Momentos iniciais de uma supernova são registrados pela primeira vez

Momentos iniciais de uma supernova são registrados pela primeira vez

Por Danielle Cassita | Editado por Patrícia Gnipper | 05 de Agosto de 2021 às 16h10
NASA/CSC/M.Weiss

Uma colaboração realizada entre astrônomos da Australian National University (ANU), da NASA e pesquisadores de outros países resultou na captura dos momentos iniciais de uma supernova, em detalhes nunca observados antes. Com dados da supernova SN2017jgh, obtidos pelo telescópio espacial Kepler em 2017, eles conseguiram registrar a explosão luminosa inicial, vista como a onda de choque inicial que viaja pela estrela antes de explodir.

As supernovas ocorrem quando determinados tipos de estrelas ficam sem combustível para realizar a fusão nuclear em seu interior; como resultado, não há mais pressão suficiente para sustentar a estrutura delas, que colapsam e iniciam uma explosão agressiva e bastante energética. Em apenas alguns segundos, uma supernova pode liberar a energia que o Sol vai emitir durante seus 12 bilhões de anos. Patrick Armstrong, autor que liderou o estudo, explica que os pesquisadores tentam entender como a luminosidade muda antes um pouco antes da explosão.

A supernova 1987 A que, assim como aquela observada pelo Hubble, é do tipo II (Imagem: Reprodução/NASA, ESA, P. Challis, and R. Kirshner (Harvard-Smithsonian Center for Astrophysics)

Essa etapa é conhecida como “curva de resfriamento de choque”, e pode indicar o tipo de estrela que causou a supernova. “Como o estágio inicial da supernova acontece muito rapidamente, é bastante difícil para a maior parte dos telescópios registrar esse fenômeno”, explicou ele. Entretanto, os dados disponíveis sobre essa etapa, até o momento, estavam incompletos, porque incluíam o escurecimento da curva e a explosão, mas não o pico luminoso do início da supernova. Assim, os pesquisadores trabalharam os novos dados obtidos em relação a vários modelos de estrelas existentes.

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Os modelos que criaram mostraram que a estrela que causou a supernova em questão era, provavelmente, uma supergigante amarela 100 vezes maior que o Sol. O Dr. Brad Tucker, da ANU, afirma que a equipe internacional conseguiu confirmar o que o modelo SW 17 é capaz de prever com a maior precisão os tipos de estrelas responsáveis pelas diferentes supernovas. Assim, não seria mais preciso testar outros vários modelos, como era feito até então. “Astrônomos de todo o mundo vão poder usar o SW 17, com a certeza de que este é o melhor modelo para identificar as estrelas que explodem em supernovas”, comentou.

Entender como acontece a transformação das estrelas em supernovas é importante para os pesquisadores saberem mais sobre a origem dos elementos, já que essas explosões são consideradas as responsáveis pela criação de grande parte dos elementos no universo. Assim, telescópios como o Transiting Exoplanet Survey Satellite (TESS) são bons aliados para registrar explosões do tipo, além de outros que ainda estão por vir. “À medida que novos telescópios espaciais são lançados, provavelmente vamos observar mais dessas curvas”, explicou Armstrong. “Isso vai nos dar oportunidades para melhorarmos nossos modelos e construirmos nosso conhecimento sobre as supernovas e a origem dos elementos que constituem o mundo ao nosso redor”.

O manuscrito com os resultados do estudo foi publicado na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

Fonte: ANU

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