Review | Novo Sony WH-CH510: vale a pena investir neste fone de entrada?

Por Luciana Zaramela | 23 de Janeiro de 2020 às 15h50
Luciana Zaramela/Canaltech
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E eis que temos um novo modelo de entrada no catálogo da Sony aqui no Brasil! Com portfólio atualizado, a japonesa traz, além dos modelos parrudões que entram para valer nas brigas de cachorro grande, um update em sua linha mais, digamos, singela de fones de ouvido. Se você acompanha o Canaltech, deve ter visto o review do último modelo in-ear, o WI-C200.

Mirando naqueles que gostam de modelos on-ear e procuram uma alternativa relativamente barata, sem muito melindre, a companhia lançou internacionalmente o WH-CH510 — que, aparentemente, é uma repaginada do conhecidíssimo WH-CH500 que vemos tanto por aí, porém custando menos e trazendo alguns benefícios aqui, outros ali para justificar sua chegada ao mercado.

O WH-CH510 é um modelo Bluetooth que tem suporte a assistentes virtuais como Siri e Google Assistente no seu celular, mas será que vale a pena? Descubra nas próximas linhas!

Design & Ergonomia

O Canaltech recebeu o fone na cor azul marinho, mas você também encontra o modelo nas opções branca e preta. Com formato on-ear e design de conchas fechadas, o fone é essencialmente plástico e leve (132 g), afinal de contas, é um modelo de entrada. O arco é flexível, mas não possui nenhum tipo de revestimento em espuma — diferentemente das conchas, que trazem um material gostosinho, são bem acolchoadas e têm um acabamento estético bem bonito e simples ao mesmo tempo.

Como já dito, os fones lembram bastante o modelo WH-CH500, mas em termos de design, trazem um toque de refinamento nas bordas, que agora são arredondadas. As conchas são menores, também, mas isso faz parte da proposta de um on-ear: os fones não cobrem as orelhas, e sim ficam posicionados em cima delas. Além do mais, o novo membro da linha agora conta com uma construção mais sólida. Há quem ame esse tipo de modelo, e há quem deteste. Para quem usa óculos, a pressão das conchas pode incomodar um pouco com o passar das horas.

Conchas com bordas arredondadas, logo da Sony, textura e giro em relação ao arco: um fone bonito! (Foto: Luciana Zaramela/Canaltech)

E falando em pressão, a ergonomia desse modelo é ok, mas devido ao fato de ele não possuir um arco acolchoado, pode incomodar o topo da cabeça se usado por longos períodos. Isso faz parte do valor agregado do fone, aliás: geralmente, fones revestidinhos com materiais macios no arco custam mais caro e são voltados a um público que precisa de conforto por usar os fones durante horas e horas em um dia. Não que isso fuja do propósito do WH-CH500, claro. Mas ele é um modelo, digamos, mais econômico.

Inclusive, o fone aparenta ser frágil demais, por usar materiais mais baratos e muito plástico em sua composição. É preciso ter certo cuidado ao manuseá-lo, já que ele não apresenta a robustez de modelos mais caros. No entanto, o acabamento é bom.

Se cabe um comparativo: eu tenho um JBL 450BT e achei os dois modelos bastante parecidos no design. E na proposta também.

As conchas do WH-CH500 giram em relação ao eixo do arco, para que as almofadas do fone se adaptem bem a diferentes cabeças, mas o modelo não é dobrável. A articulação que ele possui é essa aqui:

A concha gira em relação ao eixo e se movimenta levemente para a almofada se adaptar bem às orelhas. Detalhe para o acabamento (Foto: Luciana Zaramela/Canaltech)

O arco é tradicionalmente regulável em diferentes alturas, e no final, o fone oferece um bom nível de conforto, mesmo se você usa óculos, vai para a academia, trabalha no escritório, quer dar uma volta na rua ou simplesmente quer ouvir um som mesmo. Não cai da cabeça e nem fica escorregando se você estiver se movimentando.

Aqui nos testes do Canaltech, o fone começou a incomodar minha cabeça após períodos de 40 minutos a 1 hora de uso, exatamente onde o arco encosta no crânio. Não senti esse incômodo usando óculos e usei o fone enquanto trabalhava ou fazia atividades do dia a dia, como compras no supermercado e passeios leves na rua.

Vale dizer que esse fone, apesar de servir, não é voltado para a prática esportiva, porque não possui resistência a suor, chuva e respingos, mas pode ser usado em condições legais — uma caminhada, um treino leve na academia, um passeio no parque, uma volta de bike, uma corridinha curta.

Controles

Com um esquema simples e botões grandes, de fácil acesso, a Sony traz, na concha direita, botões de liga/desliga, play/pause, atender/recusar chamadas, ajuste de volume e skip — para avançar e retroceder músicas. O fone se comunica com o celular e usa o assistente de voz do sistema, então você pode chamar a Siri ou o Google para fazer perguntas e pesquisar coisas. Para isso, basta pressionar duas vezes, bem rapidinho, o botão central.

Para Ligar/desligar, basta pressionar por cerca de dois segundos o botão central. Se quer aumentar ou diminuir o volume, aperte e segure os botões nas laterais do principal até chegar no nível desejado. Para pular de música, pressione rapidamente esses botões. E se quiser pausar ou reproduzir uma faixa, pressione o botão central quando o fone estiver conectado a um app de streaming, como o Spotify, o Deezer ou o Apple Music.

Botões + e -, botão central, LED indicador, entrada USB-C e microfone: tudo isso na concha direita (Foto: Luciana Zaramela/Canaltech)

Em chamadas, se você pressionar o botão central uma vez, cancela uma chamada efetuada. Se pressioná-lo por dois segundos, transfere a ligação para o telefone. Ao receber uma chamada, basta apertar uma única vez o botão central para atendê-la ou pressioná-lo por dois segundos para recusá-la. E para desligar uma ligação em curso, é só apertar uma vez só o botão central. Os demais botões funcionam normalmente como volume.

O fone tem um LEDzinho indicador de atividade logo ao lado dos controles, que acende quando está ligado, pisca quando está procurando conexão e indica bateria fraca.

Bateria

E falando nisso, o grande trunfo desse modelo é a duração da bateria, que pode chegar, segundo a fabricante, a 35 horas de reprodução contínua. Isso é carga suficiente para uma viagem transatlântica de ida e volta, ou para uma semana de uso moderado, sem precisar carregar uma vez sequer.

Para completar a carga, é preciso que o fone fique plugado à energia por 4,5 horas, mas o modelo conta com quick charge: se você perceber que a bateria está para acabar, basta plugá-lo 10 minutinhos na entrada USB de seu computador para ganhar uma hora e meia de autonomia. Excelente, não?

Conectividade

Temos muitas coisas boas para falar aqui. Apesar de ser um modelo mais barato, a Sony não titubeou ao considerar os últimos padrões da indústria para dar uma boa dose de conectividade ao seu modelo: ele já vem com Bluetooth 5.0, o que garante mais estabilidade de reprodução sem fios a um raio de até 10 metros da fonte. É uma distância curta, mas lembre-se: estamos falando de um modelo de entrada, e não de um esportivo pomposo.

Outra boa tacada foi o emprego de uma porta USB-C, que inclusive tem papel importantíssimo no quick charge da bateria e está alinhada com os dispositivos mais novos do mercado. O cabo, no entanto, não é USB-C nas duas pontas.

Com o Bluetooth 5.0, você consegue conectar dois fones a uma única fonte e compartilhar a música. Legal para quem vai viajar de casal ou de dupla, por exemplo, e quer curtir um som junto.

Não há conectividade P2, portanto o fone não funciona cabeado.

Em toda a glória do azul, olha o brinquedinho aí! (Foto: Luciana Zaramela/Canaltech)

Microfone

Um fone de ouvido com handsfree precisa trazer um microfonezinho legal para que você converse ao telefone e faça ligações numa boa. Na base da concha direita há um buraquinho, sob o qual está instalado o microfone (que você vai usar também para acionar a assistente virtual do seu celular).

Nos testes do CT, o microfone se saiu como qualquer microfone padrão de fones nessa faixa de preço: a qualidade da chamada em ambientes calmos foi ok e estável, graças ao Bluetooth 5.0. Mas em ambientes barulhentos, a pessoa do outro lado da linha pode ter que se esforçar para te ouvir bem, já que a captação do áudio fica meio embolada e enlatada.

O WH-CH510 não tem como objetivo principal fazer ligações e essa funcionalidade vem só para quebrar um galho. E quebra, mesmo: principalmente se, como eu, você fala ao telefone enquanto digita textos ou lava a louça. É uma funcionalidade bacana para quem pratica esportes leves, também, e não quer parar o treino para tirar o telefone do bolso.

Cancelamento de ruído

O modelo não traz a funcionalidade de cancelamento ativo de ruído, mas cancela o som ambiente passivamente. O que isso quer dizer? Que, apenas pela pressão das conchas sobre as orelhas, você tem uma leve atenuação de ruído ambiente e, dependendo do volume da música, consegue se concentrar muito bem nas suas tarefas sem se dispersar.

Mas isso não é um limitador: se você usa o fone para conversar e fazer chamadas, não vai ser isolado do mundo só por estar com ele na cabeça. Dá para ouvir muito bem o que acontece ao seu redor — principalmente em ambientes agitados.

Som na concha!

Agora vamos para a prova de fogo do brinquedinho! Se você não larga os podcasts ou então é um amante de músicas para compor a trilha sonora do seu dia a dia, seja nos treinos, na ida ao trampo, no escritório ou antes de dormir, vai querer saber se a qualidade sonora do fone faz a compra valer a pena, então vamos falar de frequências.

De modo geral, temos um fone Sony, então você não precisa ter medo na hora de escolher. A qualidade sonora é muito legal dentro do seu segmento. Nos testes, usei o Spotify em qualidade máxima em um dispositivo com Bluetooth 5.0.

Será que soa tão bem quanto é bonito? Logo saberemos! (Foto: Luciana Zaramela/Canaltech)


Graves

O WH-CH510 traz graves bastante presentes, bem perceptíveis e com um bom nível de impacto e profundidade, o que o torna um modelo muito legal para estilos como pop, rock, metal, funk, sertanejo e R&B. No entanto, as frequências graves sofrem um pouco na sua porção média e aguda, chegando a embolar em alguns momentos. O perfil sonoro traz mais "sabor" nas frequências mais baixas, o que torna fraseados de contrabaixo e efeitos graves um pouco embolados. No entanto, isso é coisa que poucos vão perceber, e essa galera exigente compõe um outro tipo de público, que consequentemente vai se interessar por outro tipo de fone.

Em Rehab, da Amy Winehouse, o fone traz um bom nível de pressão, bem mais no contrabaixo e nos bumbos do que no sax que faz as vezes de tuba, já que esse fraseado caminha para um trecho da gama médio-grave. A música soa um pouco mais média do que deveria, dado o perfil sonoro desse fone.

Dependendo da música e da mixagem, a coisa muda de figura. É o caso da faixa Heart is A Drum, do Beck. Ouvi-la no CH-510 é muito gostoso, tanto pela condução grave das cordas do violão, quanto pelos vocais mais baixos em "strumming" que rolam quase que em toda a música. Quando entra o piano, a ambiência gerada é muito satisfatória. E ao chegar a bateria, você consegue ouvir bumbo, contrabaixo, violão e vocais (todos instrumentos graves) com muita clareza.

Médios

Essa faixa de frequência dos fones é bem equilibrada e talvez seja a melhor em resposta e nitidez. Preenche bem em diversos estilos, do pop-rock ao jazz, inclusive podendo se sobrepor às demais quando a música possui vozes demais, ou vários instrumentos de corda e sopro que atuam nessa gama.

Smooth Criminal, clássico do ícone do pop Micheal Jackson, traz uma série de efeitos — inclusive o baixo e a bateria, completamente sintetizados e eletrônicos. Os médios-graves sobrepõem os médios-médios nessa faixa, e o riff do início chega à frente da voz de Micheal. No refrão, a música ganha mais equilíbrio, principalmente quando entram os backing vocals. Vamos combinar que Jackson canta a música quase que sussurando, então é esperado que sua voz não ganhe a briga contra os sintetizadores em termos de ganho. A batida eletrônica, aliás, é a primeira que salta aos ouvidos. "You've been hit by – PAH PAH". Altão. O solo da guitarra muda vem com tudo, também, e à medida que a música cresce e o vocal fica mais agudo, os médios se comportam melhor.

Um classicão da música caribenha é Oye Como Va, do mexicano Carlos Santana e sua banda homônima. É uma gravação de 1970, época em que a captação era analógica e naturalíssima. Apesar de ouvir uma versão remasterizada digitalmente, escolhi essa faixa pela riqueza das guitarras órgãos, vocais e percussão (atabaques, bongôs) — todos ocupando o espectro da média freqência. Mesmo com um contrabaixo presente e gordo, a música fica muito gostosa de se ouvir nos fones. Médios-graves ganham destaque aqui de novo, mas os vocais estão no seu lugar, os órgãos aparecem na medida certa e as guitarras recebem a ênfase que merecem, seja na base, seja no solo.

Agudos

O piano "mellow" de Ernesto Nazareth ao tocar o clássico tema brazuca Odeon, de Pixinguinha, talvez não queira ter soado com a mesma dose de presença e brilho da versão de Apanhei-te Cavaquinho, executada belíssimamente pelas mãos do pianista Marcelo Bratke. As notas mais agudas do piano, em Odeon, aparecem muito bem quando o Nazareth "rasga o dedo" nas escalas mais altas do piano, mas falta presença — muito, claro pelo uso do abafador de cordas, quase constante em toda a gravação. Já em Apanhei-te Cavaquinho, Bratke devora as oitavas mais altas, enquanto parece ter gravado com o piano aberto. Mesmo assim, o CH510 não consegue entregar o brilho todo das notas agudas do piano, que deveriam ser a ênfase e perdem para as notas menos agudas/mais médias da escala.

Percebe que gosto de usar música brasileira para testar agudos? Nossa musicalidade é muito rica! Em Falador Passa Mal, dos Originais do Samba, temos muita percussividade: pandeiros, chocalhos, bongôs e cuíca. A música, de modo geral, soa legal: tem um surdo bem persistente, contrabaixo gordo, vocais bem cheios (marca registrada do grupo) e cantados por 3, 4 e até 5 vocalistas ao mesmo tempo. Mas não consegui ouvir o violão com clareza, que sumiu no meio da gravação. Em contrapartida, assobios e cuíca aparecem bem, principalmente no início da música, quando o contrabaixo faz a base. Mas falta brilho e presença principalmente nos vocais e nos pandeiros e chocalhos. A gama aguda é a frequência menos trabalhada do fone — mas ouvidos menos exigentes podem gostar do resultado em estilos como rock, pop, sertanejo e funk.

Preço e onde comprar

O WH-CH510 está custando R$ 299,99, ainda em pré-venda, no site oficial da Sony. Mas os leitores do CT podem levá-lo para casa com um desconto bem bacana: basta entrar com o cupom CANALTECH e voilá, ele sai por 239,99 e com frete grátis.

Também há a opção de comprá-lo pelo marketplace da Amazon, mas com cobrança de frete. Os valores também variam de 239,99 a 299,99.

Specs

  • Driver: 30 mm, dinâmica fechada
  • Ímã: Ferrite
  • Resposta de frequência: 20 Hz - 20.000 Hz (amostragem de 44,1 kHz)
  • Modelo: supra-auricular
  • Bateria: até 35 horas de música, 200 horas em stand-by (carga completa em 4,5 horas)
  • Conectividade de carga: USB Type-C™
  • Bluetooth: versão 5.0, alcance de ± 10 m
  • Codecs/áudio suportado: SBC, AAC

O que vem na caixa

O conjunto da caixa é singelo: não há case de transporte nem cabo de áudio, já que o fone nem tem entrada P2. Ao abrir o pacote, você vai encontrar:

  • WH-CH510
  • Cabo USB-C
  • Manuais

Lembrando que o modelo vem em três opções de cores: preta, branca e azul.

Veredicto

Modelo de entrada com USB-C: mandou bem, Sony! (Foto: Luciana Zaramela/Canaltech)

Se você está procurando por um fone mais barato, na casa dos 200 e poucos reais, não quer gastar rios de dinheiro com fones caros, mas ao mesmo tempo não dispensa uma boa qualidade sonora, o WH-CH510 vai te oferecer um bom custo-benefício. Longe de querer compará-lo com fones sem fio high-end da própria Sony ou de marcas concorrentes, mas pelo valor que você vai pagar nele, vale muito a pena.

Ele é bonito, tem um acabamento charmoso com textura, é levinho, não incomoda se usado por longos períodos e traz um design mais refinado em comparação ao CH500. Já traz também Bluetooth 5.0 e conectividade USB-C, dois pontos positivíssimos que pesam na escolha. Fora isso, tem uma senhora bateria com quick charge de respeito, além de contar com botões tradicionais de acesso fácil e se comunicar com o assistente virtual do seu celular, seja ele iOS ou Android, sem complicações.

É um fone simples, não é dobrável, não vem com bolsinha para transporte e nem funciona de modo passivo (cabeado), sendo voltado para um público mais jovem que gosta de ouvir música no celular com uma boa dose de graves. Apesar de bonito, tem o acabamento plástico demais, muito frágil, aliás — mas é lógico: não espere materiais de primeiríssima em um fone desse valor.

O perfil sonoro traz a assinatura Sony, mas voltada à galera que curte um som legal sem ficar presa nos detalhes. Tem bons graves, médios presentes e agudos que geram boa clareza à música, o que, de modo geral, confere uma boa qualidade de áudio que vai te servir na grande maioria dos estilos musicais.

Por este preço e levando em conta que é um modelo de entrada, sem firula e construído com material leve e mais econômico, é uma boa opção para seu dia-a-dia. Se você procura um modelo mais rebuscado para te entregar resultados mais fiéis na música que você ouve, é melhor partir para um modelo intermediário ou até mesmo topo de linha. Veja mais na cobertura sobre fones de ouvido do Canaltech!

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