NASA pode ter alterado a composição química do solo marciano nos anos 1970

Por Patrícia Gnipper | 12 de Julho de 2018 às 23h05
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Em junho, a NASA fez um grande anúncio confirmando que moléculas orgânicas são abundantes em rochas de Marte, mantendo aquecida a chama da esperança de encontrar algum tipo de vida microbiana por lá (ou, ainda, de que Marte já abrigou vida em seu passado distante). Só que é possível que a própria agência espacial tenha contaminado o terreno marciano com seus primeiros experimentos em Marte, que aconteceram nos anos 1970 e, com isso, acabou não descobindo as moléculas orgânicas marcianas naquela época.

Em 1976, a NASA enviou ao Planeta Vermelho duas naves como parte do programa Viking, que conduziram as primeiras investigações à procura de compostos orgânicos em meio à poeira marciana. Na época, a busca, que custou US$ 5 bilhões, não forneceu nenhum resultado positivo, desanimando os cientistas — afinal, eles supunham que meteoritos e cometas contendo carbono que eventualmente tivessem se chocado por lá teriam depositado material orgânico na superfície do planeta.

Então, em 2008, a sonda Phoenix, também da NASA, encontrou evidências de perclorato em Marte, sendo este um composto salgado e tóxico que contém cloro. A descoberta foi especialmente interessante pois, na missão Viking dos anos 1970, seus equipamentos precisaram aquecer as amostras marcianas coletadas para que o espectrômetro de massa as analisasse. Então, é possível que tal aquecimento tenha "acendido" o perclorato, o que teria resultado na destruição de quaisquer compostos orgânicos que pudessem estar presentes naquelas amostras.

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A descoberta feita pelo robô Curiosity em 2018, de que há moléculas orgânicas em Marte, mostra que a análise das sondas Viking realmente pode ter sido comprometida. E, reforçando esta ideia, está o fato de que, em 2014, a NASA descobriu uma molécula chamada clorobenzeno no solo marciano — e acontece que o clorobenzeno é justamente um produto químico resultante da queima de carbono com perclorato.

Tudo isso acaba de ser documentado em um estudo conduzido por Chris McKay, astrobiólogo da NASA, que foi publicado no Journal of Geophysical Research: Planets. Caso a análise de McKay esteja correta, essa pode ser a prova de que a missão Viking, apesar de ter revelado muito a respeito do nosso vizinho espacial, acabou contaminando o solo marciano e, além disso, suas sondas, ao aquecer as amostras coletadas, acabaram incinerando as evidências de existência de moléculas orgânicas — um dos principais objetivos da missão. Dessa maneira, somente em 2018 pudemos confirmar que Marte abriga, sim, moléculas orgânicas em sua superfície, sendo que tal descoberta já poderia ter sido feita há quatro décadas.

Fonte: Science Alert!

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