Telescópio James Webb rastreia seu primeiro alvo em movimento no Sistema Solar

Telescópio James Webb rastreia seu primeiro alvo em movimento no Sistema Solar

Por Wyllian Torres | Editado por Rafael Rigues | 25 de Maio de 2022 às 12h10
Adriana Manrique Gutierrez/NASA

O telescópio espacial James Webb (JWST) rastreou pela primeira vez um asteroide em movimento. O sucesso da atividade mostra como o observatório espacial de próxima geração da NASA poderá observar, além de galáxias distantes, objetos se deslocando pelo Sistema Solar.

Enquanto o James Webb passa pelos últimos ajustes para garantir o funcionamento de seu sistema e instrumentos científicos, ele já começa a realizar algumas operações técnicas. Ao se mover pelo espaço, ele consegue rastrear estrelas e galáxias distantes com extrema precisão.

À esquerda, uma imagem feita com o telescópio Spitzer e, à direita, a mesma região vista pelo James Webb (Imagem: Reprodução/NASA/JPL-Caltech/NASA/ESA/CSA/STScI)

No entanto, o JWST também será usado para observar muitos objetos do Sistema Solar como planetas, satélites, asteroides e cometas. Portanto, o telescópio precisa conseguir rastreá-los mesmo em movimento para, assim, obter imagens e análises espectrais deles.

Em nota publicada pela NASA no dia 19 de maio, a agência explicou que o recente teste mostrou que o telescópio será capaz de fazer ciência com tais objetos móveis ao longo de sua vida útil estimada em 20 anos — e ele está “quase pronto” para iniciar suas primeiras observações científicas.

Objetos em movimentos

O JWST permitirá que os cientistas estudem desde os objetos gelados no Cinturão de Kuiper até as luas potencialmente habitáveis ao redor dos gigantes gasosos do Sistema Solar. O asteroide rastreado no teste foi o 6841 Tenzing, localizado no Cinturão de Asteroides.

As observações do James Webb ajudarão a entender mais das atmosferas de Urano e Netuno (Imagem: Reprodução/NASA/JPL-Caltech)

O nome é inspirado no alpinista tibetano Tenzing Norgay que em maio de 1953 se tornou uma das primeiras pessoas a escalar o Monte Everest ao lado de Edmund Hillary. Heidi Hammel, cientista interdisciplinar do Webb para observações do Sistema Solar, explicou que a equipe queria um nome “ligado ao sucesso”.

Ainda assim, o telescópio enfrentará alguns desafios ao rastrear alvos em movimento à medida que alterna entre objetos mais quentes e mais frios — isto pode afetar o delicado alinhamento de seus espelhos e instrumentos. De todo modo, o James Webb trará uma ciência valiosa sobre nosso sistema planetário.

Há décadas Hammel pesquisa Urano e Netuno, planetas sobrevoados por uma única sonda em 1989, a Voyager 1. “A equipe de Urano espera vincular definitivamente a química e a dinâmica da atmosfera superior, detectável com o Webb”, disse o cientista.

Ilustração do Cinturão de Kuiper (Imagem: Reprodução/NASA)

A lista de alvos do JWST no Sistema Solar inclui os anéis de Saturno e a atmosfera de sua lua Titã, bem como as possíveis plumas de material rico em água que emergem de Europa, a lua gelada de Júpiter, alvo da missão Europa Clipper — planejada para ser lançada em 2024.

A revisão e testes com os instrumentos do James Webb devem ser concluídos em junho, antes do telescópio entrar em um período de ciência inicial. De todo seu primeiro ano de observações, 7% serão dedicados ao Sistema Solar.

Fonte: NASA, Via Space.com

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