Governo brasileiro ameaça fechar empresas que colaboram com espionagem

Por Redação | 03.09.2013 às 16:41

Durante a reunião da presidente Dilma Rousseff com os ministros da Justiça, José Eduardo Cardozo, e das Comunicações, Paulo Bernardo, algumas medidas importantes foram discutidas para lidar com o caso de espionagem em que o governo dos Estados Unidos monitorava lideranças do poder executivo.

As decisões da presidente podem mudar toda a comunicação atual adotada pelo governo no país, e ainda suspender a operação de empresas que cooperem com os esquemas de espionagem internacional. Essas decisões poderiam ter sido tomadas assim que o nome do Brasil apareceu envolvido na rede de monitoramento da Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA), mas foram exigidas em caráter de urgência apenas após a revelação de que a própria presidente do país era alvo da espionagem.

Rede estatal

Uma das medidas exigidas por Dilma foi o fortalecimento da rede interna de comunicação do governo, pois muitos de seus auxiliares ainda utilizam serviços vulneráveis para tratar de assuntos estatais. "Tem gente que manda e-mail pelo Gmail, com cópia para o Obama", disse o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo.

Apesar de os e-mails da presidente serem criptografados, assim como seus telefonemas, é preciso rever todo o sistema de comunicação governamental para estabelecer protocolos mais seguros. A Telebras e outros órgãos, como o Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), devem ser convocados para realizar a tarefa.

Cassação de licenças

Para reforçar a proteção de dados dos brasileiros, o Marco Civil da Internet também deve ganhar um novo texto dizendo que qualquer empresa que cooperar com os esquemas de espionagem de outros países terá sua licença cassada. "Pode ser banco, empresa de telefonia", disse Bernardo ao jornal O Estado De S.Paulo. "Se cooperarem com esses esquemas, terão a licença de operação aqui no Brasil cancelada".

Cancelamento de viagem aos EUA

Após o que foi considerado o caso mais grave de espionagem do governo norte-americano, a presidente Dilma Rousseff cogita a possibilidade de cancelar sua visita aos Estados Unidos, prevista para o dia 23 de outubro.

Alguns assessores de Dilma disseram ao jornal Folha de S.Paulo que se o presidente Barack Obama não der "respostas satisfatórias" sobre as ações da NSA, a presidente do Brasil não iria viajar até os EUA e "ficar tirando foto" ao lado do presidente norte-americano.