Imagem da Via Láctea em detalhes sem precedentes sugere um novo fenômeno cósmico

Por Daniele Cavalcante | Editado por Patrícia Gnipper | 31 de Maio de 2021 às 09h50
NASA/CXC/UMass/QD Wang/NRF/SARAO/MeerKAT

O centro da Via Láctea é uma região complexa e difícil de observar, porque ele é rodeado por nuvens de poeira muito espessas e gás. Mas isso não impede uma observação em determinados comprimentos de onda, como o raio-X e o rádio. Com o telescópio espacial Chandra X-ray Observatory e o radiotelescópio MeerKAT, uma equipe conseguiu imagens fascinantes formadas por fios de gás superaquecidos e campos magnéticos.

Daniel Wang, da Universidade de Massachusetts Amherst, descreveu o que encontrou no centro da nossa galáxia em detalhes, incluindo um filamento curioso que emite um brilho intenso em raios-X e ondas de rádio entrelaçados. Para Wang, essa visão é sem precedentes e o filamento em particular revela um novo fenômeno. "Esta é a evidência de um evento de reconexão de campo magnético em andamento", disse.

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O filamento de reconexão magnética (Imagem: Reprodução/NASA/CXC/UMass/Q.D. Wang; NRF/SARAO/MeerKAT)

Ainda sobre este filamento, a formação se posiciona perpendicular ao plano da galáxia e tem cerca de 20 anos-luz de comprimento, mas apenas um centésimo disso em largura, ou seja, 0,2 anos-luz. Ele pode ter se formado quando os campos magnéticos alinhados em diferentes direções colidiram e se torceram no processo de reconexão magnética.

Esse tipo de evento pode desempenhar um papel importante no aquecimento do gás existente entre as estrelas e também podem acelerar as partículas para produzir raios cósmicos, além de conduzir a turbulência que desencadeia o nascimento de novas gerações de estrelas. As reconexões magnéticas não costumam ser energéticas o suficiente para serem detectados em raios-X, mas neste caso parece excepcional. 

Essa, contudo, não é a característica mais impressionante da imagem. Há nuvens de gás que se estendem por cerca de 700 anos-luz acima e abaixo do plano galáctico, muito menores do que as bolhas de Fermi, descobertas em 2019. Essas plumas podem representar fluxos de saída em escala galáctica, mais ou menos parecidos com as partículas que são expulsas do Sol.

(Imagem: Reprodução/NASA/CXC/UMass/QD Wang/NRF/SARAO/MeerKAT)

O gás da região é provavelmente aquecido por explosões de supernovas, e talvez o ambiente nos limites externos das grandes plumas de gás quente sejam adequados para que fios magnéticos ocorram. Ou seja, o gás nas plumas pode estar conduzindo os campos magnéticos que, então, colidem para criar os fios.

A pluma de gás do sul parece estar associada à bolha gigante de rádio descoberta em 2019 (não deve ser confundida com as bolhas de Fermi), que foi considerada um resultado da atividade recente do Sagitário A*, o buraco negro supermassivo localizado no coração da Via Láctea. "O centro galáctico é um sistema verdadeiramente complexo", disse Wang.

Para ele, o núcleo da nossa galáxia envolve "não apenas a interação entre vários componentes estelares e interestelares, mais o Sgr A*, como também entradas e saídas, múltiplas fontes de energia, bem como mecanismos de aquecimento e resfriamento". A pesquisa foi publicada na Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

Fonte: NASA

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