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Aglomerado de galáxias "Árvore de Natal" tem estrela misteriosa

Por| Editado por Patricia Gnipper | 10 de Novembro de 2023 às 10h44

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NASA, ESA, CSA, STScI, J. M. Diego, Jordan C. J. D’Silva
NASA, ESA, CSA, STScI, J. M. Diego, Jordan C. J. D’Silva

A NASA e a Agência Espacial Europeia publicaram uma nova foto de MACS0416, um grande aglomerado de galáxias. Desta vez, ele foi observado pelos telescópios James Webb e Hubble, que criaram o que as agências espaciais descreveram como “a visão mais colorida do universo”.

O título não foi dado sem motivo. “Chamamos MACS0416 de Aglomerado da Árvore de Natal, porque é muito colorido e por causa das luzes piscantes que encontramos dentro dele”, disse Haojing Yan, pesquisador que liderou a equipe do novo estudo.

Graças às capacidades dos telescópios espaciais, a imagem revela várias galáxias fora do aglomerado e fontes luminosas com brilho que varia, provavelmente em função de lentes gravitacionais. Este aglomerado foi observado durante o programa Frontier Fields, iniciado em 2014.

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Na época, o Hubble foi o telescópio pioneiro na procura pelas galáxias mais jovens e com brilho mais fraco já registrado. Agora, o Webb expande a visão da região, revelando objetos ainda mais distantes com sua sensibilidade à luz infravermelha.

Confira:

Na nova foto, os comprimentos de onda mais curtos aparecem em azul, e os mais longos, em vermelho; os intermediários estão em verde. Além da beleza, as cores indicam aos astrônomos as distâncias dos objetos.

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As galáxias mais azuladas estão mais próximas, têm intensa formação estelar, e são melhor identificadas pelo Hubble. Já as avermelhadas tendem a estar mais longe, e são melhor observadas pelo Webb. Existem ainda galáxias que parecem ser vermelhas porque têm grandes quantidades de poeira, que absorve os comprimentos de luz do azul.

Objetos transientes no aglomerado de galáxias

Não dá para negar que as novas observações do Webb deixaram a imagem ainda mais impressionante, mas vale lembrar que elas foram feitas com um objetivo específico: os cientistas combinaram as novas observações a outro conjunto para tentar encontrar transientes, os objetos cujo brilho varia ao longo do tempo.

Deu certo: eles descobriram 14 transientes na área observada. Deles, 12 estavam em três galáxias bastante ampliadas por lentes gravitacionais, e provavelmente são estrelas individuais ou sistemas estelares múltiplos. Os outros dois estão em galáxias ao fundo, e parecem ser supernovas.

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A estrela Mothra

Em meio aos transientes encontrados, houve um que intrigou a equipe. Ele fica em uma galáxia que existiu cerca de três bilhões de anos depois do Big Bang e sua luz foi ampliada em pelo menos quatro mil vezes. Esta estrela foi chamada de Mothra e foi vista junto de Godzilla, apelido dado a outra estrela com luz ampliada por uma lente gravitacional.

Mothra também apareceu em observações do Hubble feitas nove anos antes — o que é curioso, já que é necessário um alinhamento bem específico entre o aglomerado de galáxias à frente e a estrela para que a luz desta seja ampliada. O esperado é que os movimentos da estrela e do aglomerado tivessem rompido o alinhamento, mas é possível que exista algum objeto massivo no aglomerado contribuindo para a ampliação.

Fonte: ESAHubble, University of Missouri