Telescópio espacial James Webb é lançado para explorar o início do universo

Telescópio espacial James Webb é lançado para explorar o início do universo

Por Danielle Cassita | Editado por Patrícia Gnipper | 27 de Dezembro de 2021 às 10h51
NASA

O telescópio espacial James Webb (ou "JWST", na sigla em inglês) foi finalmente lançado no último sábado (25) com um foguete Ariane 5, da Arianespace, que decolou às 09h30 (horário de Brasília) da Guiana Francesa. Nos próximos dias, o Webb precisará executar uma sequência complexa de implementações de seus componentes, enquanto segue ao seu ponto orbital a 1,5 milhão de quilômetros da Terra.

Cerca de 27 minutos após o lançamento, os controladores de voo da Arianespace confirmaram que o telescópio se separou com sucesso do estágio superior do foguete. Uma câmera a bordo do estágio do veículo registrou o Webb deixando o componente do veículo e a implantação de seu painel solar, sendo esta uma das últimas imagens do observatório antes de seguir ao seu destino.

Fruto de uma colaboração entre a Agência Espacial Europeia (ESA), a NASA e a Agência Espacial Canadense, o Webb é o maior e mais complexo observatório de ciência espacial já criado. “Lançar o Webb é uma grande celebração da colaboração internacional que tornou esta missão de última geração possível”, comemorou Josef Aschbacher, diretor geral da ESA. “Estamos próximos de ter uma nova visão do universo e as descobertas científicas incríveis que o Webb fará”.

Agora que está no espaço, o telescópio viajará durante um mês até o Ponto de Lagrange 2 (L2), uma região de estabilidade gravitacional a aproximadamente 1,5 milhão de quilômetros da Terra. O período, apelidado de "30 dias de terror", não será nada tranquilo para os membros da missão, já que o Webb irá executar uma grande sequência de implantações de seus componentes. “O observatório tem 50 grandes implantações e 178 mecanismos de liberação para implantar estas 50 partes”, explicou Mike Menzel, gerente de sistemas da missão do Webb.

Ele ressaltou que cada um destes processos precisa funcionar perfeitamente e que nenhum procedimento de tamanha complexidade já foi feito antes. Felizmente, já sabemos que algumas destas etapas já correram bem: além de ter implantado os painéis solares, o Webb executou corretamente um acionamento de seus motores que o colocou na trajetória para o L2 e iniciou a liberação de sua antena, que transmitirá dados científicos.

Foto feita pela câmera do estágio do Ariane 5 após a liberação do Webb. Esta foi a última vez que o telescópio pôde ser visto antes de seguir para o ponto L2 (Imagem: Reprodução/NASA)

Você pode acompanhar o telescópio durante a jornada do próximo mês em uma página disponibilizada pela NASA, que indica a distância atual dele em relação à Terra, quanto do caminho já foi percorrido, entre outras informações.

O que esperar do telescópio James Webb

Bill Nelson, administrador da NASA, comemorou o lançamento e a parceria internacional que possibilitou a missão, e foi além: “a premissa do Webb não é o que sabemos que vamos descobrir; é o que ainda não entendemos ou ainda não conseguimos compreender sobre nosso universo; mal posso esperar para ver o que ele vai nos trazer”. Isso porque o observatório poderá examinar cada fase da história do universo.

Quando iniciar suas operações, o telescópio irá observar as primeiras galáxias que se formaram, o nascimento das estrelas e planetas — incluindo exoplanetas que, talvez, tenham condições de abrigar vida — e, claro, do Sistema Solar. “A ideia inicial era que o Webb observasse o nascimento das primeiras galáxias do universo primordial, mas ele poderá fazer muito mais do que jamais sonhamos”, disse Günther Hasinger, diretor de ciência na ESA.

Estes objetivos científicos foram reunidos em alguns grandes temas. Um deles, voltado para as primeiras estrelas que brilharam no passado, envolve observações de estrelas e galáxias formadas há mais de 13,5 bilhões de anos. Com a grande sensibilidade do JWST, os astrônomos vão poder comparar as galáxias mais antigas e difusas às de hoje, elípticas e espirais, para entender como elas evoluem ao longo de bilhões de anos.

Além disso, o observatório poderá “enxergar” através de nuvens massivas de poeira, que abrigam estrelas e sistemas planetários em formação e são opacas para observatórios que utilizam a luz visível. Por fim, o telescópio poderá ajudar também a desvendar asa atmosferas de exoplanetas e, quem sabe, encontrar os blocos construtores da vida em outros lugares do universo.

Para cumprir tantos objetivos, o Webb conduzirá observações na luz infravermelha. Como o universo está em expansão, a luz dos objetos distantes é desviada para comprimentos de onda maiores na parte vermelha do espectro eletromagnético. Ainda, assim como o Hubble vem fazendo há décadas, o novo observatório também deverá produzir belas imagens de objetos no universo.

Abaixo, você confere a transmissão completa do lançamento:

Fonte: NASA, ESA, Arianespace

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