Análise | Ace Combat 7: Skies Unknown, um ás indomável desta geração

Por Jessica Pinheiro | 01 de Fevereiro de 2019 às 10h33

Depois de quase 12 anos desde seu último lançamento, eis que a série Ace Combat retorna aos holofotes em seu sétimo título numerado. Ace Combat 7: Skies Unknown foi finalmente lançado e oferece uma ótima experiência de simulação de combate aéreo, com modo multiplayer divertido, trilha sonora empolgante e de qualidade, narrativa interessante e cheia de reviravoltas e alto nível de dificuldade, além de uma das melhores experiências em realidade virtual já vistas.

De forma resumida, todos esses ingredientes que compõem Ace Combat 7: Skies Unknown o tornam, acredite ou não, em um ótimo game de entrada para quem nunca teve contato com a franquia antes. Todos os elementos estão lá, mas aprimorados para a atual geração de consoles. Para quem é fã de longa data e sentia saudade de um game da série (ou do gênero), vai sair mais do que satisfeito dessa jornada.

Câmera, controle, ação!

Vamos começar a análise pela jogabilidade. Nesse quésito Ace Combat 7: Skies Unknown requer um pouco de paciência. Como é um simulador de combate aéreo, os comandos não são complicados como os de uma aeronave de verdade, mas exigem compreensão e habilidade para dominá-los, em especial no que se refere à câmera.

No PlayStation 4 o jogador acelera segurando R2 e desacelera segurando L2. A aeronave é guiada pelo analógico esquerdo enquanto que o direito movimenta apenas a câmera. O touchpad do joystick oferece três modos de mapa a cada toque e, para trocar o alvo, basta apertar triângulo. O quadrado altera o tipo de míssil e o círculo os dispara.

Por falar em míssil, existem diversos tipos, com os mais variados efeitos. A cada missão concluída (com rank, inclusive, para se testar até conseguir a nota máxima em cada uma das tarefas) ganha-se pontos que podem ser trocados para conseguir novas peças para seu caça, incluindo novos tipos de projéteis de bombardeio.

As armas variam entre ar, ar-para-ar ou ar-para-terra; também há os mísseis. Alguns possuem rastreio de longo ou curto alcance, outros explodem na área que o inimigo está, causando dano em massa - ótimo para drones, fica a dica. Em questão de arsenal, Ace Combat 7: Skies Unknown não deixa nada a desejar e a recomendação de ouro é: leia a descrição de cada objeto e preste atenção na animação de prévia.

(Imagem: Jessica Pinheiro/Canaltech)

A árvore de peças e de aeronaves é vasta e exige que o jogador jogue com certo afinco para ganhar cada vez mais pontos - ou que seja o melhor piloto dos céus em tudo para conseguir nota máxima e, por tabela, a máxima pontuação possível. Todos os comandos e como melhorar o avião e comprar peças são explicados nos briefings.

As instruções aparecem na tela a todo o momento, mesmo durante as missões, e as tarefas para as missões são explicadas antes de cada uma delas começar, portanto é necessário atenção. Aliás, vale dizer, essa atenção se estende para quase todos os aspectos do game, incluindo a narrativa.

A história de Ace Combat 7: Skies Unknown pode parecer confusa no início, mas conforme avançamos nas missões do modo, todas as peças vão se encaixando e tudo começa a fazer sentido. Contudo, novamente: atenção às instruções na tela e nas conversas entre seus companheiros pelo rádio. Dicas valiosas são dadas por eles a todo instante e, caso as ignore, é bem provável que a missão falhe.

(Imagem: Jessica Pinheiro/Canaltech)

A guerra nunca muda

Apesar de estar em seu sétimo título numerado, não é necessário ter jogado nenhum outro Ace Combat para entender o que acontece neste novo título. A campanha começa com Avril Mead, neta de um herói de guerra e filha de um piloto morto em combate. Ela é a narradora da história, já que o jogador controla Trigger.

Tipicamente calado, Trigger representa a pessoa que o controla e é simplesmente jogado em meio a uma trama política cheia de corrupção. O novato do esquadrão Mage 2, bem como os jogadores, presenciam a erupção de uma guerra entre o Reino de Erusea e a Federação de Osea.

Quando a declaração de guerra é feita entre as duas nações, logo após o sequestro de um ex-presidente oseano, que estava visitando um elevador espacial construído como símbolo de paz mundial; os eruseanos respondem com tiro, porrada e bomba, literalmente. Então, após algumas missões de reconhecimento (que meio que servem como introdução à jogabilidade), eis que o jogador é colocado em uma decisiva missão de resgate.

(Imagem: Jessica Pinheiro/Canaltech)

Descobre-se então que o ex-presidente está, na verdade, escondido no elevador espacial. O local é bastante importante, construído para selar um acordo entre o reino e a federação, e o que acontece durante a missão de resgate é bastante simbólico quando se para para pensar no significado da localidade.

De toda forma, Trigger é enviado para a 444ª base aérea de seu país e passa a formar uma espécie de esquadrão kamikaze. No local, ele conhece Avril e, juntamente de seus dispensáveis companheiros, eles tentarão dar um fim à essa absurda guerra. Mas como o game aborda muito a guerra e temáticas entrelaçadas a ela - a perda, o legado, a honra, a pátria - o jogador também vê um pouco do outro lado da história.

Então, após ver um pouco do lado dos oseanos, também somos apresentados a que se passa com os eruseanos pelos olhos de Mihaly A. Shilage, herdeiro de um condado e que possui laços com o reino. Toda essa história pode parecer complexa a princípio, mas na verdade é bem simples e repleta de temáticas interessantes, além de ser carregada de simbolismos, críticas e diversos personagens com quem você se importa - incluindo uma certa capitã que retorna para o sétimo título.

(Imagem: Jessica Pinheiro/Canaltech)

Além disso, uma abordagem para lá de interessante, ainda mais levando em conta a geração em que vivemos, é a questão da tecnologia de ponta, mais especificamente a inteligência artificial e o uso de drones na guerra.

Nas entrelinhas em diversos momentos (e às vezes com todas as letras também), os personagens questionam se os autômatos irão superar os humanos, abordando questões filosóficas muito questionadas por especialistas no mundo real também. É difícil tirar os olhos da tela ou parar de jogar conforme a história vai se desenrolando cada vez mais. Tudo isso embalado em uma trilha sonora impecável, com músicas que casam perfeitamente com cada missão.

Por fim, mas não menos importante, vale ressaltar que o game oferece dublagem em japonês e em inglês e legendas em português brasileiro que contam com um ótimo trabalho de localização, então é possível entender absolutamente tudo que está escrito nas descrições ou que é dito nas cutscenes.

Realidade virtual e multiplayer

Ace Combat 7: Skies Unknown também é compatível com PlayStation VR (PSVR), oferecendo algumas missões em realidade virtual. Já havíamos testado esse recurso durante a Brasil Game Show 2018 e a experiência é absurda de incrível, apesar de exigir estômago forte e boa resistência à tecnologia, pois o nível de imersão é incrível e você realmente é transportado para os céus, dentro de uma cabine de um caça.

O game também oferece uma experiência multiplayer similar a um modo “battle royale”, mas sem “mata-mata”. Na realidade, o jogador só precisa fazer o máximo de pontos que conseguir e, ao final, quem tiver mais ganha a partida. Além de adversário de todo o mundo, também há personagens não-jogáveis (NPCs) que disputarão pelo título de ganhador, apenas para atrapalhar um pouco mais a vida dos gamers.

Também vale ressaltar que a experiência online apresentou ótima estabilidade, oferecendo partidas multiplayer divertidas e desafiadoras. Por sinal, a dificuldade de Ace Combat 7: Skies Unknown é um ponto que precisa ser destacado a parte, pois ele, como um todo, é um jogo difícil. Desde a aprendizagem dos comandos, passando pelas missões do modo história, até ganhar de todos no modo multiplayer: todo o game é desafiador e a dificuldade é sempre crescente. Para jogadores que gostam de títulos assim, este é definitivamente uma ótima pedida.

Ace Combat 7: Skies Unknown está disponível para PC, PlayStation 4 e Xbox One. No Canaltech, o jogo foi testado no PlayStation 4 com cópia cedida gentilmente pela Bandai Namco.

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