Sinais misteriosos de rádio do espaço serão detectados em tempo real por nova IA

Por Daniele Cavalcante | 15 de Agosto de 2019 às 10h11
Commonwealth Scientific and Industrial Research Organisation

Os misteriosos sinais de rádio continuam chegando do espaço até os telescópios dos pesquisadores aqui na Terra, e ainda não foi encontrada nenhuma explicação sobre suas origens. Desde que o primeiro foi encontrado em 2007, algumas teorias foram propostas, mas ninguém conseguiu ainda provar o que são essas rajadas rápidas de rádio (chamadas de FBR), ou de onde vieram. Agora, astrônomos estão usando inteligência artificial para identificar a fonte desses sinais de padrões tão estranhos.

Normalmente, esses sinais ​​são encontrados somente depois de chegarem à Terra, quando os astrônomos percebem picos fora do comum nos dados recolhidos pelos instrumentos - às vezes isso demora anos. As ondas de rádio têm estruturas complexas e misteriosas, padrões de altos e baixos que se reproduzem apenas em alguns milissegundos. Esse não é o tipo de sinal que os astrônomos esperam vir de nenhum dos eventos conhecidos por emitir picos de energia eletromagnética pelo espaço.

Disposto a investigar mais profundamente esse mistério, Wael Farah, um estudante de doutorado da Universidade de Tecnologia de Swinburne, em Melbourne, Austrália, desenvolveu um sistema de aprendizado de máquina treinado para detectar os FRBs.

Contornando limitações

O Molonglo Radio Observatory, Austrália

Muitos instrumentos científicos produzem mais dados por segundo do que são de fato capazes de armazenar e, por isso, acabam por não gravar os eventos em seus mínimos detalhes, exceto as observações mais interessantes. Por isso, o sistema de Farah foi usado para treinar o radiotelescópio Molonglo para detectar as FRBs e passar para o modo de gravação mais detalhado. Com isso, foram registrados os melhores dados dos sinais de rádio até o momento.

A maior vantagem do sistema de Farah é que ele detecta os sinais em tempo real, e não um tempão após terem sido captados pelos instrumentos. Só para se ter uma ideia de como poderia demorar para encontrar os sinais, o primeiro FRB, detectado em 2007, foi descoberto em dados de observações registradas em 2001. A maioria das outras detecções também foi feita a partir da análise posterior de dados.

Farah afirma que parte de sua motivação para essa iniciativa é que as rajadas podem ser usadas para estudar as partes mais escuras do cosmos. "É fascinante descobrir que um sinal que viajou pela metade do Universo, alcançando nosso telescópio depois de uma jornada de alguns bilhões de anos, exibe uma estrutura complexa, como picos separados por menos de um milissegundo", disse ele.

O sistema de IA usado no Observatório de Rádio Molonglo já identificou cinco FRBs, incluindo uma das mais poderosas já captadas. Este é apenas o primeiro passo para uma pesquisa mais detalhada sobre o assunto, mas o estudo mostrou o que os cientistas já desconfiavam: os sinais nunca se repetem. Cada um parece ter origem em um evento singular no espaço que nunca mais acontecerá.

Fonte: Live Sciencie

Gostou dessa matéria?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.