Telescópio Hubble descobre possível estrela que “sobreviveu” a supernova
Por Danielle Cassita • Editado por Rafael Rigues |

O telescópio espacial Hubble encontrou uma possível estrela que sobreviveu à transformação de sua vizinha em uma supernova. Com o instrumento Wide Field Camera 3, pesquisadores estudaram a supernova SN 2013ge na luz ultravioleta e descobriram que, embora o brilho da explosão estelar esteja diminuindo, há outra fonte de luz ultravioleta ali que manteve sua luminosidade — e que, talvez, seja uma estrela próxima.
- O que são e quem descobriu as supernovas?
- Supernova antiga e rara é encontrada a 20 mil anos-luz de distância
Através de dados do telescópio Hubble, astrônomos conseguiram identificar a assinatura de diferentes elementos na explosão da supernova. Eles notaram que, curiosamente, não havia hidrogênio na região da SN 2013ge, o que os fez imaginar o que teria removido o gás antes da explosão acontecer. Após observações, eles perceberam haver uma estrela vizinha ali, que estaria “roubando” o gás da outra antes da explosão.
Maria Drout, astrônoma da equipe do estudo, comentou que várias linhas de diferentes evidências mostravam que estas supernovas pareciam ser formadas a partir de sistemas binários, mas ainda faltava ver os objetos vizinhos delas. “Muito dos estudos das explosões cósmicas é como ciência forense, ou seja, procuramos pistas e vemos quais teorias se encaixam”, disse.
Agora, a vizinha que sobreviveu à supernova SN 2013ge poderá ajudar os astrônomos a entender melhor as características da estrela que explodiu, que acabou se tornando um objeto denso e compacto (como uma estrela de nêutrons ou um buraco negro, por exemplo). Além disso, eles vão poder também investigar a estrela sobrevivente.
Ela pode ter um destino parecido com o de sua vizinha, mas dependendo da distância que estava do objeto que explodiu, pode acabar expulsa do sistema; outra possibilidade é que ela siga orbitando sua companheira até chegar o momento em que se fundirá a ela e formará ondas gravitacionais — contudo, ainda deve levar alguns bilhões de anos para isso acontecer.
Ori Fox, astrônomo e investigador principal do programa de pesquisas do telescópio Hubble, comemorou a descoberta. “Este é o momento pelo qual estivemos esperando: finalmente observar a evidência de um sistema binário progenitor de uma supernova completamente ‘arrancada’”, disse. “O objetivo é mover esta área de estudo da teoria para o trabalho com os dados, para vermos como estes sistemas realmente são”, finalizou.
O artigo com os resultados do estudo foi publicado na revista The Astrophysical Journal Letters.
Fonte: The Astrophysical Journal Letters; Via: Hubble