Satélites privados se acoplam no espaço pela 1ª vez para manutenção robótica

Satélites privados se acoplam no espaço pela 1ª vez para manutenção robótica

Por Daniele Cavalcante | 02 de Março de 2020 às 23h50
SpaceFlight Insider/ Nathan Koga

Pela primeira vez, um satélite comercial atracou com outro satélite em órbita terrestre. A ideia é demonstrar se satélites no fim de suas capacidades de operação poderiam ser reabastecidos e receber manutenção de outros satélites, projetados para realizar esse tipo de serviço. Essa tecnologia poderia ajudar a reduzir a proliferação de lixo espacial, que em grande parte é formado por satélites “mortos”.

O satélite que realizou o teste foi o Mission Extension Vehicle-1 (MEV-1), da Northrop Grumman. Ele atracou com um Intelsat 901, um satélite de comunicação que está em órbita há 18 anos. "Esta é a primeira vez na história que um acoplamento é realizado com um satélite que não foi pré-projetado para um acoplamento", disse Joe Anderson, vice-presidente da SpaceLogistics, uma subsidiária da Northrop Grumman.

Lançado em outubro no foguete russo Proton, o MEV-1 percorreu mais de 40.000 quilômetros acima da superfície da Terra, logo acima da órbita geossíncrona - que é a região onde a rotação dos objetos acompanha exatamente a rotação da Terra. Então, ele atracou com o Intelsat 901, que está funcionando bem, mas com pouco combustível e condenado à aposentadoria em poucos meses.

Para realizar a demonstração, a Intelsat retirou de serviço seu satélite de comunicações em dezembro e o elevou à mesma altitude que o MEV-1. Então, a Northrop Grumman conseguiu acoplar o MEV-1 no satélite e permanecerá conectado, alimentando o Intelsat com seus propulsores elétricos. Após os testes dos sistemas, o MEV-1 levará o satélite a uma nova órbita operacional no final de março ou no início de abril.

Após estender a vida útil do Intelsat 901 por mais cinco anos, o MEV-1 finalmente vai empurrá-lo para uma órbita mais alta, conhecida como “órbita cemitério”, onde será desativado sem oferecer o risco de colidir com outros satélites funcionais. O próprio MEV-1 foi projetado para durar 15 anos e, após o desencaixe com o Intelsat, poderá ser enviado para ajudar outro satélite.

Tudo isso será feito quando uma empresa contratar os serviços da Northrop Grumman. Mesmo para essa demonstração, a Intelsat assinou um contrato e as duas empresas se recusaram a falar sobre preços. Seja como for, estender a vida útil de um satélite deve ser bem mais econômico do que enviar outro para substituí-lo. Um segundo satélite MEV será lançado ainda este ano, para reparo de outro Intelsat.

De acordo com a Northrop Grumman, o foco por enquanto é o reparo de satélites em órbitas geossíncronas, que normalmente são maiores, mais complexos e mais caros. Mas uma tecnologia similar ao MEV pode futuramente ser usada para arrastar satélites abandonados para fora da órbita baixa da Terra, reduzindo assim os riscos cada vez maiores de colisões por lá.

Empresas como SpaceX e OneWeb estão colocando em prática os planos de lançar constelações de milhares de novos satélites na baixa órbita da Terra, o que certamente aumentará muito as chances de colisões. Em janeiro, dois satélites “mortos”, sem capacidade de manobra, quase se chocaram a mais de 50.000 km/h acima de Pittsburgh. Soluções como o MEV poderão reduzir as chances de algo assim acontecer.

Fonte: The New York Times

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