Vales de Marte podem ter sido formados por mantos de gelo, e não por rios

Por Danielle Cassita | 03 de Agosto de 2020 às 20h40
NASA/JPL-Caltech/USGS

Um novo estudo da Universidade da Colúmbia Britânica aponta que, ao contrário da hipótese que considerava que Marte teve um passado quente e úmido, o Planeta Vermelho tinha sua superfície coberta por água correndo abaixo de geleiras, que teria sido a responsável pela formação dos vales no planeta. Durante a pesquisa, foram analisados mais de 10.000 vales marcianos, e os resultados foram publicados na revista Nature Geoscience.

Os pesquisadores suspeitaram que os processos que formaram a Ilha de Devon, no Canadá, podem ter sido os mesmos que ocorreram nos vales de Marte. Então, a pesquisadora Anna Grau Galofre e seus colegas analisaram mapas produzidos pelo instrumento Mars Orbiter Laser Altimeter, e desenvolveram um algoritmo que relacionou seis diferentes características de cada um dos 10.000 vales analisados. Depois, cada grupo foi comparado a atributos baseados em quatro diferentes cenários de formação. 

Nessa análise, a equipe descobriu que 22 das 66 redes trouxeram melhores correspondências aos padrões formados por água líquida correndo sob uma geleira. Outros 9 padrões combinavam com aqueles formados pelas próprias geleiras, enquanto 14 foram correspondiam à formação por rios. “Esses resultados são as primeiras evidências de erosão sub glacial extensa, causada por água de derretimento sob um antigo lençol congelado em Marte”, explica Mark Jellinek, co autor do estudo. 

(Foto: NASA)

Galofre explica que, desde quando os vales de Marte foram descobertos, pensava-se que os rios corriam por lá, e causavam a erosão que originava esses vales. Entretanto, existem centenas de vales no Planeta Vermelho, que são bastante diferentes um do outro - algo que também acontece nosso planeta. "Nesse aspecto de vales diferentes uns dos outros, Marte é bastante similar à Terra, e isso sugere que diversos processos ocorreram para formá-los", comenta.

Essa hipótese ajuda a explicar como esses vales podem ter se formado há 3,8 bilhões de anos em Marte, que é mais longe do Sol do que a Terra, durante um período em que a radiação solar era menos intensa no Planeta Vermelho. E, embora o estudo tenha sido direcionado a penas a Marte, a equipe pretende expandi-lo para analisar também nosso próprio planeta - Jellinek quer utilizar os algoritmos criados para analisar e explorar a erosão que ocorreu na história recente do mundo em que vivemos.

Fonte: Eurekalert, Space.com

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