Facebook bane páginas e perfis suspeitos de tentar influenciar eleições dos EUA

Por Carlos Dias Ferreira | 31 de Julho de 2018 às 17h59
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O Facebook anunciou em postagem oficial nesta terça-feira (31) a exclusão de páginas e perfis aparentemente orientados para influenciar as eleições dos EUA previstas para ocorrer no mês de novembro. Em publicação ao blog Newsroom, o chefe de política de cibersegurança da rede social, Nathaniel Gleicher, afirmou terem sido encontrados 17 perfis, oito páginas e sete contas no Instagram com “comportamento coordenado inautêntico”.

Trata-se, em outros termos, de uma coordenação de esforços desleal de agentes normalmente ocultos. Diferentemente do que notoriamente ocorreu durante as eleições presidenciais estadunidenses realizadas em 2016, entretanto, o Facebook diz ainda não poder atribuir as atividades detectadas à Rússia ou mesmo a qualquer outra entidade interessada em direcionar as eleições de meio de termo (intercalares) do país.

Milhares de seguidores e gastos com publicidade

Os dados passíveis de averiguação, entretanto, mostram que uma das páginas banidas possuía 290 mil seguidores. Entre as mais populares, estavam a “Aztlan Warriors”, a “Black Elevation”, a “Mindful Being” e a “Resisters”. Outras menores possuíam menos de 10 seguidores – e havia até uma conta no Instagram sem nenhum seguidor.

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As páginas foram criadas entre março de 2017 e maio deste ano, e algumas delas deixavam clara uma gestão bastante atuante. “Elas mantinham cerca de 150 anúncios publicitários no Facebook e no Instagram pelo valor aproximado de US$ 11 mil – pagos tanto em dólares canadenses quanto dos EUA”, escreveu Gleicher. Além disso, os endereços organizaram em torno de 30 eventos na rede social entre abril de 2017 e o último mês de maio.

Páginas como “Aztlan Warriors”, “Black Elevation”, “Mindful Being” e “Resisters” gastaram cerca de US$ 11 mil em mais de 150 anúncios publicitários pagos por terceiros. (Imagem: reprodução/Newsroom).

A medida levou em conta também outras atividades, tais como mensagens e comentários em publicações. O Facebook afirma que todas as descobertas já foram encaminhadas para o congresso dos EUA e também para outras autoridades competentes.

Corrida armamentista

Diferentemente dos métodos escancarados utilizados por russos durante as eleições de 2016, a atuação dos grupos interessados em manipular as votações em novembro tem sido bem mais cautelosa. Conforme destacou Gleicher, os novos influenciadores lançam mão de recursos como VPNs (redes privadas virtuais), e normalmente utilizam internet apenas em celulares (dificultando o rastreamento). Além disso, os anúncios pagos normalmente são efetuados por intermédio de terceiros, ajudando a ocultar os verdadeiros articuladores.

Uma nova participação da Agência de Pesquisa em Internet da Rússia não está descartada, entretanto. “Algumas das atividades são consistentes com as que nós vimos perpetradas pela IRA antes e depois das eleições de 2016”, diz Gleicher, afirmando ainda que foram percebidas conexões entre as contas identificadas recentemente e outras pertencentes à IRA, excluídas em 2017.

Embora uma nova atuação da IRA não esteja descartada, ações recentes tem se mostrado mais requintadas - com utilização de VPNs e redes celulares. 

“Mas há algumas diferenças”, ele acrescenta. “Por exemplo, embora endereços de IP sejam fáceis de ocultar, as contas da IRA que nós desabilitamos no último ano utilizavam IPs russos – e nós não vimos isso dessa vez.” Mas a rede social tenta manter uma vantagem. “Isso é uma corrida armamentista, e precisamos melhorar constantemente”, conclui Gleicher.

Fonte: Facebook Newsroom

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