China coloca câmeras na porta (e dentro) de casas para conter COVID-19

Por Wagner Wakka | 28 de Abril de 2020 às 13h47
Weibo

Não é segredo que China está usando mecanismos de vigilância para conter o avanço da COVID-19 no país. Contudo, uma reportagem da CNN mostra que o governo está disposto a ampliar esta vigilância ainda mais, colocando câmeras nas portas das casas dos cidadãos. Por vezes, até dentro da residência.

A reportagem conta histórias de pessoas que voltaram de viagens em regiões de risco e do exterior para a China, as quais deram de cara com câmeras em frente à porta de seus apartamentos.

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Depois foram avisadas por funcionários públicos do sistema de saúde que suas quarentenas impostas, de ao menos duas semanas de duração, seriam monitoradas. Desde fevereiro, o país está adotando medidas do tipo em várias regiões.

Pela rede social Weibo, a mais famosa no país, vários cidadãos se mostraram indignados com o nível de vigilância. A reportagem conta a história de um estrangeiro que voltou para sua casa em Pequim e descobriu a câmera apontada para a sua porta no corredor do prédio. “É uma quebra incrível de privacidade. Parece que é uma captura massiva de dados. Eu não sei nem o quanto isso é legal”, comentou.

Outro rapaz, de pseudônimo Zhou, disse à CNN que funcionários públicos colocaram uma câmera até dentro de seu apartamento. “Eles disseram que poderia ser vandalizada [se estivesse do lado de fora]”, aponta o cidadão. Mesmo depois que ele protestou contra a ação, a câmera foi mantida.

Foto divulgada pelo próprio governo da província de Chunxi dentro de um apartamento (Foto: Governo Chinês)

O sistema permite que funcionários acompanhem se as pessoas estão mesmo de quarentena e avisem a Secretaria de Saúde caso alguém quebre o protocolo. Um dos entrevistados disse ter visto mais de 11 portas no sistema de câmeras de um dos funcionários.

Segundo a emissora estatal de TV, em 2017, o país contava com 20 milhões de câmeras de vigilância. Contudo, empresas de tecnologia, como a IHS Markit Technology calculam até 349 milhões em todo o país. O número é seis vezes maior que nos Estados Unidos.

Além das imagens, cidadãos também contam com braceletes que captam sua localização e aplicativos que dizem se a pessoa precisa ou não se manter reclusa.

O sistema divide opiniões no país. De um lado, cidadãos consideram uma quebra da privacidade. De outro, as pessoas veem como uma forma eficaz de conter o avanço do vírus. “Eu entendo totalmente e respeito o acordo”, disse uma mulher na rede social. “Já que é um padrão necessário, fico feliz em aceitá-lo”, aponta outra pessoa.

A China foi um dos primeiros países a conseguir controlar a doença, reduzindo para zero o número de novos casos diários. Contudo, o país ainda teme uma nova onda da doença, principalmente, de casos importados.

A COVID-19 já conta com mais de 3 milhões de casos confirmados em todo o mundo, com 200 mil mortos. O Brasil já passou a marca de 67 mil casos da doença, próximo da China, que registrou 83 mil confirmações para a COVID-19.

Fonte: CNN

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