Imitação de regolito é usada em impressão 3D visando futuros habitats na Lua

Por Danielle Cassita | 16 de Julho de 2020 às 11h42
ESA-B.Grundström

Billy Grundström, estudante de mestrado no European Astronaut Centre (EAC), na Alemanha, está utilizando a impressão 3D numa atividade curiosa: ele está imprimindo peças com materiais que simulam a poeira lunar somados a um bio-aditivo para, quem sabe, possibilitar uma futura vivência humana em nosso satélite natural de maneira mais sustentável.

Formado em engenharia química, Grundström agora atua na equipe de fabricação avançada de espaçonaves da EAC, que pesquisa como utilizar o que já existe aos montes na Lua - como regolito - para produzir peças mais complexas necessárias para construções, como tijolos, por exemplo. O regolito é formado por fragmentos de rocha, que se rompem pelo impacto de meteoritos.

(Imagem: ESA-B.Grundström)

O projeto que Grundström criou é inovador, e usa polissacarídeos derivados de alga para desenvolver uma espécie de "tinta" para a impressora 3D. Essa tinta é uma pasta, feita com uma imitação de regolito, água e bioaditivos baseados em algas. A ideia é descobrir uma fórmula para impressão 3D na Lua que seja firme o suficiente para construir por lá. A equipe vê o regolito como uma boa aposta para a exploração sustentável da Lua no futuro, e procura formas de processar essa substância para deixá-la mais estável.

Para ele, o projeto mostra como o desenvolvimento de soluções críticas para a exploração do espaço pode inspirar até aplicações na Terra: "Muitos dos problemas que enfrentamos na exploração espacial exigem soluções circulares, já que precisamos reutilizar e reciclar o que temos em mãos". Assim, ele vê que essa visão circular pode trazer benefícios até mesmo para os problemas que enfrentamos na Terra, por não utilizarmos tudo que os recursos disponíveis podem oferecer.

(Imagem: ESA-B.Grundström)

Saber utilizar os recursos disponíveis, isso é uma das habilidades mais importantes para estabelecer a presença humana sustentável na Lua, já que não é viável transportar tamanha quantidade de materiais da Terra para lá - isto é, sem gastar fortunas em tal transporte. Futuramente, Grundström acredita que as algas que usou em sua pasta possam ser cultivadas em biorreatores na própria Lua, e seria possível até mesmo criar um sistema de produção completamente integrado, utilizando o gás carbônico que exalamos somado à água e luz solar.

Fonte: ESA

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