Kuba Disco | Testamos o fone 100% brasileiro que abre portas para a audiofilia

Quem é audiófilo ou aspirante a ter um ouvido impecável já deve ter se perguntado se existe alguma marca brasileira que ofereça fones com construção e materiais de alto nível, tudo a ponto de entregar uma experiência limpa e digna de uma sala de concerto diretamente aos ouvidos. A resposta, até pouco tempo atrás, era um já esperado "não", mas no que depender da Kuba, esse conceito de fone premium fabricado em território nacional já existe e estreou recentemente no mercado.

Fundada por quatro jovens apaixonados por música, a startup recebeu um aporte inicial de R$ 270 mil em uma rodada de investimentos e traz o primeiríssimo modelo nos moldes de fones gringos "de responsa", inspirado em exemplares de marcas conceituadas como a BeoPlay e a Grado. Batizado de Disco, o pioneiro da Kuba traz DNA 100% brasileiro e promete um som de alta fidelidade, dentro dos padrões internacionais de qualidade de áudio.

"Nós resolvemos entrar nessa empreitada porque temos paixão pela música. E esse sentimento é algo que nos encanta e que muito raramente conseguimos enxergar nos produtos hoje em dia, porque quase tudo é feito em massa, com o objetivo de lucrar", explica Leonardo Drummond, um dos idealizadores da Kuba. "A gente gosta do que é feito com sentimento, à mão, com paixão. É assim que nascem os grandes produtos, em nossa opinião. Os carros da Pagani, os Barcos da Riva, os fones da Grado, as antigas câmeras da Leica, os baixos da Nordstrand…. A excelência desses produtos, a nosso ver, existe por um motivo que não dá pra simular: o toque humano”, completa.

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No mercado desde o ano passado, a Kuba pretende resgatar o valor da música trazendo um fone bonito, elegante e de alta qualidade sonora, com destaque para a durabilidade e o baixo impacto ambiental, trazendo a vantagem de ter todas as peças substituíveis.

Tudo desmontável e substituível (Foto: Kuba)

Design

A primeira impressão que tivemos ao tirar o Disco da caixa foi de um aparelho propositalmente projetado para ser diferente e com uma estética que chama a atenção. Ele tem um arco resistente laminado em madeira, conchas de plástico com altura regulável por atrito (e que trazem um design que lembram um disco de vinil), almofadas fechadas de material sintético e durável (que imita couro), além de algo curioso e interessante: controle de graves individual para cada concha, em forma de slider na parte superior. Vamos falar dele mais adiante, com detalhes.

A construção do fone é interessante, aliás. Por se tratar de um produto concebido por amantes da música, designers e admnistradores, acreditamos que ele leva um toque artesanal no meio de toda a tecnologia envolvida em seu projeto. 

Com vocês, toda a brasilidade do Kuba Disco (Foto: Luciana Zaramela/Canaltech)

Por ser um fone supra-auricular, o Disco é um pouco grande e não pode ser dobrado para guardar em uma caixinha ou sacolinha de transporte (apesar de vir com uma aveludada, do tamanho dele, na caixa). Um ponto positivo vai para os cabos, que podem ser desconectados das conchas caso o fone fique guardado por muito tempo.

Em termos de conforto, o pessoal da Kuba caprichou no material de escolha das almofadas, já que o material sintético traz uma textura agradável à pele e não se desgasta facilmente. São pads bem feitos, resistentes e que cobrem bem as orelhas. Porém, com o uso constante, o arco, mesmo contando com sua parte central acolchoada na região da cabeça, pode exercer pressão demais sobre os ouvidos e acabar se tornando um pouco incômodo após uma ou duas horas de uso. Em contrapartida, e talvez por esse motivo, o Disco é muito bom em evitar grande interferência de ruídos externos, apesar de não contar com isolamento ativo. No fim das contas, ele isola bem e dá uma boa dose de conforto para quem quer ouvir música com detalhes, mas sem perder a noção espacial do que está acontecendo no mundo ao redor.

Na ativa

Usar o Disco para curtir suas músicas preferidas é uma experiência e tanto. Em nossos testes, que variaram desde o uso em celulares Android e iOS, passando por toca-discos de vinil e terminando em equipamentos de home studio, ele se mostrou bastante limpo e equilibrado, com frequências bem respeitadas dentro de cada faixa, sem "embolar" nos graves, nem tropeçar nos médios e muito menos abusar dos agudos.

Durante o período em que testamos o Disco, ficamos impressionados com o poder de fogo do fone e, longe de querer desmerecer um produto por ser nacional, ficamos mais impressionados ainda por termos à mão um produto 100% brasileiro com qualidade de fone europeu. Se cabe um toque bem pessoal neste review, ouvir músicas no Disco é algo realmente prazeroso, principalmente para aqueles que já passaram por alguns fones de ouvido medianos (e até mesmo premium) e buscam uma alternativa mais encorpada e acessível, com ótimo custo-benefício e a vantagem de ter assistência e suporte brasileiríssimos.

Apesar de o jazz e o fusion terem ditado o tom nos nossos testes (e de terem casado bem com a assinatura sonora deste fone, aliás), ouvimos de tudo um pouco para poder falar com propriedade deste brinquedinho: do clássico ao eletrônico — passando pelo rock, reggae, pop, rap, hip hop, samba, bossa, MPB e até modão de viola. Em termos práticos, o Disco entrega tudo com muita clareza: instrumentos em faixas bem definidas, vozes limpas, backing vocals bastante presentes, baterias equilibradas, baixos encorpados, metais e cordas limpos e no lugar certo.

Detalhe das conchas, das almofadas e dos sliders de graves individuais (Foto: Luciana Zaramela/Canaltech)

O controle de graves, aliás, é a cereja do bolo aqui. Cada concha traz um slider individual que pode ser deslizado em qualquer direção (para a frente ou para trás), partindo do centro, que é seu ponto neutro. Ali, os graves se mostram mais contidos, ainda que presentes, quase como "flat". Ao avançar com o slider em cada posição demarcada na concha, o ouvinte percebe um incremento progressivo nos graves e subgraves, que vão ficando cada vez mais profundos.

De modo geral, a musicalidade do fone é impressionante — e para servir como padrão, vamos considerar esta parte da análise com os fones plugados diretamente em uma placa de áudio Focusrite Scarlett, ouvindo músicas a 320 kbps direto do Spotify, uma vez que eles dispensam pré amplificador.

Os graves são presentes e aveludados, e o controle em cada concha pode agradar tanto quem gosta de ouvir frequências baixas bem destacadas em qualquer tipo de música quanto aqueles que preferem ajustar os graves de acordo com o estilo que estão ouvindo no momento, em uma pegada mais "flat". A faixa dos médio-graves também merece destaque, já que as frequências não "embolam" e são bem respeitadas.

Médios e médio-agudos também têm seu lugar ao sol no Disco. Guitarras, violões, pianos, vozes, backing-vocals, caixas e metais ganham um brilho claro e sem exageros, mas com a ênfase necessária para um solo, por exemplo. Isso, claro, sem sobrepor as outras faixas nem fazer com que os graves e os agudos percam definição. Isso torna o Disco uma excelente escolha para quem gosta de jazz e MPB e procura riqueza de detalhes em cada instrumento.

Já os agudos são brilhantes, limpos e bem definidos. Nada de exageros aqui também, aliás: o fone entrega o suficiente para ouvirmos o ruído das cordas nos trastes do violão em uma música flamenca, por exemplo, bem como pratos, percussões e chimbais limpos e abertos, sem irritar os ouvidos de quem curte música no fone por horas a fio.

Já para quem pretende usar o Disco no celular, vale uma ressalva: dependendo do aparelho, pode ser um desperdício. Isso porque alguns dispositivos móveis, por mais caros que sejam, não conseguem nutrir o fone com todo o poder de fogo que ele consegue reproduzir, podendo por vezes frustrar o usuário. Usamos o Disco em um Asus Zenfone 3 Deluxe, um Galaxy S7 Plus e um Moto G5 Plus, plugado direto na entrada P2 dos aparelhos, e ficamos um tanto quanto desapontados (o que já era esperado). A experiência, por outro lado, se mostrou consideravelmente melhor em um iPhone 5 e um iPhone 7 (sem "fanboyzismos", aqui), justamente pelo fato de a Apple usar um excelente sistema de áudio até mesmo em seus aparelhos mais antigos.

Para conseguir extrair o máximo do fone em um celular (mais nitidez, palco sonoro ampliado), talvez seja melhor usar um DAC. Ou, se quiser gastar menos, baixar um app de equalização para ajudar a dar aquele empurrãozinho no som. Constatação óbvia: quando testamos o fone em um antigo sistema de som da Panasonic para ouvir um disco de vinil, a coisa ficou muito mais interessante, por ser tudo analógico. Mas, voltando ao mundo mobile, a parte bacana é que o fone conta com microfone e controle remoto no cabo, para pular músicas, dar pause/play e atender chamadas.

Especificações

Para quem curte detalhes técnicos, aí vai a ficha de specs do Kuba Disco:

  • Impedância Nominal 32Ω
  • Sensibilidade 113dB/mW
  • Potência máxima suportada (pico): 30mW
  • Potência máxima suportada (contínua): 20mW
  • Resposta de frequência: 20Hz-20Khz
  • Diâmetro do falante: 40mm
  • Diafragma de titânio

Veredicto

O Kuba Disco foi uma surpresa boa. Depois dos nossos testes, chegamos à conclusão de que o fone é ideal para quem quer entrar no mundo sem volta da audiofilia, valorizando o mercado nacional e pagando um preço honesto, com boa relação custo-benefício, no valor de R$ 690 no site oficial. Ele apresenta um som natural, personalidade forte e boa ambiência, com graves aveludados, médios encorpados e agudos bem definidos, sendo todas as frequências bem delimitadas, justificando o uso para todo tipo de música — desde que com qualidade alta, já que é um fone de alto padrão de fidelidade e que cumpre o que promete.

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