Pesquisadores sugerem que viagens a Marte devem incluir Vênus no trajeto

Por Danielle Cassita | 08 de Julho de 2020 às 21h00
NASA

Explorar o Planeta Vermelho já deixou de ser apenas um sonho e se tornou algo real, uma vez que a ciência já vem estudando Marte, presencialmente, há décadas — ainda que, por enquanto, somente com o uso de sondas orbitais e rovers percorrendo a sueprfície. Agora mesmo em julho, inclusive, três novas missões serão lançadas para lá, incluindo o rover Perseverance, da NASA, que buscará sinais de vida no passado marciano. E há planos concretos de levar os primeiros humanos para lá na década de 2030.

Em um primeiro olhar, é comum pensar em uma missão com trajeto direto a Marte, sem nenhum tipo de desvio. Entretanto, pesquisadores da Universidade John Hopkins acreditam que talvez essa não seja a melhor opção. Para eles, incluir Vênus no planejamento da ida ou volta pode ajudar a reduzir custos e tempo; dessa forma, sobrevoar Vênus não seria simplesmente uma opção, mas sim uma parte essencial da missão. Essas ideias constam em um estudo que ainda será revisado por pares e publicado na revista Acta Astronautic

Marte fotografado pela sonda Viking (Imagem: NASA/Viking Project)

Existem duas formas ir a Marte com a Terra como ponto de partida: a primeira e mais simples é uma missão de conjunção, na qual uma espaçonave voa entre os dois planetas quando eles se alinham em suas órbitas — o que está acontecendo agora em julho de 2020 e, por isso, acompanharemos três lançamentos para lá no mesmo mês.

Mas se pensarmos em uma missão tripulada, temos que considerar também a viagem de volta. Esses astronautas teriam que esperar os planetas se alinharem novamente depois de chegarem a Marte para conseguirem voltar à Terra, e o alinhamento necessário para a missão de conjunção só ocorre a cada 26 meses.

Vênus, o "planeta infernal" (Imagem: NASA)

A outra opção é uma missão de oposição, que pode ser realizada tanto na viagem de ida a Marte ou na volta à Terra. Nesse caso, uma nave teria que passar por Vênus para aproveitar a gravidade do planeta como um “empurrãozinho” para alterar seu curso. A grande vantagem aqui é a redução de energia necessária para a viagem, o que também reduz custos - sem falar na segurança, pois é mais fácil ir de Vênus para a Terra caso aconteçam imprevistos.

Por isso, esse é a alternativa apoiada pelos pesquisadores. Para Paul Byrne, geólogo planetário da Universidade do Estado da Carolina do Norte, vale mais a pena voar por Vênus para ter um apoio gravitacional no caminho a Marte.

Um destino de possibilidades

Além da grande importância nas missões destinadas a Marte, Vênus também tem grande potencial para pesquisas e estudos. Algumas sondas robóticas já conseguiram reunir grande quantidade de dados através de observações no planeta. Mesmo assim, um horizonte de possibilidades pode se abrir em missões tripuladas, principalmente se for possível levar rovers e sondas.

Por exemplo: os astronautas que estiverem na missão não teriam que se preocupar com pequenos atrasos causados pelo tempo de viagem da luz do Sol que é breve - algo entre 5 e 28 minutos - e depende do tempo que a luz demora para viajar entre a Terra e Vênus.

(Imagem: NASA)

Assim, a equipe poderia utilizar rovers na superfície e a nave na atmosfera em tempo real, utilizando headsets e joysticks. Parece usual, mas é algo que não seria feito com tanta facilidade em uma missão robótica.

Aliás, para Kirby Runyon, geomorfologista planetário da Universidade Johns Hopkins, pode ser que a NASA tenha uma missão de oposição nos planos, uma vez que o relatório que a agência lançou em abril menciona uma missão em Marte com dois anos de duração. Para ele, se esse relatório se referir a formas normais de propulsão, o único jeito de ir e voltar de Marte nesse período é com um sobrevoo por Vênus.

Fonte: Space.com

Gostou dessa matéria?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.