Meteoritos ajudam a descobrir como foi a formação original do Sistema Solar

Por Danielle Cassita | 27 de Janeiro de 2021 às 22h20
Flickr/Philippe Put

Há cerca de 4,5 bilhões de anos, uma enorme nuvem de gás e poeira colapsou e deu origem ao material que formou o Sistema Solar. Conforme nossa vizinhança foi se desenvolvendo, Júpiter e Saturno se formaram, mas migraram para órbitas diferentes das originais, o que afetou a posição dos demais planetas. Agora, uma equipe de cientistas do Lawrence Livermore National Laboratory (LLNL) trabalhou em um estudo onde reconstituíram as localizações originais dos planetas utilizando “pistas” em meteoritos.

Jan Render, autor principal do estudo, explica que essa mudança na organização dos planetas do Sistema Solar nas etapas iniciais do sistema vem atrapalhando os cientistas que buscam entender onde os planetas se formaram. Então, para investigar quais seriam essas posições iniciais, eles recorreram aos meteoritos: “ao observar a composição dos meteoritos do Cinturão de Asteroides, conseguimos determinar que os corpos que deram origem a eles devem ter se formado de materiais em localizações bem diferentes no Sistema Solar primordial”.

Aqui, ele se referiu ao cinturão localizado entre Marte e Júpiter, que é principal origem da maior parte dos meteoritos que já caíram na Terra. Apesar de ser relativamente pequeno, o cinturão conta com vários materiais diferentes, de modo que os objetos vindos dele têm composição relacionada a cerca de 100 diferentes objetos e, portanto, assinaturas químicas e isotópicas variadas. Então, para rastrear o material da origem dos planetas, foi preciso encontrar assinaturas que nasceram com eles, e é aqui que os meteoritos entram. Eles analisaram amostras dos condritos basálticos, objetos rochosos parecidos com o basalto presente na Terra.

Exemplos de meteoritos basálticos vindos da Lua (Imagem: Reprodução/NASA /JSC and R. Korotev)

A ideia era medir as assinaturas de isótopos do neodímio (Nd) e zircônio (Zr), e a equipe descobriu que os elementos têm baixas quantidades de isótopos presentes em um tipo de material pré-solar. Essa informação corresponde a assinaturas presentes em outros elementos, o que significa que o material pré-solar em questão foi distribuído no Sistema Solar primordial. No fim, os pesquisadores conseguiram criar um mapa completo do Sistema Solar inicial, com modelos de como cada planeta se moveu até chegar às posições atuais.

Render explica que foi essa comparação das assinaturas dos isótopos com outras importantes que permitiu que a equipe chegasse à localização original dos corpos planetários em relação a onde estão hoje: "essas medidas nos ajudaram a reconstruir o Sistema Solar primordial ao realizar um 'posicionamento cósmico' das órbitas de acreção de corpos meteóricos parentais", diz. A técnica que utiliza meteoritos que caíram na Terra é nova, mas poderá ser uma aliada importante para estudos sobre nossa vizinhança.

O artigo com os resultados do estudo foi publicado na revista Earth and Planetary Science Letters.

Fonte: Universe Today, LLNL

Gostou dessa matéria?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.