mecânica que se inspirou diretamente em elementos que já vimos em Need For Speed: Underground, mas sem abandonar o charme explosivo e frenético dos games anteriores.

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Agora, Burnout Paradise Remastered retorna depois de 10 anos do game original, em uma espécie de edição definitiva com gráficos melhorados para Playstation 4 e Xbox One, e com visuais em 4K para o PS4 Pro e o Xbox One X. Mas será que um game aos moldes dos jogos de corrida arcade ainda sobrevive bem na geração atual? Falaremos exatamente sobre isso nesta análise.

Explorando as belezas de Paradise City

Para quem apenas acompanhou os games anteriores da série, a sensação é a de estar jogando um título diferente. Não que isso seja ruim, pois agora podemos pisar no acelerador e conhecer todos os arredores da fictícia Paradise City, escolher a missão que desejarmos ou simplesmente sair por aí para explorar cada detalhe da bela ambientação do game.

Essa falta de familiaridade aos poucos vai sumindo à medida em que somos introduzidos aos eventos espalhados pelo mapa, missões sinalizadas por círculos de diferentes cores, com objetivos que incluem derrubar carros inimigos (Road Rage), fugir das investidas dos oponentes até um ponto específico do mapa (Marked Man), chegar a um ponto do mapa com um limite de tempo (Burning Route) e, como não poderia faltar, as corridas com até oito participantes, com os famosos “takedowns”.

O interessante é que, mesmo em missões de corridas tradicionais, o jogador pode traçar seus próprios caminhos, aproveitando o conceito de mundo aberto nos rachas, em uma experiência que vai muito além de atalhos espalhados pelo cenário e de rotas predeterminadas. Isso é algo que pode ser visto como um ponto negativo, principalmente quando nos deparamos com numerosas ruas e curvas; porém, tal característica também acaba recompensando os pilotos mais dedicados que tiverem disposição para decorar os variados caminhos de Paradise City, dando mais vantagem para quem realmente entrar de cabeça no game.

Como se tornar o motorista mais insano de todos

Gosta de games de carro com modo campanha, personagens e história? Então Burnout Paradise Remastered provavelmente não é uma boa recomendação de jogo para você. Como em qualquer outro game da série, não há nenhum enredo para justificar o desenfreado combate de veículos e as manobras que fariam qualquer motorista civilizado perder todos os pontos da carteira.

Tendo isso em mente, não é difícil concluir que o objetivo do jogo é simples e direto: cumpra um número determinado de eventos e avance a categoria de sua licença para desbloquear novas missões e oportunidades de liberar automóveis.

Os carros novos do game são destravados após vencer qualquer um dos eventos e ao avançar a categoria de sua licença. Em boa parte dos casos, o veículo não é habilitado logo de cara, exigindo que o jogador aguarde o novo modelo aparecer no mapa para então ter a oportunidade de capotá-lo. Feito isso, o carro será levado ao ferro-velho e estará disponível para seleção.

Além dos eventos, aqueles que gostam de caçar conquistas também podem passar um bom tempo quebrando outdoors, cercas sinalizadas e realizando saltos acrobáticos em locais escondidos por toda a cidade. Há também alguns modos online que podem aumentar consideravelmente as horas de jogo em missões cooperativas e competitivas.

No fim das contas, a variedade de missões e pontos de interesse disponíveis em todo o mapa são suficientes para entreter quem gosta do estilo descompromissado de Burnout, isso sem contar os desafios adicionais que aparecem sempre entre um evento e outro. Em contrapartida, depois de algumas horas de jogo, não é muito difícil ter a sensação de que estamos em percursos ou desafios similares e que falta mais alguma coisa para prender a atenção do jogador.

Visual renovado, mas com os defeitos do original

No que diz respeito ao trabalho de visual de revitalização do game, os upgrades gráficos são muito perceptíveis, principalmente para aqueles que possuem PS4 Pro ou Xbox One X, com o novo suporte a resolução 4K.

Pisar no acelerador e conferir os detalhes de texturas e iluminação realmente fazem com que a experiência seja atualizada para os consoles atuais, embora ainda seja muito evidente que o game não pode ser colocado lado a lado com outros mais recentes de corrida. E isso também beneficia todo o clima cinematográfico do jogo, tornando os “takedowns” ainda mais emocionantes, em cenas deliciosamente torturantes em que podemos conferir os belos veículos se deformando na parede ou em outros objetos do cenário.

Se houve certo cuidado na parte gráfica, o mesmo esmero não está presente na jogabilidade. Ok, sabemos que estamos falando de uma remasterização, mas seria interessante se a desenvolvedora desse um pouco de atenção aos refinamentos para tornar alguns dos defeitos do jogo original menos visíveis.

Sendo assim, os problemas que continuam em Burnout Paradise Remastered são a ausência da opção de reiniciar partidas, forçando os jogadores a se dirigirem novamente aos locais de cada evento, e a falta de um recurso de fast travel, que poderia tornar um pouco menos cansativa as longas viagens na imensa cidade do jogo.

Algo que retorna sem qualquer alteração, mas que pode ser visto aqui como uma grande vantagem, é a trilha sonora frenética do jogo. Provavelmente nem seria necessário mencionar que a música que inspirou o nome da cidade fictícia do game é referência direta ao grande sucesso de Guns N' Roses.

Com hits variados em uma setlist que mistura música eletrônica com rock, somos convidados a acelerar desenfreadamente ao som de bandas como Jane’s Addiction, Soundgarden, Twisted Sister, Killswitch Engage e até mesmo Avril Lavigne. Também estão presentes algumas das melhores faixas dos jogos anteriores e algumas músicas clássicas para os pilotos com gostos mais refinados.

DLCs e conteúdos extras

Outro grande chamariz desta nova versão do jogo são os oito DLCs do título original que estão inclusos no pacote, que complementam ainda mais a diversão com a nova área Big Surf Island, repleta de novos desafios, e um catálogo gigantesco de carros, motos, carrinhos de brinquedo e diversos modelos de automóveis lendários.

Veredito

Apesar de a remasterização de um dos games mais marcantes da série Burnout não ser exatamente tudo aquilo que os fãs esperam, é muito bom perceber que a experiência de 10 anos atrás ainda é muito agradável graças às melhorias gráficas e aos conteúdos extras.

Seja pelos pontos fortes ou pelos seus defeitos, Burnout Paradise retorna para todos os que sentiam falta da série e também para aqueles ainda não tiveram a oportunidade de conhecer a franquia. Fica aqui apenas a ressalva de que, apesar de oferecer um mundo aberto, a estrutura de jogabilidade ainda está completamente ligada ao formato arcade, não sendo ele uma boa recomendação para aqueles que querem algo mais voltado para simulação.

Retornar à Paradise City e sair por aí detonando carros das formas mais insanas possíveis não só me fez perceber como poucos jogos de corrida da atualidade conseguiram reproduzir a mesma atmosfera divertida e viciante da série de jogos da Criterion, mas também que talvez o mercado atual de games ainda tenha algum espaço para uma futura sequência da franquia.

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