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Sonda da NASA faz manobra arriscada e descobre mais um ciclone em Júpiter

Por| 13 de Dezembro de 2019 às 20h50

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NASA/JPL-Caltech/SwRI/MSSS
NASA/JPL-Caltech/SwRI/MSSS
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A sonda Juno realizou sua 22ª passagem por Júpiter com uma nova descoberta. De acordo com o Jet Propulsion Lab, da NASA, a sonda registrou, em 3 de novembro, um novo ciclone no polo sul do planeta, durante uma viagem que preocupou os cientistas por conta do risco de uma nave movida a energia solar passar pela sombra do gigante gasoso.

Havia o perigo de a passagem marcar o fim da missão. A sonda Juno teve que atravessar uma grande área sem luz solar, e os cientistas temiam que a espaçonave chegasse do outro lado totalmente congelada. “A combinação de criatividade e pensamento analítico mais uma vez teve grande valor para a NASA”, celebrou Scott Bolton, cientista-chefe da missão.

“Percebemos que a órbita levaria Juno para a sombra de Júpiter, o que poderia ter graves consequências porque somos movidos a energia solar. Sem luz do sol, e sem energia, então havia o risco real de congelarmos até a morte”, explicou Bolton. “Enquanto a equipe tentava descobrir como conservar energia e manter o núcleo aquecido, os engenheiros vieram com uma maneira totalmente nova de resolver o problema: pular a sombra de Júpiter”.

De acordo com o pesquisador, o “golpe de navegação genial” permitiu que, ao chegar do outro lado, a sonda fizesse uma nova “descoberta fundamental”: um sétimo ciclone se formou no polo sul joviano, unindo-se ao antes considerado exclusivo clube que tinha apenas seis membros, cinco deles formando uma espécie de pentágono em volta de uma tempestade central, sem darem sinais de que algum dia aceitariam a chegada de novos ciclones na área.

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Menor, mas ainda sim um membro do clube

Os dados do instrumento Jovian Infrared Auroral Mapper (JIRAM) indicam que esse novo ciclone mudou o pentágono de tempestades que circulavam o sexto ciclone para um hexágono. “Essa nova adição é menor em estatura do que os seis irmãos mais estabelecidos: tem cerca do tamanho do Texas. Talvez os dados do JIRAM em voos futuros mostrem que ele está crescendo para o tamanho dos vizinhos”, observou Alessandro Mura, outro pesquisador da missão Juno.

O JIRAM faz leituras de luz infravermelha do que acontece cerca de 50 km a 70 km abaixo do topo das nuvens de Júpiter. As leituras mostram que os ventos do novo ciclone têm em média velocidade de 362 km/h, comparável à dos seis irmãos. A câmera JunoCam também tirou fotos reais do novo ciclone, e os dados ajudam pesquisadores a compreender a atmosfera de outros gigantes gasosos, como Saturno, Urano e Netuno, também — além de um pouco dos ciclones terrestres.

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“Esses ciclones são novos fenômenos climáticos que não foram vistos ou previstos antes”, disse Cheng Li, cientista que também trabalha com a sonda Juno. “A natureza está revelando novas físicas a respeito de movimentos fluidos e como a atmosfera de planetas gigantes funciona”, explicou. Já estão sendo feitas simulações em computadores considerando esses novos dados, e Li acredita que “futuras passagens da Juno vão nos ajudar a refinar nosso entendimento ao revelar como os ciclones evoluem com o tempo”.

Desvio de rota pela sobrevivência

A Juno orbita Júpiter desde julho de 2016, levando cerca de 53 dias para completar uma volta no planeta. Desde o início da missão observacional no gigante gasoso, os cientistas sabiam que chegaria um dia que, fatalmente, a espaçonave passaria por trás do planeta, ficando horas sem receber a luz solar, fonte de sua energia.

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“Desde o dia em que entrou na órbita ao redor de Júpiter, fizermos questão de mantê-la banhada de luz do Sol 24 horas por dia, 7 dias por semana”, disse Steve Levin, cientista do projeto da sonda. “Nossos navegadores e engenheiros nos disseram um dia teríamos que ficar cerca de 12 horas na sombra de Júpiter. Sabíamos que um período tão extenso sem energia poderia levar a espaçonave a um destino similar ao do rover Opportunity”, avaliou.

O Opportunity explorava Marte há anos, mas ficou preso em uma intensa tempestade de poeira que durou meses, o que impediu a chegada da luz solar à superfície e, consequentemente, o rover ficou sem energia, não sobrevivendo quando a tempestade enfim se dissipou. Mas orover teve vida longa em Marte, trabalhando de 2004 até o final do ano passado. A situação de Juno era um pouco diferente: se passasse pela sombra de Júpiter, a sonda passaria por temperaturas muito abaixo das que foram testadas, correndo o risco de não voltar a funcionar mesmo depois que voltasse a receber luz do Sol em seus painéis.

Para evitar um desastre, os navegadores ligaram um dos motores por cerca de 10,5 horas algumas semanas antes da passagem por trás do planeta, desviando a sonda dessa área gelada do espaço. Essa mudança de rota permitiu à sonda avistar o novo ciclone. E, apesar de o tempo que o motor ficou ligado ter sido bem superior a todas as outras vezes em que a NASA fez algo parecido, e ter consumido 73 kg de combustível, o risco valeu a pena.

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“Graças aos nossos navegadores e engenheiros, ainda temos uma missão”, celebrou Bolton. “O que eles fizeram foi mais do que apenas tornar a descoberta do ciclone possível: eles tornaram possíveis novas descobertas sobre Júpiter que estão por vir”, finalizou.

Fonte: NASA