Nave Starliner da Boeing volta em segurança à Terra e ganha novo nome: Calypso

Por Patrícia Gnipper | 22 de Dezembro de 2019 às 21h00
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Apesar de um lançamento bem-sucedido realizado na sexta-feira (20), a nave Starliner passou por uma anomalia durante o voo e não conseguiu chegar a seu destino, que era a Estação Espacial Internacional (ISS). Este voo inaugural da nave foi não tripulado, e serviu para que a Boeing e a NASA fizessem os devidos testes de voo antes de uma primeira viagem transportando astronautas. E, como a Starliner não chegou a seu destino, a jornada teve uma duração mais curta, com a nave pousando em segurança na Terra neste domingo (22) no White Sands Space Harbor, que fica no Novo México.

Após o pouso, o astronauta Suni Williams, da NASA, que será o comandante da próxima missão da nave, realizou uma inspeção na cápsula e, em seguida, anunciou que ele e sua tripulação decidiram mudar o nome da Starliner, que agora é apelidada de Calypso — em homenagem ao navio francês comandado por Jacques Cousteau nos anos 1950.

A Starliner, ou Calypso, após o retorno bem-sucedido em White Sands, Novo México (Foto: NASA)

Jim Bridenstine, administrador da NASA, comemorou o retorno da nave da Boeing dizendo que "as partes mais difíceis deste teste de voo orbital foram bem-sucedidas", e levanta o problema experimentado durante o voo não tripulado para ressaltar que "é por isso que realizamos testes para aprender e melhorar nossos sistemas". Ele ainda diz que "as informações obtidas com essa primeira missão serão críticas em nossos esforços para fortalecer o Commercial Crew Program da NASA, devolvendo a capacidade de voo espacial humano para a América".

O Commercial Crew Program conta com a Boeing e com a SpaceX (esta com a nave Crew Dragon) para que, em breve, o transporte de astronautas americanos à ISS volte a ser feito a partir de solo estadunidense, em naves igualmente norte-americanas. Desde 2011, com o fim do programa dos Ônibus Espaciais, a agência depende da Rússia para fazer esse transporte, com seus foguetes e naves Soyuz. As duas empresas privadas citadas foram as escolhidas (e patrocinadas) pela NASA para desenvolverem novas naves tripuláveis para que os Estados Unidos se independam, de vez, dos antigos rivais russos nesse transporte espacial.

Ainda que a Boeing não tenha conseguido levar a Starliner (quer dizer, Calypso) à ISS conforme o planejado, a missão não pode ser considerada um fracasso, pois a empresa conseguiu concluir vários dos objetivos do teste durante o voo orbital. Entre eles, a NASA destaca o sucesso do lançamento a partir do foguete Atlas V, da United Launch Alliance, além do funcionamento dos sistemas de propulsão da Starliner, as comunicações entre nave e controle terrestre, o sistema de navegação da cápsula, os sistemas de suporte à vida, e a comunicação entre a nave e a ISS no espaço.

"Os sistemas foram testados, mas o mais importante é que as equipes foram testadas. As partes mais difíceis desta missão foram um tremendo sucesso. O Commercial Crew Program está forte. Mas, lembre-se, este é um grande lembrete de que a exploração humana não é para os fracos de coração. Nós estamos apenas começando!", declarou Jim Morhard, vice-administrador da NASA.

A nave que acaba de retornar de sua primeira viagem espacial será reformada para sua segunda missão, esta que será tripulada pela primeira vez.

Fonte: NASA (1) e (2)

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