"Isso é espionagem de caráter comercial", diz Paulo Bernardo sobre os EUA

Por Redação | 04.09.2013 às 13:40

A situação entre Brasil e Estados Unidos parece ficar cada vez mais tensa desde a revelação da possível espionagem do país norte-americano contra a presidente Dilma Rousseff. Agora, o governo brasileiro alega que o buraco é mais embaixo, e que está lidando com uma espionagem de caráter comercial, e não uma vigilância antiterrorismo.

"Isso é espionagem de caráter comercial, industrial, é interesse [dos Estados Unidos] em saber questões sobre o pré-sal e outras de peso econômico e comercial. Portanto, é mais grave do que parecia à primeira vista", disse o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, à Agência Brasil.

O ministro alega que as respostas dadas pelos Estados Unidos sobre as denúncias de espionagem não foram convincentes. "Todas as explicações dadas, desde o início desses episódios, revelaram-se falsas, tanto as que recebemos da embaixada norte-americana e que as nossas equipes receberam na visita aos EUA", disse Bernardo. Ele aproveita para manifestar sua opinião de que isso é um "embaraço que eles [EUA] nos causam, assim como estão causando para outros países, como México, Alemanha, França".

Apesar de todo o transtorno gerado pelas denúncias de espionagem norte-americana, o ministro ainda acredita na possibilidade de resolver tudo tranquilamente. "O que o governo fez, pedir explicações, é adequado. Nós somos amigos, temos relações diplomáticas há 200 anos, e a diplomacia é o caminho para resolver isso", disse Bernardo.

O atual vice-presidente do Brasil, Michel Temer, também acredita que a melhor saída para resolver o problema é a diplomacia. "Acredito que em brevíssimo tempo, diplomaticamente, se resolverá essa questão mantendo, em primeiro lugar, a soberania do Estado brasileiro e da figura da presidenta da República", disse Temer.

Após o que foi considerado o caso mais grave de espionagem do governo norte-americano, a presidente Dilma Rousseff cogita a possibilidade de cancelar sua visita aos Estados Unidos, prevista para o dia 23 de outubro. Alguns assessores de Dilma disseramque se o presidente Barack Obama não der "respostas satisfatórias" sobre as ações da NSA, a presidente do Brasil não iria viajar até os EUA e "ficar tirando foto" ao lado do presidente norte-americano.