Magnetismo de meteorito ajuda a ciência a compreender o passado do Sistema Solar

Magnetismo de meteorito ajuda a ciência a compreender o passado do Sistema Solar

Por Danielle Cassita | 08 de Dezembro de 2020 às 10h40
Comfreak/Pixabay

Em um novo estudo, pesquisadores da Universidade de Rochester, nos Estados Unidos, investigaram quando os asteroides do tipo condrito carbonáceo — aqueles ricos em água e aminoácidos — chegaram ao Sistema Solar interno. Pela primeira vez, a pesquisa foi feita com o magnetismo, e trouxe dados importantes para os cientistas entenderem melhor tanto a origem do Sistema Solar, quanto a habitabilidade dos planetas.

Alguns meteoritos são fragmentos de objetos do espaço externo, como asteroides. Depois de se separarem destes corpos “pais”, esses pedaços podem seguir vagando e atingir a superfície de um planeta ou lua. Assim, estudar a magnetização dos meteoritos é uma forma de os pesquisadores entenderem melhor quando se formaram e onde entram na história do Sistema Solar: “percebemos que podíamos usar o magnetismo de meteoritos derivados de asteroides para determinar a distância deles em relação ao Sol quando seus minerais magnéticos se formaram”, explica John Tarduno, professor da universidade.

Então, para entender melhor a origem dos meteoritos e dos corpos a partir dos quais eles se formaram, Tarduno e outros pesquisadores utilizaram dados magnéticos do meteorito Allende. Trata-se do maior condrito carbonáceo já encontrado na Terra, com minerais que devem ter sido os primeiros sólidos formados no Sistema Solar. Entretanto, antes de determinar quando se formaram e onde, foi preciso primeiro resolver o paradoxo da magnetização dos meteoritos.

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O meteorito Allende (Imagem: Reprodução/Chip Clark, Smithsonian Institution)

É que surgiu uma controvérsia no meio científico quando pesquisadores propuseram que meteoritos condritos carbonáceos, como o Allende, ficaram magnetizados devido a um dínamo em seu interior, como acontece na Terra. Nosso planeta é considerado diferenciado por ter crosta, manto e núcleo, todos separados por suas diferentes composições e densidades, só que, no início da história, os corpos planetários podiam se aquecer tanto que o calor se espalhou e derreteu ferro, que afundou em direção ao interior.

Entretanto, novos experimentos feitos pelo graduando Tim O’Brien mostraram que os sinais magnéticos notados pelos pesquisadores não vinha do núcleo do meteorito, mas sim das propriedades dos minerais magnéticos. Com o paradoxo resolvido, O'Brien pôde identificar meteoritos com outros minerais que talvez registrassem as primeiras magnetizações do Sistema Solar. Depois, Tarduno e os outros pesquisadores combinaram este trabalho com o do professor Erick Blackman.

Ilustração do vento solar fluindo por asteroides no Sistema Solar primordial. As setas brancas representam o campo magnético do vento solar magnetizando um asteroide, indicado pela seta vermelha (Imagem: Reprodução/University of Rochester illustration/Michael Osadciw)

Eles realizaram simulações computacionais, que mostraram que ventos solares atingiram os primeiros corpos do Sistema Solar, de modo que o vento foi o responsável pela magnetização. Com os novos dados, os pesquisadores estabeleceram que os asteroides “pais” dos meteoritos chegaram ao Cinturão de Asteroides da nossa vizinhança há cerca de 4 milhões de anos. Para Tarduno, os resultados dão mais suporte para a teoria que propõe que planetas gigantes, como Júpiter e Saturno, podem ser responsáveis por dirigir a formação e migração de outros corpos.

Então, os asteroides podem ter sido separados pelas forças gravitacionais jovianas, cuja migração fez com que os dois grupos de asteroides se misturassem: “esse movimento inicial dos asteroides condritos carbonáceos preparam o terreno para o espalhamento de corpos ricos em água — potencialmente para a Terra — mais à frente no desenvolvimento do Sistema Solar, e podem ser um padrão comum em sistemas de exoplanetas”, explica Tarduno. Ele ressalta, ainda, que há interesse em definir o histórico do grande número de exoplanetas descobertos para sabermos se os eventos podem ter sido os mesmos em diferentes sistemas estelares.

O artigo com os resultados do estudo foi publicado na revista Nature Communications Earth and Environment.

Fonte: Rochester.edu

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