Smart City | A importância das disrupções tecnológicas em uma cidade inteligente

Por Natalie Rosa | 01 de Março de 2018 às 17h05

Em debate conduzido por André Telles, co-fundador do iCities, sobre a implementação de disrupções tecnológicas, aquelas que aprimoram de forma inovadora um serviço já existente, o professor e pesquisador da ESPM Marcos Weiss abriu o painel falando sobre a importância de melhorar a forma em que as empresas operam com a tecnologia da informação.

Weiss definiu uma cidade inteligente como "aquela que realiza a implementação de tecnologias da informação e comunicação de forma a transformar positivamente os padrões de organização, aprendizagem, gerenciamento da infraestrutura e prestação de serviços públicos, promovendo práticas de gestão urbana mais eficientes".

O professor comentou que existem três fatores importantes para o desenvolvimento de uma cidade inteligente:

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  1. O poder público, com políticas, incentivos, investimentos, gestão e governança;
  2. A iniciativa privada, com pesquisa, inovação e o desenvolvimento de mercados de capacitação;
  3. E a academia, com pesquisa, desenvolvimento, inovação, educação e formação.

Weiss ainda exemplificou com uma iniciativa do projeto São Paulo School of Advanced Science on Smart Cities, que debateu durante duas semanas, no ano passado, temas sobre Internet das Coisas, big data, computação em nuvem, aprendizado de máquina, redes para sistemas móveis, segurança cibernética, inovação e sustentabilidade, reunindo 187 pesquisadores de 17 países em 15 universidades brasileiras.

Índice de prontidão de carros autônomos

Continuando a discussão, Richard Threlfal, chefe global de transportes públicos para a KPMG, do Reino Unido, mostrou resultados de um estudo realizado em 20 países, incluindo o Brasil, sobre quatro pilares do transporte: política e legislação, tecnologia e inovação, infraestrutura e aceitação do consumidor.

Na política e legislação, os resultados mostraram que o Japão, Alemanha, Coreia do Sul e a Suécia são os únicos países conquistando pontos significativos na questão de patentes relacionadas aos carrôs autônomos.

Falando sobre a infraestrutura para o abastecimento dos carros elétricos, a Holanda está no topo com cerca de 19 estações de carregamento a cada 100 quilômetros de rodovias, seguido da China e Reino Unido com três.

Singapura está na liderança sobre a aceitação dos carros autônomos nas ruas. O país conta com praticamente todas as suas rodovias preparadas para a circulação dos carros.

Carro autônomo em Singapura (Imagem: Business Matters)

O executivo finaliza seu debate citando quais são as condições necessárias para o sucesso da aplicação de veículos autônomos:

  • Autoridades públicas engajadas no desenvolvimento dos veículos;
  • Excelentes rodovias e infraestrutura de rede móvel;
  • Investimento do setor privado;
  • Testes de larga escala promovidos por grandes marcas da indústria automotiva;
  • Um governo proativo que atraia parcerias com fabricantes.

Para Threlfal, o impacto econômico dos veículos autônomos será colossal, aumentando os números significativamente, assim como o impacto humano, visto que 95% dos acidentes acontecem devido a erros humanos.

Desafios de uma cidade inteligente

Seguindo o debate, Jorge Heller, CEO da curitibana REDISUL, ressaltou novos pontos a serem considerados para a construção de uma cidade inteligente:

  • Necessidades básicas de uma cidade, como energia, segurança, transporte e mobilidade, governo, moradia e saúde;
  • Sensores;
  • Dados e informação;
  • Redução de custos e eficiência na tomada de decisão.

Drones

Emilio Hoffmann Gomes Neto, pós-graduado no curso de drones em aplicações civis e comerciais, listou diversas possibilidade do uso de drones na construção de uma cidade inteligente:

  • Substituição de helicópteros;
  • Subir em torres de telecomunicações para a inspeções mais rápidas e de forma remota;
  • Na segurança, monitorando suspeitos até a chegada na polícia;
  • Drones em estações espalhadas pela cidade;
  • Inspeções na infraestrutura da cidade, além de manutenções.
Uso de drones na inspeção de torres de monitoramento (Imagem: Mexcom)

Finalizando o painel, Ana Wakesberg Guerrini, diretora de pesquisas da 99, apontou alguns dados coletados pela empresa:

  • O paulistano gasta, em média, um mês e meio por ano em congestionamentos;
  • 20% da renda média de uma família é destinada ao transporte;
  • Acidentes de trânsito são a segunda maior causa de mortes entre jovens de 15 a 29 anos.

Por esses e outros motivos, Ana destaca a importância de companhias que desenvolvem soluções práticas para a redução do trânsito e segurança, como aplicativos de carona.

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