Subsidiária da Nanoracks quer cultivar alimentos em estufa orbital

Subsidiária da Nanoracks quer cultivar alimentos em estufa orbital

Por Danielle Cassita | Editado por Patrícia Gnipper | 08 de Setembro de 2021 às 10h02
Nanoracks/Mack Crawford

A Nanoracks, empresa fornecedora de acesso comercial ao espaço, anunciou uma nova expansão. Chamada StarLab Oasis, a subsidiária será sediada nos Emirados Árabes e recebeu apoio do governo local, que importa 90% dos alimentos no país, e abrirá sua primeira estufa experimental no ano que vem. A ideia é que esta seja uma estufa inspirada nas tecnologias desenvolvidas para missões tripuladas na Lua e Marte e, em breve, pode começar a produzir alimentos nos desertos árabes e até na órbita da Terra.

Segundo a empresa, a expansão é a representação do compromisso da Nanoracks com os problemas crescentes que ocorrem atualmente, como a desertificação, mudanças climáticas, escassez de água e segurança alimentar. Assim, a StarLab Oasis irá atuar com foco no avanço do conhecimento e tecnologia de organismos e alimentos produzidos no ambiente espacial. Para isso, a empresa irá contar com a expertise de especialistas em bioengenharia, ciências vegetais, tecnologia de sementes genômicas, robótica, entre outras áreas.

Representação de estufa no interior de um móedulo (Imagem: Reprodução/Nanoracks/Mack Crawford)

Ainda, os cientistas da StarLab Oasis vão enviar sementes ao espaço para induzir mutações para, assim, tentar criar mutações que criem variedades mais resilientes e produtivas de culturas essenciais para a agricultura. Essa técnica, chamada de “mutagênese espacial”, já é usada na China com sucesso há mais de três décadas, tanto que o país é o único no mundo atualmente que tem um programa de cultivo espacial que beneficia seus cidadãos. Allen Herbert, gerente geral da StarLab Oasis, acredita que grande parte da produção sustentável e economicamente viável de alimentos virá um dia dos desertos, ambientes extremos e do espaço.

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Assim, Herbet considera que com a tecnologia desenvolvida pela empresa, será possível cultivar vegetais com mais eficiência no deserto e no espaço graças à grande abundância de energia solar renovável. Como os efeitos progressivos das mudanças climáticas podem prejudicar terras férteis para plantações, agências espaciais em todo o mundo estão em busca de tecnologias que permitam o cultivo sustentável de alimentos em mundos distantes, como a Lua e Marte. É aí que entra o projeto da StarLab Oasis: eles esperam comercializar os projetos em desenvolvimento para auxiliar países que não conseguem alimentar suas populações sem ajuda internacional, que poderão se tornar produtores autossuficientes.

Herbert afirmou que Abu Dhabi está dedicando grandes investimentos à pesquisa e desenvolvimento de tecnologias agrícolas. “A questão é muito mais urgente para eles do que para os EUA ou o Reino Unido, por exemplo, que importam muito menos alimentos”, explicou. Nesse contexto, a expectativa da StarLab Oasis é que as estufas e as novas variedades de culturas mais resistentes ajudem a transformar a agricultura em regiões dependentes da importação. “Até o ano 2100, o esperado é que dois terços da população mundial vivam nessas regiões”, disse Herbert. “Estamos muito animados com nosso trabalho porque acreditamos que Abu Dhabi se tornará um centro importante para isso”.

Fonte: Space.com, Nanoracks

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