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Novo mapa da Via Láctea parece revelar "fósseis" de braços espirais antigos

Por| Editado por Patricia Gnipper | 14 de Dezembro de 2021 às 19h40

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ESA
ESA

Um novo mapa do disco externo da Via Láctea foi produzido a partir de dados da missão espacial Gaia, da Agência Espacial Europeia (ESA). Os astrônomos que participaram da criação do novo mapa, liderados por Chervin Laporte, da University of Barcelona, descobriram novas estruturas — incluindo evidências de "fósseis" de braços espirais da nossa galáxia.

A Gaia foi lançada em 2013 para criar o maior e mais preciso mapa tridimensional da Via Láctea com base em aproximadamente 1% dos 100 bilhões de estrelas dela. Assim, a equipe trabalhou com dados de movimento da missão para identificar estruturas coerentes, e o mapa resultante mostrou a existência de filamentos nas bordas do disco galáctico que, até então, eram desconhecidos.

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Apesar de simulações numéricas já terem previsto a formação destas estruturas, a quantidade daquelas reveladas pelo mapa era inesperada, e representa um mistério para os autores. Segundo Laporte, esta região da Via Láctea foi muito pouco explorada devido à poeira, que oculta grande parte do plano galáctico médio. “Embora a poeira afete a luminosidade de uma estrela, seu movimento não é afetado”, disse. “Ficamos muito empolgados em ver que os dados de movimento do Gaia nos ajudaram a descobrir estas estruturas filamentares”.

Ainda não se sabe ao certo o que as estruturas podem ser, mas elas podem estar relacionadas ao passado da Via Láctea. É possível que elas sejam o que sobrou dos braços do disco da nossa galáxia, que interagiram com outras em diferentes momentos e sofreram os efeitos das forças de maré. Hoje, a Via Láctea interage somente com a galáxia anã Sagitário, mas no passado já foi perturbada por Gaia-Enceladus, galáxia satélite devorada pela Via Láctea, cujos detritos seguem espalhados.

Em outro estudo, os mesmos autores mostraram que os filamentos de um fluxo no disco externo da Via Láctea tinham estrelas com idade predominante acima dos 8 bilhões de anos, o que as torna antigas demais para serem afetadas somente por Sagitário; portanto, elas podem, na verdade, ter interagido com Gaia-Enceladus. Por fim, existe ainda um cenário que sugere que estas estruturas talvez não sejam os ditos “fósseis”.

Neste caso, elas seriam distorções verticais em larga escala do disco da Via Láctea. Laporte explica que os autores consideram que os discos respondem a impactos de galáxias satélite em ondas verticais, que se espalham como a ondulação na superfície de um lago. Agora, para tentar diferenciar tantas explicações, a equipe trabalhará em um programa de acompanhamento com o telescópio William Herschel, para estudar as propriedades das estrelas em cada estrutura.

O artigo com os resultados do estudo será publicado na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society: Letters.

Fonte: Monthly Notices of the Royal Astronomical Society: Letters.; Via: Royal Astronomical Society, NASA