Margareth Hamilton, da equipe da Apollo 11, ganha homenagem da Google

Por Rafael Arbulu | 19 de Julho de 2019 às 21h00
(Imagem: Divulgação/NASA)
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A missão Apollo 11 da NASA é mundialmente e historicamente reconhecida como aquela que levou o Homem à superfície da Lua pela primeira vez. Foi por meio dela que os nomes de Neil Armstrong, Michael Collins e Buzz Aldrin ficaram para sempre marcados na história. Mas as missões Apollo eram muito mais do que os tripulantes das naves alçadas ao espaço: a embarcação continha a tecnologia mais avançada da época e o sistema de voo, a parte mais integral do software de viagem espacial, foi concebido por uma mulher — Margareth Hamilton.

O aniversário de 50 anos da chegada da humanidade à Lua não poderia deixar despercebido esse detalhe, então a Google investiu em um tributo dedicado exclusivamente ao retrato de Hamilton — literalmente: a empresa levou à estrutura de energia solar de Ivanpah, no deserto de Mojave, a pouco mais de uma hora (ou 84km) de Las Vegas, Nevada, um total de 107 mil espelhos que, dispostos segundo previu o projeto, formavam a imagem perfeita do rosto de Margareth.

Mas a graça da homenagem reside na ironia: apesar de ser uma estrutura de captura da luz solar, a equipe da Google preferiu aguardar até a noite, a fim de que fosse a luz lunar a ser refletida pelos espelhos. O resultado foi um retrato de pouco mais de 3,6 quilômetros quadrados de área — um tamanho maior que a extensão do Central Park de Nova York, ou mais que dois Parques do Ibirapuera, ou ainda mais que 200 Torres Eiffel lado a lado.

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Margareth Hamilton tinha uma filosofia simples para desenvolver seus sistemas: ela sempre baseava suas criações na antecipação de imprevisto. “E se aquilo que você não espera que aconteça, acontece?” Essa percepção veio do lugar mais mundano possível: sendo ela uma mãe com emprego, Margareth por vezes levava sua filha ao seu escritório, onde a criança gostava de brincar de ser astronauta. Em uma dessas brincadeiras, a menina acidentalmente derrubou um simulador de voo e, ao invés de dar uma bronca na pequena, Margareth desenvolveu um sistema que impedisse quedas acidentais de software e acidentes de voo. Com um lobby e apoio dos colegas, ela conseguiu inserir o pedaço de código no software responsável pela direção de todas as missões Apollo.

O termo “engenharia de software”, inclusive, foi inventado por ela. À época, a ciência computacional que hoje nos é rotineira, sequer existia.

O sistema que ela criou foi crucial para a aterrissagem de Armstrong & cia.: durante a chegada na Lua, a equipe viu sua embarcação sobrecarregada com inúmeras tarefas de sistema, o que levou-o a inúmeras reinicializações. Porém, graças ao monitor e a solução desenvolvidos por Margareth (e que ela brigou para incluir nas missões), o controle da missão na Terra e os três astronautas souberam como reagir. A grosso modo, Margareth tem grande responsabilidade pelo “pequeno passo” dado por Armstrong em solo lunar.

Depois do encerramento do Programa Apollo, em 1972, quando os estadunidenes e o restante do mundo já não estavam mais dando lá muita bola para a exploração lunar, Margaret co-fundou uma empresa chamada Higher Order Software, assumindo a função de CEO entre 1976 e 1984. Depois, acabou abrindo sua própria empresa, a Hamilton Technologies Inc., onde o princípio básico a ser seguido é: “não conserte, faça certo da primeira vez”.

Em 2016, ela recebeu a Medalha Presidencial da Liberdade, a maior honraria civil concedida pelo governo dos Estados Unidos, por seu legado nas ciências da computação.

Fonte: Google

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