Startup ucraniana quer usar tecnologia soviética para manutenção de satélites

Startup ucraniana quer usar tecnologia soviética para manutenção de satélites

Por Danielle Cassita | Editado por Patrícia Gnipper | 11 de Março de 2021 às 15h10
Reprodução/Kurs Orbital

A Kurs Orbital, uma startup da Ucrânia, está trabalhando no Kurs One, um veículo de manutenção que irá funcionar com o sistema de Kurs, tecnologia criada pela União Soviética na década de 1980. Fundada por Volodymyr Usov, ex-diretor da State Space Agency of Ukraine (SSAU), a ideia é que um veículo de demonstração seja lançado em dois anos. 

Após deixar a SSAU, Usov se juntou a outros empreendedores para abrir uma empresa de manutenção de satélites e, depois, conseguiram os direitos da manobra de Kurs. Trata-se de uma tecnologia desenvolvida pelos soviéticos com o objetivo de acoplar veículos à antiga estação espacial Mir, tudo por meio de um sistema de telemetria. Posteriormente, o sistema foi atualizado para permitir que os veículos Soyuz fossem acoplados à Estação Espacial Internacional, e já permitiu 300 acoplagens com sucesso desde 1985.

Embora a Kurs Orbital tenha os direitos para usar o sistema soviético original, Usov explica que a empresa está desenvolvendo um módulo próprio, com visão de máquinas, radar e robótica. Este sistema deverá permitir o acoplamento automático mesmo com objetos não cooperativos, como detritos espaciais, e também elimina a necessidade de passar anos de desenvolvimento e investimentos para a criação de um sistema totalmente novo.

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A empresa deverá focar seus serviços nos satélites comerciais geoestacionários, o mesmo setor em que a empresa Northrop Grumman vem se destacando com seu satélite Mission Extension Vehicle. Mesmo que a Kurs Orbital esteja alguns anos atrasada em relação à sua concorrente, eles já alcançaram U$ 6 milhões em uma primeira rodada de investimentos, que serão destinados ao veículo de demonstração que vai realizar a manobra com um objeto na órbita baixa da Terra. O veículo deverá realizar manobras para alcançar o satélite desejado para a manutenção, realizar os procedimentos e, por fim, liberá-lo

Nos próximos anos, deverão ser obtidos mais fundos para o desenvolvimento de uma frota de veículos reutilizáveis por volta de 2025, que vão realizar serviços de desórbita e deverão representar até 70% dos negócios da empresa. Usov vê este processo como algo bastante interessante para os futuros clientes, porque vai permitir que os operadores de satélite sejam beneficiados imediatamente. Quando os satélites fora de operação vão para a órbita de “cemitério” ao ficarem sem combustível, a manutenção pode estender a operação destas espaçonaves por mais alguns meses, o que permite que os operadores consigam obter receita por mais tempo.

A proposta é promissora, mas como ainda não há padrões claros sobre as operações técnicas e a segurança delas, a indústria pode ficar acuada com o serviço inicialmente: “o ecossistema de serviços na órbita não vai ser possível sem padrões claros de segurança e tecnologia”, concorda Usov. De qualquer forma, existe uma iniciativa em andamento, liderada pela indústria, para desenvolver os padrões necessários para as operações em questão. Este regulamento deverá tornar o desenvolvimento da tecnologia dos serviços em órbita mais sustentável tanto para os players do mercado como para o público. Assim, a empresa espera o futuro dos serviços de manutenção com otimismo.

Fonte: Spacenews

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