Estrelas da Via Láctea revelam mais sobre fusão com outra galáxia no passado

Por Danielle Cassita | Editado por Patrícia Gnipper | 18 de Maio de 2021 às 15h00
twenty20photos/Envato

Em um novo estudo, uma equipe de pesquisadores aplicou um método relativamente novo para identificar, com a maior precisão possível, a idade de uma amostra de 100 estrelas gigantes vermelhas em nossa galáxia. Assim, os resultados trouxeram as melhores evidências de quando a Via Láctea se formou — incluindo a colisão com uma galáxia satélite ocorrida há dez bilhões de anos, que determinou o formato da Via Láctea como a vemos hoje.

Os autores trabalharam com diferentes técnicas e fontes de dados para o estudo. Então, para conseguir a determinar com precisão a idade das estrelas, a equipe aplicou a asterosismologia, uma área relativamente nova que analisa a estrutura interna das estrelas por meio das oscilações, as ondas de que se movem pelo interior delas. “Com isso, conseguimos idades bem precisas, que são importantes para determinarmos a cronologia de quando os eventos aconteceram na Via Láctea primordial”, explica Mathieu Vrard, um dos autores.

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Representação do encontro da Via Láctea com a galáxia satélite, ocorrido há cerca de 10 bilhões de anos (Imagem: Reprodução/V. Belokurov/ESO/Juan Carlos Muñoz)

Além disso, eles também utilizaram o APOGEE, um equipamento espectroscópico que fornece a composição química das estrelas, como outra fonte de informação para ajudar a determinar a idade delas: “mostramos o grande potencial da asterosismologia em combinação com a espectroscopia, para determinar a idade de estrelas individuais”, comentou Josefina Montalban, autora que liderou o estudo. Assim, juntando os dados das estrelas a outros, os pesquisadores mostraram o que aconteceu durante a fusão da Via Láctea com Gaia-Enceladus, uma galáxia satélite.

Fiorenzo Vicenzo, co-autor do estudo, explica que, quando isso aconteceu, a Via Láctea já tinha sua própria população de estrelas — tanto que muitas dessas “feitas em casa” acabaram no disco espesso mais ao centro da galáxia, enquanto a maioria que foi capturada durante a colisão foi para o halo externo. O cálculo da idade das estrelas determinou, pela primeira vez, que aquelas que eram de Gaia-Enceladus têm idades similares ou são mais jovens quando comparadas à maioria das estrelas nascidas na Via Láctea. Além disso, a fusão foi tão violenta que aumentou a excentricidade das órbitas das estrelas que já estavam por aqui.

Vicenzo compara os movimentos das estrelas com um baile: as de Gaia-Enceladus “dançam” de forma um pouco diferente daquelas que foram formadas na Via Láctea, e também há diferenças na “vestimenta” delas, já que têm composição diferente daquelas nascidas em nossa galáxia. Os pesquisadores explicam que este estudo foi um passo inicial, e agora querem aplicar a mesma técnica para amostras mais amplas, além de incluir formações mais discretas do espectro. “Eventualmente, isso vai nos levar a uma visão bem mais nítida da formação e evolução da Via Láctea, criando uma linha do tempo de como nossa galáxia se formou”, finaliza ele.

O artigo com os resultados do estudo foi publicado na revista Nature Astronomy.

Fonte: SpaceDaily

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