IA resolveu mistério do Hubble e descobriu milhares de objetos "estranhos"
Por Danielle Cassita |

E se você tivesse que analisar mais de 1,7 milhão de imagens já registradas pelo telescópio Hubble desde seu lançamento na década de 1990? A tarefa não é fácil e, sabendo disso, pesquisadores da Agência Espacial Europeia (ESA) criaram o AnomalyMatch, um modelo de inteligência artificial que não apenas explorou quase 100 milhões de seções dos dados do observatório como identificou mais de 1.300 anomalias ali.
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Na verdade, os dados do Hubble representam o maior volume de informações observacionais disponíveis para estudo na história da astronomia, mas o problema é que a quantidade de dados é tão vasta que é praticamente impossível para os pesquisadores a analisarem. É aqui que entra o AnomalyMatch, que permitiu que os cientistas explorassem quase 100 milhões de imagens em menos de três dias.
Eles treinaram o modelo para ensiná-lo a detectar objetos estranhos através do reconhecimento de padrões — nada mais adequado, já que o modelo foi criado para analisar as imagens de uma forma parecida com aquela como nosso cérebro processa informações visuais.
IA na astronomia
As imagens capturadas pelo Hubble representam o maior volume de dados observacionais já registrados na história da astronomia. Aliás, a quantidade de informação obtida pelo célebre telescópio é tão imensa que não há tempo suficiente para os pesquisadores investigarem o que existe ali.
Já as anomalias registradas são simplesmente objetos com aparência diferente do esperado, e centenas delas haviam passado despercebidas pelos pesquisadores. Muitos, aliás, desafiam as classificações normalmente usadas — a maioria mostrava galáxias distantes interagindo umas com as outras, processo que resulta na formação de galáxias com aparência que lembra a das águas-vivas e “tentáculos” de gás.
De qualquer forma, tanto a NASA quanto os cientistas do estudo consideraram que este foi um avanço significativo em estudos do tipo. “A descoberta de tantas anomalias não documentadas nos dados do Hubble reforça o potencial desta ferramenta para estudos futuros”, comentou Pablo Gómez, pesquisador que trabalhou na construção do modelo.