Futuro diretor da NSA estaria disposto a oferecer anistia para Edward Snowden

Por Redação | 16 de Dezembro de 2013 às 13h00

O futuro segundo homem na cadeia de comando da NSA, Richard Ledgett, afirmou em entrevista que o governo dos Estados Unidos estaria disposto a conceder anistia para Edward Snowden, o ex-analista responsável pelo vazamento de uma série de informações confidenciais da agência. Para isso, porém, é preciso que ele entregue todos os documentos obtidos, incluindo aqueles que ainda não vieram a público.

A ideia, contou Ledgett durante o programa de TV americano 60 Minutes, relatada pela Reuters, não é uma unanimidade nos corredores da Agência Nacional de Segurança. Mas uma possível promoção futura para número dois na cadeia de comando da agência, porém, pode mudar as coisas. Hoje, ele lidera a força-tarefa responsável pelo caso Snowden e deve subir de posto em janeiro de 2014.

Ledgett contou ainda que a NSA não sabe exatamente a extensão total dos documentos possuídos por Snowden, mas que já inventariou pelo menos 98% deles. Além disso, a agência está segura de que ele agiu sozinho e não teve ajuda de colegas de trabalho ou de agências de espionagem internacionais.

Segundo ele, o momento em que o analista acessou as informações foi bastante oportuno. A organização estava no processo de instalação de novos sistemas de monitoramento, um pedido do próprio presidente Obama, feito após o vazamento de informações sobre a Guerra do Iraque realizado pelo WikiLeaks. Para Ledgett, Snowden não seria capaz de baixar os arquivos caso o processo já estivesse sido completado.

Não existe nenhum tipo de ação legal com a intenção de firmar um acordo com o ex-analista. Tal aspecto, que seria essencial para um pedido de anistia, é de responsabilidade do Departamento de Justiça e precisa existir, já que o governo precisa ter instrumentos legais para garantir que novas informações não venham a público.

Mudanças na agência

O possível futuro subdiretor afirma que ninguém perdeu o emprego na NSA após o caso Snowden, mas que a iminente revelação de novos documentos o deixa acordado durante a noite. Afinal de contas, informações que revelam exatamente o que o governo sabe ou não podem ser usadas, de acordo com ele, como um mapa para forças inimigas dos Estados Unidos.

Além disso, ele afirmou que a NSA, agora, se preocupa bastante com a transparência, de forma a ganhar de volta a confiança do povo americano. A própria entrevista já seria uma forma de se aproximar das pessoas, já que a postura fechada e sisuda de antes não ajudou. “O que vocês estão vendo é nossa nova cara”, completou Ledgett.

Discordância

Edward Snowden

Por enquanto, a ideia de anistiar Snowden está completamente fora de questão. Essa foi a fala do General Keith Alexander, em uma entrevista à rede de televisão CBS. Conforme relatado pelo jornal português Público, ele afirmou que uma solução dessas poderia dar força para outros indivíduos que estariam pensando em fazer o mesmo.

Ele comparou a solução como um perdão a um sequestrador que, após capturar 50 pessoas e matar dez, afirma que libertará as outras 40 caso lhe concedam anistia. Alexander é a favor de julgamentos e cumprimento de penas para quem descumpre leis, já que essa, para ele, seria a forma de desestimular novos vazamentos do tipo.

O governo dos Estados Unidos continua considerando Edward Snowden como um fugitivo e solicitou seu retorno imediato ao país. O ex-analista da NSA, responsável pelo vazamento do esquema de espionagem americana contra seus próprios cidadãos e também outros governos, encontra-se atualmente na Rússia, onde recebeu asilo temporário.

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