Telescópio James Webb revela moléculas orgânicas em antiga galáxia
Por Danielle Cassita • Editado por Patricia Gnipper | •

Os tipos mais antigos de moléculas orgânicas complexas conhecidas foram encontrados. Através de observações do telescópio James Webb, o astrônomo Justin Spilker e outros pesquisadores identificaram moléculas formadas por vários átomos na galáxia SPT0418-47, a mais de 12 bilhões de anos-luz da Terra.
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Normalmente, as moléculas orgânicas complexas são encontradas ligadas a pequenos grãos de poeira e podem revelar informações importantes sobre suas galáxias. Entretanto, devido à sensibilidade limitada que os telescópios têm a determinados comprimentos de onda, é difícil observá-las quando estão em galáxias muito distantes.
As novas descobertas foram feitas com a ajuda de uma lente gravitacional, que ocorre quando dois objetos muito massivos (como duas galáxias) estão quase perfeitamente alinhados em nossa perspectiva de observação. No caso do novo estudo, o alinhamento fez com que a luz da galáxia ao fundo fosse ampliada por aquela à frente, criando um fenômeno chamado de anel de Einstein.
Graças à lente gravitacional, a luz da galáxia SPT0418-47 foi ampliada em quase 30 vezes. Como ela está a 12 bilhões de anos-luz da Terra, a luz detectada foi emitida menos de 1,5 bilhão de anos após o Big Bang, ou a 10% da idade atual do universo. “Antes de ter acesso ao poder combinado da lente gravitacional e do James Webb, nunca poderíamos ver a galáxia por trás de toda a poeira”, disse Joaquin Vieira, coautor do estudo.
Os dados do James Webb indicam que o gás interestelar da galáxia é rico em elementos pesados, sugerindo que diferentes gerações de estrelas nasceram e morreram ali. Além disso, eles encontraram hidrocarbonetos policíclicos aromáticos, moléculas consideradas os blocos básicos para a formação da vida.
“As moléculas que encontramos não são simples, como água ou dióxido de carbono”, disse Spilker. “Estamos falando sobre moléculas grandes, com dezenas ou centenas de átomos nelas”, acrescentou. Segundo os autores, os resultados sugerem que as galáxias podem se mostrar características inesperadas: embora a SPT0418-47 tenha apenas uma fração da idade da Via Láctea, ela é tão massiva quanto nossa galáxia.
Além disso, os cientistas consideravam que as moléculas orgânicas complexas têm relação com a formação de estrelas, mas os novos dados sugerem que este pode não ser sempre o caso. Os autores encontraram várias regiões com as moléculas sem formação estelar por perto, enquanto outras regiões tinham novas estrelas em formação, sem as moléculas.
O artigo com os resultados do estudo foi publicado na revista Nature.
Fonte: Nature; Via: University of Illinois, Space.com