Duelo de gigantes: o novo fone Extra Bass bate o queridinho da Sony?

Luciana Zaramela/Canaltech
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Dois gigantes, um propósito: se você acompanha as novidades do universo dos fones de ouvido, provavelmente já deve ter se deparado com os reviews que fizemos dos dois modelos bons de briga da Sony aqui no Canaltech. Apesar de serem voltados a públicos diferentes e cada um ter seu posicionamento no mercado, muita gente quer saber, afinal, qual dois dois comprar.

A gente colocou o topo de linha WH-1000XM3 e o recém-lançado WH-XB900N frente a frente e vamos destacar os prós e contras de cada um neste comparativo.

Extra Bass ou alta resolução, o que você prefere? (Foto: Luciana Zaramela/Canaltech)

Round 1: design & ergonomia

Ambos os modelos são bastante parecidos. Temos aqui dois fones circumaurais fechados, bem construídos e com nível de conforto parecido.

Enquanto o XM3, topo de linha da Sony, tem um acabamento mais premium e durável, o 900N traz um esquema bem parecido, porém mais "plástico" que o irmão maior e com um formato mais moderno. A Sony não poupou ao trazer materiais de ponta para compor cada detalhe do XM3, principalmente na parte externa das conchas e no arco — que aliás, é mais acolchoado que o do modelo mais recente.

Há diferenças de design, mas poucas, voltadas mais ao acabamento. Os dois fones são igualmente articuláveis e se dobram em relação ao arco para caber em um case ou bolsinha de transporte. Ao pegá-los lado a lado, você vai notar que o XM3 tem um look mais sóbrio, e o XB900N é mais jovial, inclusive vindo na opção azul marinho e com um detalhe bem legal, que funciona para dar mais punch ao Extra Bass, sobre as conchas. São esses ductos em azul mais claro que você vê na foto abaixo:

Detalhes tão pequenos de um fone com graves parrudões (Foto: Luciana Zaramela/Canaltech)

Já as almofadas das conchas do XB900N são mais fofinhas e mais espessas que a do o XM3, o que confere um pouco mais de conforto e resistência, principalmente para aqueles que sentem a orelha esbarrar no forro do driver — em outras palavras, o modelo Extra Bass tem conchas mais fundas. Apesar de mais rasas, as que compõem o fone topo de linha da empresa têm um acabamento melhor.

Ambos são bem bonitos e discretos, com estabilidade e ergonomia muito semelhantes, garantindo horas de uso sem dor (mas esquentando suas orelhas um bocadinho com o tempo). E se você gosta dos fones da Sony pelo design, vai ficar em dúvida ao definir qual é mais bonito. Em termos de peso na cabeça, os modelos são praticamente idênticos: o topo de linha pesa 255 gramas, um grama a mais que seu irmão mais novo.

O WH 1000-XM3 vem nas cores cinza e preta, enquanto o WH-XB900N vem no preto e, teoricamente, no azul escuro — embora no site oficial só se encontre a versão preta.

Um cinza (XM3) e um azul (XB900N): as linhas são parecidas, afinal, são parentes bem próximos (Foto: Luciana Zaramela/Canaltech)

Quem ganha? O páreo é duro. Enquanto o XM3 traz um acabamento mais premium e tem design mais elegante, o XB900N é moderno e traz uma opção na cor azul escura que é muito bacana, além de ter esses detalhes charmosos das ranhuras nas conchas e a logo da Sony posicionada bem no arco, dos dois lados. Mesmo assim, o XM3 leva a melhor pela construção, pela "seriedade" de um modelo premium.

Round 2: controles

Como os dois modelos parecem ter saído da mesma forma, o posicionamento dos botões é praticamente o mesmo, embora as funções tragam o principal diferencial entre eles. O XB900N tem tudo na concha esquerda: botão liga/desliga, botão "custom", conectividade USB-C e entrada P2 para áudio cabeado.

O XM3 só difere do irmão menor por trazer a entrada USB-C na concha direita (com um led indicador de carga, ausente no outro modelo), mas o botão liga/desliga, o botão de cancelamento de ruído e a entrada P2 estão todos na concha esquerda.

Controles do WH-1000 XM3 (Foto: Luciana Zaramela/Canaltech)

Os dois fones trazem controle touch na superfície externa da concha direita. Para ativar o Quick Attention (que abaixa o volume da música para você conversar com alguém sem tirar os fones), basta colocar a mão sobre a concha direita em qualquer um dos dois. Arrastar o dedo para cima e para baixo aumenta e diminui o volume. Para a esquerda e para a direita, avança e retrocede faixas. Um duplo toque pausa/reproduz a música.

Em termos de botões, o XB900N traz um botão Custom, pelo qual se altera a funcionalidade, com a ajuda do app Headphones Connect (falaremos dele em um tópico separado), que pode ser ativar o cancelamento ativo de ruído ou acionar o Google Assistente/Alexa, por exemplo. No XM3, o botão NC/Ambient ativa diretamente o cancelamento ativo de ruído, mas acaba funcionando como o Custom do irmão mais novo, já que, pelo app, dá para alternar entre Noise Cancelling/som ambiente ou ativar o Google Assistente/Alexa.

Controles do XB900N (Foto: Luciana Zaramela/Canaltech)

Nesse quesito, eles são bastante parecidos.

Round 3: conectividade

Os dois modelos são bastante parecidos em termos de estabilidade de conexão no Bluetooth 4.2, tecnologia de pareamento via NFC para mais rapidez e comodidade e possibilidade de reprodução passiva com o cabo P2 (que desativa o microfone por ser ligado em linha nos fones). Não há como reproduzir música via USB em nenhum dos dois modelos, nem usá-los em vários dispositivos ao mesmo tempo.

Já a latência existe nos dois, não sendo um diferencial para quem quer usar os fones para jogar videogame, editar vídeos ou assistir a algum tipo de conteúdo sem usar os fios — o que é comum e aceitável em fones Bluetooth. Temos um empate aqui!

Round 4: SOM!

O grande divisor de águas entre um modelo e outro começa agora. Quem vai soar melhor depende de quem estiver ouvindo, claro, mas já é sabido que o topo de linha da Sony não leva esse distintivo à toa.

Antes de iniciarmos o comparativo de áudio propriamente dito, vale lembrar que o WH-1000 XM3 tem uma frequência de resposta de 4 Hz a 40.000 Hz, enquanto o WH-XB900N varia de 2 Hz a 20.000 Hz — ou seja, o modelo maior traz uma faixa de frequência mais ampla que o irmão Extra Bass, o que resulta em mais resposta de graves e agudos e mais precisão na entrega. Ambos possuem drivers grandes, de 40 mm, em cada concha. Mais detalhes você confere na ficha técnica, ao final deste comparativo.

Uma das principais perguntas que você deve se fazer antes de decidir qual dos dois levar para casa é: "Quero um fone com MUITOS, MAS MUUUUITOS graves?" — porque o XM3, mesmo não levando o título de Extra Bass, entrega um grave de responsa. Ambos os modelos são bem decentes (e caros), então tenha em mente o valor agregado e o custo/benefício.

Entre os dois gigantes da Sony, temos assinaturas sonoras parecidas. As diferenças se baseiam no fato de que o XM3 traz um som mais preciso, para ouvidos mais exigentes, e o XB900N traz graves intensos, poderosos, voltados a uma parcela específica de ouvintes que fazem questão de batidas bem bufantes nos ouvidos — ou de ter sua festa particular, como a Sony gosta de dizer.

Vamos falar das frequências (deixando claro que essa análise é subjetiva e não-absoluta, já que cada ouvido é único, e que usamos os dois fones sem nenhuma perfumaria adjunta do aplicativo Headphones Connect — ou seja, ambos flat e sem efeitos de ambiência).

Realizamos os testes com cada fone conectado a um iPhone 7, ouvindo as mesmas músicas, simultaneamente, no Spotify — com os aplicativos, volumes e configurações de playback setadas igualmente nos dois celulares e nos dois fones.

É briga de cachorro grande! Quem leva a melhor? (Foto: Luciana Zaramela/Canaltech)

Graves

Ambos os modelos possuem uma resposta de frequências graves bem parecida, com baixos profundos e marcantes. No entanto, como era de se esperar, o modelo Extra Bass apresenta mais ganho em graves, tornando-se um fone de perfil ainda mais profundo nessa faixa de frequência que o irmão mais velho. Isso abrange, também, a faixa de subgraves — então, galera do eletrônico: esse fone vai agradar vocês.

Como já destacamos na análise do XM3 aqui no Canaltech, graves profundos também existem no modelo mais caro. E receberam muita ênfase da Sony, aliás, a ponto de nos fazer usar o aplicativo Headphones Connect para dar uma afunilada nos baixos e bumbos.

Escolhemos uma gravação rica em graves eletrônicos para podermos analisar e comparar como cada fone se comporta. O XB900N entrega graves, bumbos e batidas eletrônicas contundentes, tão profundas que, no início da música, a impressão que dá é a de estarmos em uma garagem de subsolo vazia, com duas caixas de som enormes retumbando direto nos nossos ouvidos, dando aquela atmosfera redonda, pesada, densa, com graves extremamente penetrantes. Médios e agudos são totalmente projetados para trás na mixagem, mas se o que você procura é uma tempestade de graves, tá aí: o fone entrega paulada atrás de paulada, mas peca em dinâmica.

No XM3, não tem como dizer que os graves são fracos. São também bastante proeminentes, embora muito mais equilibrados em relação às outras frequências que no XB900N. Aqui ouvimos, além dos graves presentes de sintetizadores e batidas eletrônicas, efeitos de scratch, overdubs do vocalista Jay Kay, frases de sintetizador, bateria, chimbais e pratos mais bem posicionados na trilha. A guitarra aparece fazendo riffs ao fundo, coisa que mal dá para perceber com os graves pesadíssimos do XB900N.

Ou seja, em termos de clareza, o XM3 leva a melhor. Ele também tem graves bem fortes, no entanto, os do XB900N chegam a ser exagerados, porque tomam espaço de outras frequências.

Médios

Ao ouvir a mesma música nos dois fones, você percebe que a diferença entre eles não fica só por conta dos graves. Aqui nos nossos testes, o que mais veio à tona na gama média foi a maneira como o XB900N entrega vocais e instrumentos solo, como guitarras, violinos, pianos e metais. Em comparação com o XM3, temos uma resposta mais magrinha, abafada pelos graves excessivos, que acaba dando a impressão de que vozes e instrumentos médios perderam ganho e lugar de palco na mixagem, indo parar atrás do baixo e dos efeitos graves.

Já o XM3 entrega médios mais limpos e robustos, com mais presença e mais equilíbrio em relação aos graves. Para os meus ouvidos, aliás, essa diferença nos médios gritou mais que nos graves: temos metais, pianos, cordas, vocais, caixas, efeitos e uma série de elementos sonoros muito mais detalhados no XM3, o que o torna um fone bem mais versátil para aqueles que gostam de ouvir MPB, rock, jazz, pop, folk e estilos que usam muitos instrumentos na gravação, inclusive música clássica e regional.

Esse clássico da banda americana, lançado no finalzinho dos anos 1970, é um excelente termômetro de dinâmica e "régua de médios" para compararmos os dois fones. Ouvindo incansáveis vezes a mesma música e alternando entre os modelos, a experiência foi a seguinte:

XB900N: a primeira nota da música é um hit na caixa da bateria, que soa magrinha, tímida, baixinha… abafada pelosbumbo que entra logo após a base de piano. A guitarra vem a seguir, fazendo um riff pesadão que arruma a cama para o primeiro verso e os refrões. Essa guitarra é o elemento mais marcante dessa trilha, mas no XB900N ficou tímida, perdeu presença para os bumbos. No decorrer da música, temos um enfoque bem significante para quando entra a linha crescente/decrescente de baixo. Então sim: bumbos e baixos lá na frente da mix, vocais e guitarras mais deslocados para o fundo. Naturalmente, Hold The Line deveria ser o contrário: Bobby Kimball com os vocais lá na frente, trocando o front stage com os riffs de guitarra.

Aliás, no refrão, os vocais perdem espaço também para o riff: como a guitarra é mais grave que as vozes, ela sai na frente. Resumindo: no XB900N, não tem para ninguém: se a música tiver contrabaixo, bumbo, batida eletrônica, surdo, tambores… nenhum outro instrumento médio ou agudo vai ganhar mais destaque que os graves reforçados, que causam "boom" na maior parte das músicas. Nem durante o solo — como é o caso desta canção que serviu de exemplo no comparativo. Se você ama muito tudo isso, já pode considerar o XB900N como seu próximo fone.

XM3: uma nova atmosfera se abre, um novo dia amanhece. A começar pela primeira nota, da caixa: muito mais definição e brilho na região de médios e médios-agudos. Entra a base de teclado (piano): também melhor posicionada, mais detalhada e com mais ganho (embora estejamos falando de médios). Chimbais, pratos, bumbo, caixa: a bateria chega redondinha, equilibrada, transparente, harmonizando com o riff de guitarra que fecha a sequência. No primeiro verso, quando o contrabaixo entra, temos muito mais equilíbrio — embora a ênfase nos graves ainda persista — e dinâmica. Vocais, teclado, guitarra estão todos ocupando diferentes trechos da gama média com um respeito mútuo, enquanto os graves estão separados e sem embolar em ninguém — muito menos em si mesmos, como às vezes acontece com o XB900N em certas músicas.

Aliás, o poder de definição do XM3 traz ênfase até para uma guitarrinha muda que acompanha os versos, lá no fundo da mixagem, no pan direito. Refrão: muito mais gostoso de se ouvir, com baixos mais recuados, vocais e guitarras posicionados à frente, teclados brilhantes e excelente resposta. Quando a música cresce para entrar no refrão, é um deleite. O solo de guitarra soa bem mais aberto, com graves presentes, mas que não "emplastam" o resultado. Senti falta de mais punch na caixa durante as viradas de bateria, mas isso é mero detalhe… o XM3 é um baita fone mesmo assim, e se sai incrivelmente bem em frequências médias.

Agudos

Essa faixa é a que mais se assemelha entre os dois modelos, a grosso modo, trazendo uma resposta muito parecida. Mas, novamente, temos o XM3 à frente do XB900N: os detalhes e a precisão dos agudos — muito embora não tão aparentes quanto nos médios — fazem do XM3 o fone mais preciso na entrega de vocais, flautas, percussões, chimbais, vocais e solos altos. O brilho dos agudos é mais prazeroso de se ouvir no modelo mais parrudo, também, e isso não é surpresa nenhuma, já que o Extra Bass acaba sufocando, também, os agudos.

Por si só, testando somente frequências agudas em cada um dos dois, percebemos mais definição no XM3. Em uma gravação e em comparação com o irmão mais novo, a principal diferença é que o modelo mais antigo traz mais presença e detalhamento. De novo: isso o torna mais versátil e pau-para-toda-obra em uma vasta lista de estilos musicais.

Com o XB900N na cabeça, eu já sabia o que ia "encontrar" aqui: a disco music tem suas particularidades, com baixos muito ressaltados e agudos também. Será que a competição dessas duas frequências dá uma briga boa no modelo Extra Bass da Sony? A resposta é… mais ou menos. A música começa com quatro batidas de caixa, uma pausa, depois vem o contrabaixo, as cordas, o piano "bright" e a guitarrinha aguda. As notas mais graves do contrabaixo e o bumbo chegam primeiro, um tanto emboladas, enquanto cordas, pianos e vocais aparecem, mas tímidos… mereciam mais ganho. Quando chega o vocal cantando "We are family", a ambiência melhora, embora o retumbar dos graves persista. Saindo daí para o primeiro verso, a dinâmica melhora, também, já que as cordas tomam um fôlego, o vocal soprano aparece bem e o contrabaixo fica sincopado. Backing vocals soam legal, e a música fica mais redonda em agudos, muito embora fique difícil ignorar os graves para falar deles. Ou seja: chimbais, cordas, vocais femininos, notas mais agudas do piano… tudo isso aparece legal no fone, mas tem que brigar muito com os graves superenfáticos, o que torna o fone específico demais para quem ama frequências baixas. E ponto. Mas, de modo geral, essa gravação não soa nem um pouco aberta, como originalmente é. É como se você tivesse um equalizador gráfico com as frequências de 20 Hz a 160 Hz lá no alto, médios flatados e um pouquinho de ênfase em agudos (na região dos 10 KHz).

Com o perdão do termo, é uma sacanagem usar o XM3 para ouvir disco music após ouvir várias vezes a mesma música no XB900N. Graves parrudos, agudos BEM melhores. Vocais certeiros. Palmas, guitarras agudas, cordas, notas altas do piano, vozes (inclusive os backing vocals lindíssimos do Sister Sledge)... tudo é muito melhor e soa muito mais equilibrado, embora ainda não atinja o ápice da definição audiofílica em alguns detalhes de percussão e pratos, principalmente, mas entregando uma atmosfera aconchegante. A marcação do chimbal chega para frente, o lead vocal tem o ganho merecido, o contrabaixo oitavado e sincopado abre alas para toda a rica gama de agudos e médio-agudos passar.

A resposta de frequência aguda do XM3 é bem mais consistente que no modelo Extra Bass, obviamente — embora esta não seja a melhor gama do modelo topo de linha da Sony.

De modo geral, em termos de som, o XM3 continua sendo o melhor fone sem fio da Sony em resposta e dinâmica. Se o que você procura é graves, graves e mais graves, aí sim o modelo Extra Bass fica sendo o fone ideal para você.

Cancelamento ativo de ruído

Outra pergunta que você deve fazer na hora de escolher os fones: "qual o nível de isolamento de ruído eu preciso?" — porque, convenhamos, vai ser difícil bater o poder de imersão do XM3.

E, de fato, o XB900N não conseguiu ter uma performance melhor. Mas vale lembrar que ele não é o topo de linha da marca, e custa mais barato que o irmão maior. Consideramos ele como um intermediário.

XM3 ganha de lavada em questão de Noise Cancelling (Foto: Luciana Zaramela/Canaltech)

As principais diferenças entre o isolamento ativo de ruído entre os modelos é que, no XM3, temos uma tecnologia difícil de bater, e um dos fones mais aclamados pela mídia especializada nesse quesito. Com ele, o usuário consegue um nível de imersão elevadíssimo, que bloqueia desde blablablás no escritório ao caos de um saguão de aeroporto lotado.

O XB900N é legal para usar em ambientes com menos ruídos, já que filtra bem conversas, barulho de ar condicionado ou do trânsito lá fora. Mas deixa passar ruídos mais graves, como de motores. Usá-los na rua, no avião, numa escola na hora do intervalo ou em um shopping cheio não vai te trazer uma experiência tão imersiva quanto o XM3 é capaz de alcançar. O topo de linha da Sony realmente tem um cancelamento ativo de ruído que justifica seu valor mais elevado. Inclusive, no aplicativo, o XM3 tem muito mais opções de controle adaptativo e níveis de isolamento que o XB900N. Ou seja: é um fone voltado para quem viaja muito, quer se concentrar no trabalho enquanto ouve música e detesta ser importunado.

Microfone

Se você quer gravar áudio para mandar no WhatsApp ou Telegram, fazer um voice memo ou conversar ao telefone, saiba que ambos os fones possuem conectividade handsfree para você falar o quanto quiser através de seus microfones, exceto quando cabeados e sem bateria.

No XB900N temos um microfone Bluetooth normal, na média de fones sem fio dessa qualidade, porém com um resultado que pode soar um pouco magrinho ou enlatado em ambientes mais barulhentos. Já em ambientes tranquilos, conversar com alguém através dos fones vai ser igualmente... tranquilo.

Não há diferença significativa do microfone do XM3 para o do XB900N, ou seja: vai funcionar legal se você estiver em um lugar mais sossegado, e a pessoa do outro lado pode não entender muito bem tudo o que você fala se a ligação for feita ou recebida em um ambiente mais tumultuado, como um shopping em um sábado à noite.

Bateria

Sem rodeios, o XM3 leva a melhor graças ao seu tempo de carregamento, muito mais curto que o necessário para carregar o XB900N. São três horas conectado a uma fonte de energia contra quase sete horas para o modelo Extra Bass. Ambos entregam média de 30 horas de reprodução.

Aplicativo

O app Headphones Connect, da Sony, molda o som em ambos os modelos, fazendo com que o usuário ganhe mais poder sobre o que escuta. Apesar de ampliar os poderes de ambos os modelos, o XM3 leva a melhor, pois todos os parâmetros existentes no app são aplicáveis ao fone. Você leva mais em equalização gráfica (com presets personalizáveis), efeitos de posição no palco, controle do cancelamento de ruído, controle adaptativo, qualidade sonora, timer para desligamento e mais uma variedade de opções que elevam a versatilidade do fone topo de linha da Sony a uma outra potência.

O XB900N também acessa esse rol de configurações via app, o que é excelente para quem quer reduzir um pouco dos graves. Mas, aqui, o app conta com certas limitações, como as relacionadas ao cancelamento ativo de ruído e alguns ajustes de som.

App Headphones Connect (Screenshot: Luciana Zaramela)

O legal é que, equalizando direitinho ou usando os melhores presets, você tira bastante do gravão do XB900N, e deixa ele mais mansinho para reproduzir outras músicas. Dá para fazer miséria nos fones quando você abre o leque de opções do aplicativo.

Ficha técnica

Spec WH-1000 XM3 WH-XB900N
Drivers 40 mm/concha 40 mm/concha
Freq. resposta 4 Hz a 40.000 Hz 2 Hz a 20.000 Hz
Impedância 47 ohms 50 ohms
Sensibilidade 104 dB 101 dB
Peso 255 g 254 g
Bateria Até 30 horas Até 30 horas
Tempo de recarga 3 horas 7 horas
Conectividade Bluetooth 4.2, P2 Bluetooth 4.2, P2


O que tem na caixa?

Os dois modelos trazem, além do fone propriamente dito, um cabo P2 para áudio analógico (não microfonado), um cabo USB-C para carregamento, manuais e… um case legal para o XM3 e uma singela bolsinha de nylon para o XB900N. O XM3 também vem com um adaptador de plugue para avião. Tudo isso entra na conta final do preço, certo?

Conteúdo das caixas: acima, WH-XB900N, e abaixo, WH-1000 XM3 (Foto: Luciana Zaramela/Canaltech)

Preço

Nenhum dos dois modelos tem um precinho camarada, já que são fones de alto nível. Mas a vantagem é que a Sony trouxe os fones para o Brasil com um custo similar ao dos EUA.

Pelo site oficial da marca, encontramos o WH-1000 XM3 custando R$ 1.700 em até 10x sem juros. Na Amazon, você encontra o modelo custando o mesmo valor, sob as mesmas condições.

O WH-XB900N ainda está em pré-venda, mas houve queda no preço: agora ele está custando R$ 1.100, R$ 200 a menos do que quando fizemos o review dele aqui no CT. Porém, na Amazon, o fone tem disponibilidade de envio de 2 a 3 dias úteis, dependendo da sua região, e o preço é o mesmo da pré-venda da Sony.

Quem ganha?

Vamos fazer uma listinha de prós e contras para te ajudar a decidir, mas você também pode ler as análises completas do Canaltech sobre cada um dos modelos, individualmente.


WH-XB900N

WH-XB900BN - Tudo azul, todo mundo blue (Foto: Luciana Zaramela/Canaltech)

Prós

  • Design moderno
  • Almofadas melhores e mais espessas
  • Boa versatilidade com a ajuda do app
  • Ótimo alcance e estabilidade
  • Boa qualidade sonora
  • Preço inferior ao do XM3

Contras

  • Cancelamento de ruído mirim perto do irmão mais velho
  • Acabamento inferior, mas ainda assim bonito
  • Tempo de carga elevadíssimo

WH-1000XM3

WH-1000 XM3 - se é bonito no cinza, imagina no preto! (Foto: Luciana Zaramela/Canaltech)

Prós

  • Um dos melhores cancelamentos de ruído da atualidade
  • Acabamento premium
  • Qualidade sonora superior à do XB900N
  • Ainda mais versátil com o app
  • Ótimo alcance e estabilidade

Contras

  • Mais caro que o modelo mais novo

Agora, depende de você se prefere gastar R$ 1.700 ou R$ 1.100. Se os R$ 600 a mais fizerem diferença pelo nível de cancelamento de ruído e pela precisão sonora, vá de XM3. Se você é amante incondicional de graves, bumbos, efeitos e batidas estonteantes, nem pisque: o XB900N é o fone certo para fazer sua cabeça tremer (sem saturar!). O valor tem um peso e tanto na decisão da sua compra, e vale lembrar que enquanto o XM3 é o topo de linha da marca até agora, consideramos o XB900N como um (excelente) intermediário. Mas, cabe a máxima: cada fone tem seu público, e é sempre melhor você testar  antes de comprar!

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