Índia confirma que frenagem de nave falhou ao tentar pousar na Lua em setembro

Índia confirma que frenagem de nave falhou ao tentar pousar na Lua em setembro

Por Daniele Cavalcante | 21 de Novembro de 2019 às 21h50
ISRO

O governo indiano divulgou novos detalhes sobre a falha na tentativa de pouso do módulo Vikram na Lua, em setembro deste ano, como parte da missão Chandrayaan-2. O lander deveria ter pousado na região sul da superfície lunar no dia 6 daquele mês, mas os controladores da missão perderam o contato quando o módulo estava a apenas 2,1 quilômetros de distância da Lua.

Até então, a Organização Indiana de Pesquisa Espacial (ISRO) manteve silêncio sobre o que realmente aconteceu. No entanto, na última quarta-feira (20), Jitendra Singh, ministro de Estado do Departamento de Espaço, publicou uma resposta às perguntas da câmara do Parlamento indiano sobre o que aconteceu durante a missão.

Apesar do acidente no pouso do lander Vikram, a missão Chandrayaan-2 segue em andamento com sua sonda orbital (Imagem: ISRO)

Em sua declaração, Singh disse que o Vikram teve um problema com os propulsores de frenagem, responsáveis por diminuir a velocidade durante a descida. De acordo com o ministro, a primeira fase de descida foi realizada a uma altitude de 30 km até chegar a 7,4 km acima da superfície da lua. O módulo diminuiu sua velocidade de 1.683 metros por segundo para 146 metros por segundo durante esse período.

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Durante a segunda fase de descida, no entanto, “a redução na velocidade foi diferente do valor projetado", disse o ministro. "Como resultado, o Vikram pousou em um raio de 500 metros do local designado", concluiu. Singh não deu detalhes sobre o que causou essa alteração no valor programado da velocidade de descida, mas essa declaração é o primeiro reconhecimento formal do governo indiano de que realmente houve uma falha durante a tentativa de pouso, e não apenas uma falha de comunicação entre o lander e os controles terrestres.

De acordo com S. Somanath, diretor do Vikram Sarabhai Space Centre, a ISRO estava adiando um anúncio sobre o episódio até que os engenheiros pudessem concluir suas investigações sobre a perda do sinal. Eles estavam usando simulações para reproduzir o que teria acontecido. Somanath, no entanto, reconheceu que o dispositivo provavelmente atingiu a superfície lunar em alta velocidade, algo "além de sua capacidade de sobrevivência". Ou seja: ainda que a ISRO não tenha declarado desta maneira, as entrelinhas revelam que o lander deve mesmo ter se chocado contra a superfície lunar.

Apesar de tudo, a ISRO afirma que a missão Chandrayaan-2 cumpriu entre 90% e 95% de seus objetivos, pois o módulo orbital está funcionando e deverá passar um ano circulando a Lua de um polo ao outro. A Índia tentará uma nova tentativa de pouso na Lua daqui a 12 meses, em novembro de 2020, com a missão Chandrayaan-3.

Fonte: SpaceNews

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