Missão da NASA pode ter flagrado primeiro impacto de meteoroide em outro planeta

Por Danielle Cassita | 03 de Fevereiro de 2021 às 17h00
NASA

A missão MESSENGER, da NASA, estudou Mercúrio de pertinho durante vários anos. Agora, ao analisar os dados coletados pela missão, cientistas encontraram algo que chamou a atenção: é possível que a sonda tenha flagrado um impacto de meteoroide no planeta, que seria o primeiro já observado em outro planeta rochoso — até então, impactos do tipo só foram observados na Lua e na Terra.

Menor que nosso planeta, Mercúrio tem uma discreta atmosfera que recebe o nome de exosfera, com pressão muito menos intensa do que a da atmosfera terrestre. Essa exosfera ocorre no lado do planeta que fica voltado para o Sol, e é composta por materiais que, anteriormente, estavam presentes em sua superfície. Assim, os cientistas acreditam que impactos de meteoroides seriam responsáveis por levar o material para a exosfera.

Imagem da superfície de Mercúrio feita pela MESSENGER (Imagem: Reprodução/NASA/Johns Hopkins APL/Carnegie Institution of Washington)

Segundo Jamie Jasinski, principal autora do estudo, grandes impactos de meteoroides são capazes de liberar uma enorme quantidade de material da superfície. Esses meteoroides são originados do cinturão de asteroides localizado entre Marte e Júpiter, a milhões de quilômetros de distância do planeta. Contudo, esses impactos sempre foram hipotéticos porque ainda não haviam sido observados em outros planetas, tanto que havia grandes expectativas para a missão MESSENGER flagrar algum destes eventos.

Foi em dezembro de 2013 que a missão passou pelo lado iluminado de Mercúrio, e o instrumento Fast Imaging Plasma Spectrometer (FIPS) registrou algo diferente: havia uma quantidade estranhamente alta de íons de sódio e silício presentes no vento solar, que viajavam em um fluxo fino, quase na mesma direção e velocidade. Agora, Jasinski e outros membros da equipe analisaram os dados e notaram que eles indicavam que essas partículas eram jovens, e haviam acabado de flutuar para o vento solar.

As partículas neutras ejetadas pelo impacto foram para além da magnetosfera de Mercúrio; ali, os fótons transformaram as patículas neutras em íons, que foram identificados pelo instrumento (Imagem: Reprodução/Jacek Zmarz)

Com as informações de velocidade e direção, eles conseguiram reconstituir o movimento das partículas até chegar à origem delas, e descobriram que vieram de uma pluma densa, que emergiu da superfície de Mercúrio e se estendeu a mais de 5 mil km em direção ao espaço. Assim, a equipe estima que o meteoroide responsável pelo impacto que causou a pluma era relativamente pequeno, e teria cerca de um metro de diâmetro — modelos computacionais sugerem que uma rocha deste tamanho poderia muito bem criar uma pluma de altura e densidade que correspondem àquilo que o FIPS identificou.

Leonardo Regoli, co-autor do estudo, comenta como “isso mostra como é raro ter a nave no lugar certo, na hora certa, e ser ainda capaz de medir algo assim”. Para Jasinski, estes dados “têm um papel realmente importante para nos ajudar a entender como os impactos de meteoros contribuem com o fornecimento de material para a exosfera de Mercúrio”. Agora, a equipe espera os dados de um instrumento semelhante ao FIPS, que equipa a missão BepiColombo, da Agência Espacial Europeia e da JAXA, a agência espacial japonesa. Essa missão foi lançada em 2018 e deverá chegar ao planeta no final de 2025 para realizar outras observações do planeta, além de, claro, procurar mais impactos de meteoroides durante o período que estiver em órbita.

O artigo com os resultados do estudo foi publicado na revista Nature Communications.

Fonte: John Hopkins

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