Sinais misteriosos de rádio podem ser provenientes da matéria escura

Por Patrícia Gnipper | 19 de Junho de 2018 às 14h54

Radioastrônomos há décadas vêm se dedicando a ouvir sinais de rádio provenientes do espaço que podem ter sido emitidos por civilizações alienígenas tecnologicamente inteligentes. Mas, de acordo com João Rosa, físico da Universidade de Aveiro, em Portugal, tais sinais misteriosos podem ter vindo da matéria escura, sendo, portanto, algo natural do espaço.

Desde 2007, foram registradas dezenas de explosões espaciais seguidas por sinais de rádio, sendo que muitas delas aconteceram há milhões de anos em galáxias situadas a centenas de milhões de anos-luz da Terra. Em seu estudo, Rosa procurava mostrar que a instabilidade dos buracos negros em rotação leva à emissão de radiação eletromagnética.

Quando dois buracos negros pequenos e mais leves se encontram, eles formam um sistema binário e acabam colidindo, formando um novo buraco negro mais pesado. E se tais buracos negros forem suficientemente leves, pode ser que o buraco negro resultante de sua colisão se torne instável. "Essa instabilidade superradiante, como é conhecida, força o buraco negro a reduzir sua velocidade de rotação através da produção de áxions em sua vizinhança, sob a forma de uma densa nuvem em torno do buraco negro, aproximadamente com a forma de um donut", explica o físico.

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Sim, essa instabilidade já era prevista na teoria há mais de 40 anos, mas, até agora, ninguém havia notado que os axiões podem ser igualmente instáveis, produzindo um "efeito dominó" de fótons que podem produzir um número muito elevado dessas partículas de luz. João Rosa mostrou, em seu estudo, que as nuvens de axiões formadas em torno de pequenos buracos negros primordiais podem ser tão densas, que bastaria um pequeno número de fótons para estimular o decaimento de um número elevado de áxions, produzindo um laser extremamente potente e luminoso.

“Os nossos resultados sugerem assim que estas potentes explosões celestiais possam ter origem na própria matéria escura, sob a forma de áxions e buracos negros primordiais”, explica. Segundo o físico, isso poderá “constituir um novo laboratório astrofísico para testar a natureza da matéria escura, o seu papel na física de partículas elementares e também as condições extremas no Universo logo após o Big Bang”.

Fonte: Pplware

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