Sonda da ESA encontra novos vestígios de ozônio e dióxido de carbono em Marte

Por Danielle Cassita | 28 de Julho de 2020 às 13h39

A sonda Trace Gas Orbiter (TGO), da Agência Espacial Europeia (ESA), fez uma descoberta inesperada: após um ano - que, neste caso, é o ano marciano - de observações, a sonda encontrou sinais dos gases ozônio e dióxido de carbono onde era esperado haver metano. O estudo foi liderado por Kevin Olsen e Alexander Trokhimovskiy, da Universidade de Oxford e Instituto de Investigação Espacial da Academia Russa de Ciências, respectivamente. Eles publicaram suas conclusões em artigos da revista Astronomy & Astrophysics. 

O que mais chamou a atenção deles foi que, até então, os cientistas só haviam observado variações no ozônio da atmosfera marciana em relação à altitude em estudos com feitos com luz ultravioleta, que identificava o gás em grandes altitudes. Isso indica que o ozônio de Marte também pode ser encontrado por meio de raios infravermelhos, o que permite que os pesquisadores estudem seu comportamento em altitudes menores para entenderem seu papel no clima de Marte.

“Eles estão exatamente na faixa do comprimento de onda em que nós esperávamos ver os sinais mais fortes de metano. Antes dessa descoberta, o gás carbônico era completamente desconhecido. Essa é a primeira vez que que o ozônio foi identificado em Marte nessa faixa do comprimento de onda infravermelha”, explica Olsen. A atmosfera de Marte tem grandes quantidades de gás carbônico, que regula as estações e a circulação de ar por lá, enquanto o ozônio é responsável pela estabilidade química da atmosfera. A sensibilidade do instrumento presente na TGO foi essencial para os pesquisadores entenderem como ocorrem as interações destes gases com a luz. 

Composição química da atmosfera de Marte e Terra (Imagem: ESA)

Os sinais do gás metano em Marte já foram estudados em outras missões, como a Mars Express e o rover Curiosity. Acontece que, na Terra, o metano é produzido por seres que vão desde as bactérias até os humanos. Assim, encontrar metano em Marte é significativo porque abre possibilidades sobre a origem do gás, que deve ter sido produzido em um passado relativamente recente.

Os resultados que Alexander e Kevin analisaram foram coletados em momentos diferentes daqueles em que as detecções de metano ocorreram. Além disso, os dados que a sonda obteve são suficientes para explicar apenas quantias menores do gás, o que não tira a validade do que foi encontrado em missões anteriores - muito pelo contrário, esclarece o professor Kevin.  “Em vez de contestar qualquer reivindicação anterior, esta descoberta é uma motivação para todas as equipes olharem isso mais de perto”, comenta ele. 

Essas descobertas são importantes para a busca de vida por lá. Como seu próprio nome sugere, a TGO busca possíveis vestígios de gases na atmosfera do Planeta Vermelho, que podem ter sido gerados a partir de processos geológicos ou biológicos. Assim, cada informação revelada pela TGO é mais um passo dado para compreender os mistérios que Marte esconde, explica Kevin. "Juntos, estes dois estudos dão um passo significativo em direção à revelação das verdadeiras características de Marte: em direção a um novo nível de precisão e compreensão".

Fonte: ESA

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