Novo mapa do gelo em Marte pode indicar locais de pouso e bases para astronautas

Por Danielle Cassita | 09 de Fevereiro de 2021 às 17h30
NASA

Para que as futuras missões tripuladas em Marte tenham sucesso, será preciso construir uma base para os astronautas — e que, de preferência, esteja perto da água. Assim, desde 2015, a NASA vem trabalhando com cientistas e engenheiros para tentar identificar onde estariam os locais com as maiores chances de encontrar depósitos de gelo acessíveis, por meio da iniciativa Water Ice Mapping, ou apenas “SWIM”. Agora, os primeiros resultados deste estudo foram divulgados.

Os cientistas acreditam que a água congelada subterrânea mais acessível está abaixo da região polar no hemisfério norte do planeta, que conta com as planícies de Arcadia Planitia e os vales congelados de Deuteronilus Mensae. Essas regiões representam locais com maiores chances de identificar gelo, além de mais calor e luz solar. Assim, a NASA direcionou o projeto para descobrir o quão próximo do equador seria possível encontrar gelo subterrâneo.

Observação da sonda Mars Reconnaissance Orbiter, que mostra uma cratera aberta por um meteorito com gelo exposto (Imagem: Reprodução/NASA/JPL-Caltech/Univ. of Arizona)

Para investigar a questão, a equipe do projeto analisou os dados coletados nas últimas duas décadas pelas sondas Mars Reconnaissance Orbiter, Mars Odyssey e Mars Global Surveyor: “imagine que traçamos uma linha por Marte para representar a fronteira do gelo; com esses dados, podemos traçar a linha com uma caneta fina ao invés de um marcador grosso, para focar nas partes da linha mais próximas ao equador”, explica Sydney Do, líder do projeto no JPL.

Mesmo assim, não é fácil saber onde o gelo está escondido, e como os dados das sondas identificaram diferentes propriedades físicas que podem indicar a ocorrência da água congelada, fica difícil combiná-los: “é por isso que definimos a consistência de um sinal do gelo, que mostra áreas onde conjuntos de dados múltiplos indicam que a água congelada está presente”, diz ele. “Então, se todos os cinco conjuntos de dados apontarem para o gelo — bingo!”.

Agora, a equipe liberou os primeiros resultados obtidos, que mostram informações bastante animadoras para futuras missões tripuladas. Ao focar em áreas do hemisfério norte do planeta, o mapa que a equipe criou indica que existem grandes regiões em latitudes médias com evidências de gelo, sendo que a água congelada estaria enterrada a profundidades que variam de alguns centímetros a 1 km.

No mapa da esquerda, a área cinza mostra a zona do gelo, junto da área estudada em roxo; já no da direita, as áreas em azul indicam gelo enterrado, e as em vermelho, a ausência de gelo (Imagem: Reprodução/Planetary Science Institute)

Apesar de o estudo não indicar locais específicos para pouso que também sejam próximos de onde haveria gelo, é mesmo assim um recurso importante para aqueles que planejarem as missões: "é claro que levar humanos em segurança para Marte e garantir a sobrevivência exige várias outras considerações além do uso dos recursos de água, incluindo a segurança no local de pouso e especificações solares", finaliza Gareth Morgan, líder do estudo.

Definir estes requisitos fica além do escopo do projeto SWIM e, de qualquer forma, ainda é cedo para falar disso, já que todas as missões que envolvem humanos em Marte ainda estão em etapas conceituais. Mesmo assim, essa perspectiva hemisférica da distribuição do gelo será um suporte importante para a realização dos primeiros estudos dos locais de pouso.

O artigo com os resultados do estudo foi publicado na revista Nature Astronomy.

Fonte: Space.com, JPL

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