Telescópio Hubble encontra "elo perdido" da evolução dos buracos negros

Por Daniele Cavalcante | 31 de Março de 2020 às 17h35
ESA/Hubble/M. Kornmesser

O Telescópio Espacial Hubble parece ter encontrado evidências fortes sobre a existência de um buraco negro de massa intermediária - algo até então considerado o “elo perdido” da evolução dos buracos negros. Astrônomos e astrofísicos buscam há muito tempo por pistas sobre esse tipo de objeto que é muito esquivo para ser detectado pelos nossos telescópios.

De acordo com os dados do Hubble, esse buraco negro de massa intermediária (IMBH, na sigla em inglês) reside dentro de um denso aglomerado de estrelas. Ele tem mais de 50.000 vezes a massa do Sol, o que é bem maior do que os buracos negros de massa solar, mas menor do que os supermassivos. Por isso, trata-se de um buraco negro “mediano”.

Ele havia sido detectado em 2006, mas os equipamentos na época o enxergaram apenas como uma poderosa explosão de raios-X, sem deixar claro se eles vieram de dentro ou de fora da nossa galáxia. Os pesquisadores batizaram essa fonte de raios-X como 3XMM J215022.4-055108 e cogitaram que se tratava de uma estrela sendo despedaçada depois de chegar muito perto de um objeto compacto gravitacionalmente poderoso, como um buraco negro.

Mesmo sendo causado por uma força gravitacional muito poderosa, a origem do 3XMM J215022.4-055108 não estava no centro de uma galáxia, onde normalmente os buracos negros massivos estão localizados. Isso gerou esperanças de que haviam encontrado um IMBH, mas primeiro os pesquisadores deveriam ter certeza de que não se tratava de outra possibilidade: uma estrela de nêutrons em nossa própria Via Láctea poderia ter causado essa explosão de raios-X.

Observação de Hubble do buraco negro de massa intermediária (Imagem: ESA/Hubble/M. Kornmesser)

Então, decidiram apontar o Hubble para o 3XMM J215022.4-055108, a fim de determinar sua localização exata. Imagens de alta resolução confirmaram que os raios-X vieram de um aglomerado de estrelas distante e denso nos arredores de outra galáxia - exatamente o tipo de lugar onde os astrônomos esperavam encontrar evidências de um IMBH.

Os IMBHs são difíceis de encontrar por serem menores e menos ativos que os buracos negros supermassivos. É que eles vivem em galáxias e aglomerados pouco massivos e, portanto, há pouco material para se alimentar. Por isso os astrônomos tiveram que esperar o momento em que pudessem flagrar um IMBH no ato raro de devorar uma estrela, e parece que foi exatamente isso o que foi detectado em 2006.

Um novo estudo publicado a partir desses dados do Hubble sugere que o aglomerado de estrelas que abriga o objeto 3XMM J215022.4-055108 pode ser o núcleo de uma galáxia anã de massa baixa. Issa galáxia teria sido gravitacionalmente destruída por suas interações com outra galáxia maior.

Com a confirmação da existência de um IMBH, os pesquisadores podem esperar que haja muitos outros por aí, esperando uma estrela para devorar e, assim, serem detectados pelos instrumentos científicos. Estudar a origem e a evolução desses buracos negros de massa intermediária também dará uma resposta sobre como os buracos supermassivos surgiram.

Fonte: ESA

Gostou dessa matéria?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.