Motor-foguete nacional é testado; Brasil avança na criação de foguetes próprios

Motor-foguete nacional é testado; Brasil avança na criação de foguetes próprios

Por Danielle Cassita | Editado por Patrícia Gnipper | 04 de Outubro de 2021 às 12h27
Sargento Müller Marin/CECOMSAER

Na última sexta-feira (1º), aconteceu o primeiro teste do motor-foguete S50, um projeto totalmente nacional que representa um passo de grande importância para o programa espacial brasileiro. O procedimento foi realizado em uma unidade do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), em São José dos Campos, cidade do interior de São Paulo, e ajudará no avanço do desenvolvimento de foguetes surborbitais e para o lançamento de microssatélites.

Durante o teste, o motor ficou preso a um grande bloco de concreto e foi ativado durante aproximadamente 84 segundos, enquanto sensores coletavam dados e medidas sobre seu comportamento. Paulo Barros, diretor de gestão de portfólio na Agência Espacial Brasileira (AEB), explica que esse teste faz parte da sequência antes do lançamento. “Nestes testes, são verificadas curva de empuxo (queima do propelente), pressão, deformação, vibração e temperatura do motor”, explicou ele.

Confira o vídeo do teste:

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O teste contou com a presença de engenheiros e autoridades, como Marcos Pontes (ministro da Ciência, Tecnologia e Inovações), Carlos Moura (presidente da Agência Espacial Brasileira), entre outros. "Isso é extremamente importante para que nós tenhamos um equipamento qualificado, apto para ser usado para veículo lançador de microssatélite, ou mesmo para veículos suborbitais, que nos permitam fazer experimentos, por exemplo, em condição de microgravidade", explicou Moura.

Segundo o presidente da AEB, o teste do motor S50 é um passo de enorme importância para o Brasil ter um veículo lançador de microssatélites que possa levar cargas espaciais às órbitas desejadas. Muito disso se deve às características do S50: este é o maior motor-foguete já produzido no hemisfério Sul e conta com 12 toneladas de propelente sólido junto de tecnologias inovadoras para o programa espacial brasileiro. Uma delas é o uso de fibra de carbono na produção do envelope-motor, que traz mais leveza e eficiência ao componente. O motor tem quase o dobro de massa daqueles usados na época dos foguetes VLS (Veículo Lançador de Satélites), que tiveram seu desenvolvimento interrompido.

Em comparação com aqueles que equipavam seus antecessores, esse novo motor tem capacidade propulsiva bem maior. Assim, o sucesso do ensaio irá auxiliar o país a avançar nas fases finais de desenvolvimento do S50, proporcionando ao Brasil novas capacidades de produção de veículos suborbitais e lançadores de microssatélites através do VLM-1. “Pensando no Programa Espacial Brasileiro, é como se estivéssemos, agora, ascendendo ao segundo estágio”, comentou o ministro Pontes. “Graças ao esforço de muita gente, temos a possibilidade de melhorar o Programa Espacial e esperar muitas novidades pela frente”, disse.

Fonte: AEB (1, 2), FAB

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