Superterra a 36 anos-luz leva apenas 2,4 dias para orbitar estrela anã vermelha

Por Danielle Cassita | Editado por Patrícia Gnipper | 16 de Abril de 2021 às 17h00
Reprodução/Sci-News.com

Recentemente, as anãs vermelhas foram objetos de estudos que buscavam exoplanetas em suas órbitas. Assim, ao analisar dados do programa HADES (HArps-n red Dwarf Exoplanet Survey), uma equipe de cientistas liderada por Borja Toledo Padrón, doutorando do Instituto de Astrofísica de Canarias (IAC), descobriu que a estrela GJ 740, que fica a pouco mais de 30 anos-luz de distância da Terra, é orbitada por uma superterra.

Dizemos que um exoplaneta é uma superterra quando ele tem massa equivalente a algumas vezes à do nosso planeta, mas que não chega aos "mininetunos", os exoplanetas gasosos menores que Netuno. Pois bem, este é exatamente o caso do mundo que eles descobriram: o planeta tem massa igual a três vezes a da Terra, e ele orbita sua estrela com período orbital de 2,4 dias. Como o sistema fica perto do Sol e o planeta está bem próximo da sua estrela, este exoplaneta poderá render estudos mais para o fim da década, com os futuros telescópios que ainda serão lançados. 

Representação da superterra e sua estrela anã vermelha (Imagem: Reprodução/Reprodução/Gabriel Pérez Díaz, SMM (IAC)

Padrón, primeiro autor do estudo, explica que o planeta tem o segundo menor período orbital em torno de uma estrela deste tipo: “a massa e o período sugerem um planeta rochoso, que teria raio equivalente a 1,4 do da Terra”, diz, ressaltando que estes dados terão que ser confirmados com o telescópio TESS, que hoje opera em sua missão estendida. Os dados também sugerem que existe um planeta vizinho por lá, que teria período orbital de 9 anos e massa comparável à do Sol. Contudo, serão necessários mais dados para confirmar que há outro mundo por lá, já que o sinal que o “dedurou” pode ter vindo pelo ciclo magnético da estrela. 

O planeta orbita uma anã vermelha, que é um tipo de estrela com temperaturas de superfície que variam entre 2.400 e 3.700 K, o que é cerca de 2.000 ºC mais fria que o nosso Sol. Como elas são frequentes em nossa galáxia e, por terem luminosidade mais baixa, costumam ter zonas habitáveis próximas, estrelas desse tipo de baixa massa são bons alvos para a busca de planetas parecidos com a Terra. Nisso, a missão Kepler é uma daquelas de maior sucesso na busca por exoplanetas por meio do método do trânsito, no qual são observadas pequenas variações no brilho da estrela. Essas variações acontecem pelo deslocamento entre ela e nós, e já permitiram que a missão identificasse 156 desses mundos orbitando estrelas frias.

Ainda, os dados do Kepler revelaram que essas estrelas costumam abrigar 2,5 planetas, com período orbital abaixo de 200 dias. Outro método que pode ser empregado para buscar exoplanetas em torno de estrelas frias é o da velocidade radial, baseado na detecção de pequenas variações na velocidade da estrela, que são causadas pela atração gravitacional do planeta em torno dela. Até o momento, esse método já permitiu a identificação de 116 exoplanetas: “a principal dificuldade desse método é relacionada à intensa atividade magnética desse tipo de estrela, que pode produzir sinais espectroscópicos bem parecidos com aqueles causados por um exoplaneta”, explica Jonay I. González Hernández, co-autor do estudo. 

O artigo com os resultados do estudo foi publicado na revista Astronomy & Astrophysics.

Fonte: IAC, Sci-news

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