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Via Láctea e Andrômeda podem ajudar a desvendar a energia escura

Por  • Editado por  Patricia Gnipper  | 

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NASA/ESA/Z. Levay/R. van der Marel/T. Hallas/A. Mellinger
NASA/ESA/Z. Levay/R. van der Marel/T. Hallas/A. Mellinger

Um novo método promete ajudar os astrônomos a desvendar a energia escura, um dos maiores mistérios do universo, sem ter que olhar para muito longe. Para isso, bastaria observar a interação da Via Láctea com Andrômeda, a galáxia vizinha.

A energia escura é uma espécie de força anti-gravitacional que afasta as galáxias a velocidades cada vez maiores. Pelo menos, é assim que os cientistas a interpretam, já que não é possível observá-la, medi-la e nem saber de onde ela vem. Tudo o que se sabe é que o universo está se expandindo mais e mais rápido e deve haver alguma força por trás disso.

Para saber mais sobre essa energia, os pesquisadores primeiro precisam superar um obstáculo que se mostrou mais desafiador do que se esperava: calcular a taxa de aceleração da expansão do universo, um número expresso em algo conhecido como constante de Hubble.

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Existem várias maneiras de se obter a constante de Hubble e, apesar de todas serem teoricamente coerentes, trazem resultados diferentes. Essas abordagens incluem a observação da radiação remanescente do Big Bang, por exemplo, algo que atravessa todo o universo observável para chegar até nós.

Os cientistas consideram os métodos igualmente confiáveis a ponto de concluir que o problema é que algum detalhe está passando batido. Seja como for, é importante observar objetos bem afastados porque a energia escura é um efeito muito fraco a curtas distâncias.

Por exemplo, galáxias em processo de colisão não podem mais ser afastadas pela energia escura, porque a gravidade delas é muito mais forte. Por outro lado, galáxias distantes entre si vão sofrer uma consequência mais intensa da energia escura, já que a gravidade entre elas é muito mais fraca.

Entretanto, um grupo de pesquisadores encontrou uma maneira de fazer as medições em escalas muito menores para medir a energia escura. No artigo aceito para publicação no The Astrophysical Journal Letters, eles demonstram que é possível encontrar a força da energia escura mesmo entre galáxias bem próximas.

Isso, em tese, ocorre porque mesmo com a gravidade muito mais forte a curtas distâncias levando as galáxias a colidirem, a energia escura continua lá, exercendo alguma resistência ao processo. Isso poderia ser testado observando a dinâmica entre a Via Láctea e a galáxia mais próxima, Andrômeda, que estão em processo de fusão há algum tempo.

A atração gravitacional entre elas não vai ser cancelada pela energia escura, mas a órbita delas uma em torno da outra teoricamente é afetada. Então, seria possível fazer medições da posição e movimento precisos de Andrômeda, considerar a força gravitacional e então calcular a ação da energia escura nessa equação.

Os autores do estudo reconhecem que a técnica ainda está em seus estágios iniciais de criação e, portanto, ainda não podem fornecer medições precisas da energia escura. Mas com o refinamento do método e medições bastante precisas da Via Láctea e de Andrômeda, os astrônomos poderiam testar a ideia.

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Fonte: arXiv.org; via: Space.com